IPCA subiu 0,58% no mês, abaixo do registrado em abril, mas acumulado em 12 meses avançou para 4,72%; alimentação dentro de casa teve a maior alta para maio em 18 anos.
IPCA desacelera em maio, mas segue acima da meta
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, considerado a inflação oficial do país, registrou alta de 0,58% em maio, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, nesta sexta-feira, 12 de junho.
O resultado representa uma desaceleração em relação a abril, quando o índice havia subido 0,67%. Apesar da perda de ritmo no mês, a inflação acumulada em 12 meses voltou a acelerar, passando de 4,39% para 4,72%. No acumulado do ano, o IPCA soma 3,20%.
Com esse desempenho, a inflação segue acima do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional. Para 2026, o objetivo é manter o índice em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que o limite superior é de 4,5%.
Alimentação foi a principal pressão sobre os preços
O grupo Alimentação e bebidas foi o principal responsável pela alta da inflação em maio. Os preços desse grupo avançaram 1,33% e responderam por 0,29 ponto percentual do IPCA no mês.
A maior pressão veio dos alimentos consumidos dentro de casa. A chamada alimentação no domicílio subiu 1,65%, a maior alta para um mês de maio desde 2008, quando o avanço havia sido de 2,27%.
O resultado mostra que, mesmo com a desaceleração do índice geral, o custo da alimentação continua pesando de forma relevante no orçamento das famílias, especialmente entre os consumidores de menor renda, que destinam parcela maior da renda para itens básicos.
Batata, tomate, cebola e carnes puxaram a alta
Entre os alimentos que mais subiram em maio, a batata-inglesa teve o maior destaque, com alta de 44,69%. O tomate também registrou forte avanço, de 20,62%, enquanto a cebola ficou 16,80% mais cara.
As carnes também pressionaram o índice, com alta de 1,39% no mês. Segundo o IBGE, o aumento desses produtos está ligado à menor oferta e ao impacto dos custos de frete, influenciados pela alta dos combustíveis em períodos anteriores.
Na direção contrária, alguns itens ficaram mais baratos e ajudaram a aliviar parcialmente a inflação dos alimentos. O café moído recuou 2,38%, enquanto as frutas tiveram queda de 0,70%.
Comer fora também ficou mais caro
A alimentação fora de casa também registrou aumento em maio, mas em ritmo mais moderado. Os preços subiram 0,49%, com desaceleração tanto nos lanches quanto nas refeições.
Mesmo com avanço menor, o resultado mostra que o custo de comer fora segue pressionado por despesas como alimentos, energia, aluguel, mão de obra e transporte. Para o consumidor, isso significa que o alívio nos combustíveis ainda não foi suficiente para reduzir de forma ampla os preços ligados ao setor de serviços.
A combinação de alimentos mais caros dentro e fora de casa mantém a alimentação como um dos principais focos de preocupação no comportamento da inflação.
Habitação também pesou no resultado de maio
O grupo Habitação registrou alta de 1,22% em maio e teve impacto de 0,18 ponto percentual no IPCA. O principal fator foi o aumento da energia elétrica residencial, que subiu 3,67% e foi o item de maior contribuição individual para a inflação do mês.
De acordo com o IBGE, o avanço reflete reajustes nas tarifas de energia em diferentes capitais brasileiras, como Aracaju, Fortaleza, Salvador, Campo Grande, Recife e Belo Horizonte.
Além dos reajustes, em maio esteve em vigor a bandeira tarifária amarela, que acrescenta cobrança extra à conta de luz a cada 100 kWh consumidos. Esse fator aumentou as despesas das famílias e contribuiu para a alta do grupo.
Saúde e cuidados pessoais também avançam
O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 0,90% em maio e contribuiu com 0,12 ponto percentual para o IPCA. O destaque ficou para os artigos de higiene pessoal, que ficaram 1,95% mais caros.
Entre os itens desse grupo, os perfumes registraram alta de 4,42%. Os planos de saúde também tiveram reajuste no período, com avanço médio de 0,50%.
A alta em saúde e cuidados pessoais reforça a pressão sobre despesas recorrentes das famílias, especialmente em serviços e produtos de uso frequente.
Transportes ajudam a segurar a inflação
O grupo Transportes foi o único a registrar queda em maio, com recuo de 0,46%. A baixa foi puxada principalmente pelos combustíveis, que ficaram 1,95% mais baratos no mês.
O etanol teve queda de 6,20%, seguido pelo óleo diesel, que recuou 2,34%, e pela gasolina, com baixa de 1,46%. A gasolina foi o item com maior impacto negativo individual sobre o IPCA, ajudando a impedir uma alta maior da inflação geral.
Na contramão, o gás veicular subiu 5,81%. Outros itens do grupo também avançaram, como as passagens aéreas, que aumentaram 3,20% após forte queda no mês anterior.
Inflação acumulada preocupa por ficar acima do teto
Embora o IPCA tenha desacelerado em maio, o avanço da inflação acumulada em 12 meses para 4,72% reacende o alerta sobre o cumprimento da meta. Desde o ano passado, o Brasil passou a adotar uma meta contínua de inflação, acompanhada mês a mês com base no acumulado de 12 meses.
Como o teto da meta é de 4,5%, o resultado de maio coloca o índice novamente acima do intervalo de tolerância. Isso aumenta a atenção sobre os próximos dados de inflação e sobre a condução da política monetária pelo Banco Central.
O comportamento dos alimentos, da energia elétrica e dos serviços será decisivo para indicar se a inflação pode voltar a perder força nos próximos meses ou se seguirá pressionada.
Resultado mostra inflação mais concentrada em itens essenciais
O IPCA de maio revela uma inflação concentrada principalmente em itens essenciais do orçamento doméstico. Alimentação, habitação e saúde responderam pela maior parte da alta do mês.
Esse tipo de inflação tende a ser mais sentido pela população porque atinge gastos de difícil substituição. Mesmo quando outros grupos registram queda, como transportes, o impacto para o consumidor pode ser limitado quando alimentos e conta de luz continuam em alta.
Na prática, o resultado mostra um cenário misto: a inflação mensal perdeu força, mas o custo de vida permanece pressionado em áreas fundamentais para as famílias brasileiras.









































































































