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Asteroide Bennu volta a chamar atenção, mas chance de atingir a Terra é inferior a 0,1%

Objeto de aproximadamente 500 metros é acompanhado pela Nasa e terá uma aproximação importante em 2135. Cálculos indicam mais de 99,9% de probabilidade de que não ocorra uma colisão até 2300.


O asteroide Bennu, um dos objetos próximos à Terra mais estudados pela Nasa, voltou a ganhar destaque nas redes sociais por causa de seu tamanho e do potencial de destruição que teria em uma eventual colisão com o planeta.

Com aproximadamente 500 metros de diâmetro, Bennu possui dimensões suficientes para provocar consequências severas caso atingisse a superfície terrestre. Algumas estimativas divulgadas na imprensa comparam a energia de um possível impacto à explosão simultânea de várias bombas nucleares.

Apesar do cenário alarmante, os cálculos científicos mostram que a possibilidade de uma colisão é muito pequena.

Segundo a Nasa, a probabilidade total de Bennu atingir a Terra em algum momento até o ano de 2300 é de aproximadamente 1 em 1.750, equivalente a 0,057%.

A data isolada que concentra a maior possibilidade calculada é 24 de setembro de 2182. Para esse dia, a chance estimada é de cerca de 1 em 2.700, ou 0,037%.

Isso significa que há mais de 99,9% de probabilidade de o asteroide não atingir o planeta dentro do período analisado.


O que é o asteroide Bennu

Bennu é um asteroide próximo à Terra, classificação utilizada para objetos cujas órbitas passam pela região interna do Sistema Solar e podem se aproximar do planeta ao longo do tempo.

O objeto possui aproximadamente 500 metros de diâmetro e completa uma volta ao redor do Sol em cerca de 1,2 ano.

A cada seis anos, aproximadamente, sua trajetória o leva novamente para regiões relativamente próximas da Terra. Essa característica tornou Bennu um dos principais alvos dos programas de observação e defesa planetária.

Ser classificado como potencialmente perigoso não significa que o asteroide esteja prestes a atingir o planeta.

A classificação considera principalmente o tamanho do objeto e a proximidade que sua órbita pode alcançar em relação à trajetória terrestre.

Bennu também apresenta uma composição rica em carbono e preserva materiais formados durante os períodos iniciais do Sistema Solar, o que aumenta sua importância científica.


Bennu não está em rota confirmada de colisão

Apesar das publicações alarmistas que circulam nas redes sociais, a Nasa não afirma que Bennu atingirá a Terra.

As probabilidades divulgadas representam cenários matemáticos possíveis dentro de uma margem de incerteza sobre a posição futura do asteroide.

Quanto mais distante está a data analisada, maior é a quantidade de fatores que precisam ser considerada para prever a trajetória do objeto.

Pequenas variações acumuladas ao longo de décadas podem modificar significativamente o local onde Bennu estará daqui a mais de um século.

Neste momento, não existe uma rota de impacto confirmada nem necessidade de medidas emergenciais contra o asteroide.

A principal finalidade do monitoramento é reduzir as incertezas e identificar com antecedência qualquer mudança que possa aumentar ou eliminar completamente o risco.


Chance de colisão até 2300 é de 0,057%

Os cálculos mais precisos realizados pela equipe da missão OSIRIS-REx indicam uma probabilidade acumulada de impacto de 0,057% até o ano de 2300.

Esse percentual corresponde a aproximadamente uma possibilidade em 1.750.

Embora esse número mantenha Bennu entre os asteroides mais acompanhados pelos programas de defesa planetária, ele também demonstra que uma colisão é altamente improvável.

Em termos práticos, existe uma probabilidade superior a 99,9% de que Bennu passe pela Terra sem provocar impacto durante todo o período analisado.

O acompanhamento constante não ocorre porque a colisão seja esperada, mas porque objetos desse tamanho exigem previsões extremamente precisas.

Os estudos também servem para desenvolver métodos que poderão ser aplicados a outros asteroides descobertos no futuro.


Data de 2182 concentra maior risco calculado

Entre todas as trajetórias possíveis analisadas pelos cientistas, 24 de setembro de 2182 aparece como a data isolada com maior probabilidade de colisão.

Para esse dia, o risco calculado é de aproximadamente 0,037%, equivalente a uma possibilidade em 2.700.

A data ganhou destaque porque representa o cenário de impacto individual mais provável dentro das simulações realizadas.

Isso não significa que os cientistas esperem uma colisão naquela ocasião.

A chance de Bennu não atingir a Terra em 24 de setembro de 2182 é de aproximadamente 99,963%.

Os cálculos ainda poderão ser atualizados ao longo das próximas décadas, especialmente após uma aproximação importante prevista para 2135.


Aproximação de 2135 será decisiva

Bennu deverá realizar uma passagem próxima da Terra em 25 de setembro de 2135.

Segundo a Nasa, essa aproximação não apresenta risco de colisão com o planeta.

No entanto, a gravidade terrestre exercerá uma influência sobre o asteroide e poderá alterar levemente sua velocidade e sua direção.

Mesmo uma mudança muito pequena poderá afetar a posição de Bennu nas décadas seguintes.

Por isso, a passagem de 2135 será fundamental para determinar com maior precisão as trajetórias possíveis para o final do século 22.

A maneira como o asteroide atravessar a região próxima à Terra definirá quais caminhos orbitais poderão levá-lo de volta ao planeta no futuro.

Esses possíveis caminhos são chamados pelos pesquisadores de “buracos de fechadura gravitacionais”.

Caso Bennu passe por uma dessas pequenas regiões do espaço, a gravidade terrestre poderá direcioná-lo para uma aproximação futura mais perigosa.


Como a Nasa calcula o risco de impacto

O cálculo da trajetória de um asteroide envolve muito mais do que observar sua posição e projetar uma linha pelo espaço.

Os pesquisadores precisam analisar a velocidade, a massa, a forma, a rotação e a interação gravitacional do objeto com o Sol, a Terra e outros planetas.

As medições também consideram a pressão provocada pela luz solar e a forma como o asteroide absorve e libera calor.

Para Bennu, os cientistas utilizaram informações coletadas por telescópios terrestres e pelos instrumentos da missão OSIRIS-REx.

A sonda permaneceu próxima ao asteroide durante mais de dois anos, permitindo que os pesquisadores observassem sua superfície e seus movimentos com um nível de precisão sem precedentes.

A missão reduziu significativamente a margem de incerteza sobre a posição futura de Bennu.

Os dados permitiram calcular sua trajetória com precisão de poucos metros em determinadas etapas da missão.


Missão OSIRIS-REx refinou os cálculos

A OSIRIS-REx foi lançada pela Nasa em setembro de 2016 com o objetivo de estudar Bennu e trazer amostras do asteroide para a Terra.

A sonda chegou ao objeto em 2018 e iniciou uma longa etapa de observações.

Durante a missão, foram realizadas medições detalhadas da forma, da massa, da rotação e das características da superfície de Bennu.

Os instrumentos também acompanharam a maneira como o asteroide se deslocava ao redor do Sol.

Esses dados permitiram aos cientistas compreender com maior precisão as forças que modificam sua órbita.

O refinamento das estimativas de impacto foi um dos principais resultados da missão para os programas de defesa planetária.

A Nasa anunciou os cálculos atualizados em 2021, destacando que, apesar do risco muito baixo, Bennu continuaria sendo um dos objetos mais importantes para o monitoramento espacial.


Sonda coletou material da superfície

Em outubro de 2020, a OSIRIS-REx realizou uma aproximação controlada e tocou brevemente a superfície de Bennu.

Durante a operação, a sonda coletou fragmentos de rocha e poeira do asteroide.

A cápsula com o material chegou à Terra em 24 de setembro de 2023 e pousou em uma área militar no estado de Utah, nos Estados Unidos.

A missão entregou aproximadamente 121,6 gramas de material, superando a quantidade mínima necessária para cumprir os objetivos científicos estabelecidos pela Nasa.

Foi a primeira missão dos Estados Unidos a coletar amostras diretamente de um asteroide e transportá-las até a Terra.

O material está sendo distribuído para pesquisadores de diferentes países e deverá continuar sendo estudado durante décadas.


Amostras ajudam a entender o Sistema Solar

As amostras de Bennu são consideradas cápsulas do tempo dos primeiros momentos do Sistema Solar.

Asteroides como ele preservam materiais formados há bilhões de anos, antes do surgimento dos planetas em suas configurações atuais.

Ao analisar os fragmentos, os cientistas procuram compreender como a Terra e outros corpos celestes foram formados.

Os pesquisadores também investigam a presença de compostos orgânicos e minerais que possam ter contribuído para o surgimento da água e dos ingredientes necessários à vida no planeta.

O estudo de Bennu possui importância científica independentemente de qualquer risco de colisão.

A composição e a estrutura do asteroide também ajudam a prever como objetos semelhantes reagiriam a uma tentativa de desvio.


Efeito Yarkovsky modifica lentamente a órbita

Um dos fenômenos mais importantes para calcular a trajetória de Bennu é o chamado efeito Yarkovsky.

Quando a luz solar atinge o asteroide, parte da energia é absorvida pela superfície.

Mais tarde, esse calor é liberado novamente para o espaço em forma de radiação térmica.

A emissão produz uma força extremamente pequena, mas contínua, capaz de alterar gradualmente a velocidade e a órbita do objeto.

Ao longo de décadas ou séculos, essa pequena influência pode gerar mudanças relevantes na posição de um asteroide.

Ignorar o efeito Yarkovsky tornaria as previsões de longo prazo menos precisas.

As observações realizadas pela OSIRIS-REx permitiram medir esse fenômeno em Bennu com precisão muito maior do que era possível apenas por telescópios.


Gravidade dos planetas também altera trajetória

Além do efeito provocado pelo calor, Bennu sofre a influência gravitacional de diferentes corpos do Sistema Solar.

A Terra, o Sol, a Lua e outros planetas exercem forças que modificam continuamente sua trajetória.

Em aproximações mais próximas, a gravidade de um planeta pode alterar a velocidade e o ângulo da órbita de maneira mais perceptível.

É justamente isso que deverá acontecer durante a passagem de Bennu pela região próxima à Terra em 2135.

A alteração não fará com que o asteroide atinja o planeta naquele momento, mas poderá modificar suas aproximações posteriores.

A incerteza sobre a intensidade dessa mudança é uma das razões pelas quais ainda existem diferentes trajetórias possíveis para 2182.

Depois da aproximação, novas observações deverão reduzir ainda mais a margem de erro dos cálculos.


Asteroide poderia provocar destruição regional

Com cerca de 500 metros, Bennu seria capaz de provocar danos graves em uma eventual colisão.

Um objeto desse tamanho não destruiria todo o planeta nem causaria o fim da humanidade, mas poderia devastar uma área extensa ao redor do ponto de impacto.

A dimensão dos danos dependeria da velocidade, do ângulo de entrada, da composição do asteroide e do local atingido.

Uma colisão no oceano poderia provocar grandes ondas e afetar áreas costeiras. Um impacto em terra poderia abrir uma cratera, destruir cidades e lançar grandes quantidades de poeira e fragmentos na atmosfera.

O potencial destrutivo é a principal razão para Bennu receber atenção especial, apesar da probabilidade extremamente baixa de colisão.

A comparação com bombas nucleares é apenas uma forma aproximada de representar a quantidade de energia liberada.

O resultado varia de acordo com qual arma é escolhida como referência, já que bombas nucleares possuem potências muito diferentes.


Comparação com 22 bombas exige cautela

A afirmação de que Bennu liberaria energia equivalente a 22 bombas nucleares não deve ser interpretada como uma medida científica única e definitiva.

A potência de uma arma nuclear pode variar de alguns quilotons a dezenas de megatons de TNT.

Por isso, dizer que um impacto equivale a determinado número de bombas sem informar qual modelo foi utilizado como referência pode produzir uma comparação enganosa.

A Nasa enfatiza principalmente o tamanho do asteroide, sua trajetória e a probabilidade de impacto, em vez de estabelecer uma equivalência fixa com armamentos.

O dado mais importante para o público é que Bennu possui capacidade de causar destruição regional, mas não está em rota confirmada de colisão.

Também não existe indicação de que o objeto ofereça perigo imediato para a população atual.


Bennu está entre os asteroides mais monitorados

A Nasa considera Bennu um dos asteroides conhecidos com maior relevância para os estudos de risco de impacto.

Isso ocorre porque ele combina três características: tamanho expressivo, aproximações periódicas da Terra e uma órbita que apresenta pequenas possibilidades de colisão em um futuro distante.

O fato de ocupar uma posição de destaque nas listas de monitoramento não significa que Bennu seja uma ameaça iminente.

Muitos asteroides entram nessas listas justamente porque os cientistas trabalham com margens de incerteza e precisam acompanhar todas as trajetórias possíveis.

Objetos monitorados podem permanecer durante décadas nas bases de dados sem nunca representar um risco concreto.

Com novas observações, as probabilidades podem diminuir, aumentar levemente ou até ser eliminadas.


Defesa planetária monitora objetos próximos

A defesa planetária reúne programas destinados a identificar asteroides e cometas que possam se aproximar da Terra.

Telescópios em diferentes partes do mundo observam o céu continuamente e registram a posição dos objetos.

As informações são utilizadas para calcular órbitas e prever aproximações futuras.

A Nasa mantém sistemas específicos para analisar possíveis impactos e atualizar os níveis de risco sempre que novas observações são realizadas.

O objetivo é descobrir uma ameaça com décadas de antecedência, garantindo tempo para desenvolver uma resposta.

Quanto mais cedo um objeto perigoso for identificado, menor poderá ser a intervenção necessária para modificar sua trajetória.

Uma alteração mínima na velocidade, aplicada muitos anos antes, pode fazer com que o asteroide passe a milhares de quilômetros da Terra.


Humanidade já testou tecnologia de desvio

Em setembro de 2022, a missão Dart, da Nasa, atingiu intencionalmente o pequeno asteroide Dimorphos.

O objetivo foi testar se o impacto de uma nave poderia alterar a órbita de um objeto espacial.

A colisão modificou o período orbital de Dimorphos em torno de um asteroide maior, demonstrando que a técnica do impacto cinético pode funcionar.

A missão não envolvia um asteroide que ameaçasse a Terra.

O teste mostrou que a humanidade já possui uma tecnologia inicial capaz de modificar a trajetória de determinados objetos.

Para um asteroide como Bennu, qualquer eventual estratégia dependeria das informações disponíveis, do tempo restante e das características físicas do objeto.

Como não existe uma colisão confirmada, nenhuma missão de desvio está sendo preparada contra Bennu.


Não há motivo para alarme imediato

As datas relacionadas ao possível impacto estão a mais de 150 anos de distância.

Até lá, Bennu continuará sendo observado por diferentes gerações de telescópios e instrumentos espaciais.

A aproximação de 2135 deverá fornecer informações decisivas para atualizar as previsões.

Mesmo com as incertezas atuais, os cálculos indicam uma possibilidade superior a 99,9% de que o asteroide não atinja a Terra até 2300.

Não existe recomendação de emergência nem qualquer risco para a população neste momento.

A circulação periódica de informações sobre Bennu ocorre porque os dados científicos são reapresentados nas redes sociais, muitas vezes sem o contexto das baixíssimas probabilidades envolvidas.


Monitoramento representa avanço científico

O caso de Bennu demonstra o grau de precisão alcançado pela astronomia moderna.

Os cientistas conseguem calcular possíveis trajetórias de um objeto com apenas algumas centenas de metros para datas situadas a mais de um século no futuro.

Também conseguem identificar as pequenas influências térmicas, gravitacionais e físicas que modificam seu movimento.

Essas informações permitem que as agências espaciais avaliem riscos antes que eles se transformem em ameaças concretas.

O acompanhamento de Bennu não representa uma previsão de catástrofe, mas um exemplo da atuação preventiva dos programas de defesa planetária.

A mesma tecnologia poderá ser usada para proteger o planeta caso um asteroide realmente perigoso seja descoberto no futuro.