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Michelle Bolsonaro critica apoio do PL a Ciro Gomes e acusa direita cearense de estar “vendida”

Ex-primeira-dama voltou a questionar a aliança para a disputa pelo governo do Ceará após Ciro sinalizar que pode apoiar Ronaldo Caiado ou Renan Santos na eleição presidencial


A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a criticar o apoio de setores do Partido Liberal à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará. Em uma publicação nas redes sociais, ela declarou que “a direita do Ceará está vendida” e afirmou já ter alertado que o tucano não apoiaria o projeto presidencial do grupo bolsonarista.

A manifestação ocorreu depois de Ciro indicar que considera votar em Ronaldo Caiado (PSD) ou Renan Santos (Missão) na disputa pela Presidência da República. Apesar de receber o apoio do diretório estadual do PL, o ex-governador não mencionou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre suas opções para o Palácio do Planalto.

O episódio ampliou a divisão dentro do bolsonarismo cearense. Michelle defende a candidatura de Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo estadual, enquanto Flávio e integrantes do PL local apoiam Ciro Gomes.


Michelle diz que já havia alertado sobre Ciro

Michelle comentou uma publicação que repercutia as declarações de Ciro Gomes. Na mensagem, a ex-primeira-dama afirmou não ter ficado surpresa com a sinalização feita pelo tucano.

“Choca? Não! Só não viu quem não quis, por causa do velho ‘toma lá, dá cá’. Eu alertei que esse senhor, cujo partido contribuiu para deixar o meu marido inelegível, não daria o seu apoio. Ainda assim, queria os votos dos bolsonaristas. Infelizmente, a direita do Ceará está vendida”, escreveu.

A crítica foi direcionada principalmente aos integrantes da direita cearense que participaram da construção da aliança com Ciro para a eleição estadual.

Para Michelle, o acordo permite que o tucano receba os votos do eleitorado ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro sem assumir compromisso com o candidato presidencial apoiado pelo grupo.


Declaração aumenta tensão dentro do PL

O apoio do PL a Ciro Gomes é questionado por Michelle desde dezembro do ano passado. A divergência também provocou um desentendimento público entre a ex-primeira-dama e o senador Flávio Bolsonaro.

Michelle criticou a aproximação entre o partido e o tucano, enquanto Flávio sustentou que a direção estadual seguiria com a aliança no Ceará.

O atrito chegou às redes sociais, onde a ex-primeira-dama publicou um vídeo afirmando ter sido desrespeitada pelo enteado.

A nova manifestação mostra que a divergência continua aberta e pode ganhar força durante a campanha eleitoral.


Michelle defende candidatura de Eduardo Girão

A ex-primeira-dama quer que o eleitorado bolsonarista do Ceará se una em torno da candidatura do senador Eduardo Girão, do Novo, ao governo estadual.

Girão mantém uma trajetória política mais diretamente associada à direita conservadora e ao bolsonarismo. Para Michelle, seu nome representaria uma alternativa ideologicamente mais coerente para os eleitores de Jair Bolsonaro.

Flávio, por outro lado, apoia a orientação adotada pelo PL cearense de construir uma aliança com Ciro Gomes.

A estratégia considera a força eleitoral e o histórico político do tucano no Ceará, apesar das diferenças entre Ciro e o bolsonarismo em âmbito nacional.


Ciro Gomes sinaliza apoio a Caiado ou Renan Santos

A nova reação de Michelle foi provocada por uma entrevista concedida por Ciro Gomes ao portal Cariri News no sábado (18).

Durante a conversa, o pré-candidato ao governo cearense afirmou que poderia votar em Ronaldo Caiado ou Renan Santos na eleição presidencial de outubro.

“Eu, por exemplo, me dou muito bem com Ronaldo Caiado, votaria nele sem nenhuma dificuldade. Tô acompanhando essa novidade que apareceu, que é o Renan Santos. Me parece uma pessoa que, a despeito de ser jovem e tal, está falando coisas muito verdadeiras”, declarou.

Ciro reconheceu que considera exageradas algumas posições de Renan, mas afirmou que o presidente do Missão também representa uma possibilidade para seu voto.

O tucano ressaltou que a decisão sobre o apoio presidencial precisaria ser construída em conjunto com seus aliados.


Flávio Bolsonaro não foi citado por Ciro

Embora o diretório estadual do PL apoie sua candidatura ao governo do Ceará, Ciro Gomes não mencionou Flávio Bolsonaro entre suas opções para a Presidência.

A ausência reforçou as críticas de Michelle à aliança estadual. Para a ex-primeira-dama, o acordo não garante reciprocidade entre Ciro e o grupo bolsonarista.

O episódio evidencia uma dificuldade comum nas coligações estaduais: partidos que estão juntos na disputa por governos locais podem apoiar candidatos diferentes na eleição presidencial.

No Ceará, essa incompatibilidade ficou mais evidente porque parte do PL espera receber o apoio de Ciro, enquanto o tucano avalia outros nomes para o Planalto.


Renan Santos comemora declaração de Ciro

Renan Santos reagiu de maneira positiva aos elogios feitos pelo ex-governador.

O pré-candidato do Missão afirmou ter ficado feliz ao ser citado por Ciro como uma possibilidade para a Presidência. Para Renan, a declaração representa o reconhecimento das propostas apresentadas por sua campanha.

“Ele notar minha pré-candidatura como uma possibilidade me deixa feliz, porque ele viu qualidades naquilo que estamos fazendo que eu já vi nele também. Então é uma notícia boa”, declarou.

Renan também elogiou a trajetória política de Ciro e afirmou que, mesmo diante das divergências, o tucano não pode ser ignorado.

“O Ciro é um cara que você pode discordar dele, mas que você não pode ignorar, porque as posições dele são sempre embasadas. É uma figura rara nos dias de hoje”, completou.


Aliança reúne antigos adversários políticos

A aproximação entre o PL e Ciro Gomes chama atenção pelas diferenças políticas construídas ao longo dos últimos anos.

Ciro foi um crítico frequente de Jair Bolsonaro e de integrantes de sua família. O PSDB, partido ao qual está atualmente filiado, também apoiou decisões políticas questionadas pelo ex-presidente e por seus aliados.

Michelle utilizou justamente esse histórico para criticar a aliança. Ela lembrou que o partido de Ciro participou do processo político que contribuiu para a inelegibilidade de Jair Bolsonaro.

Mesmo assim, dirigentes do PL no Ceará avaliam que o apoio ao tucano pode fortalecer o partido na disputa estadual e ampliar as chances de derrotar seus principais adversários.


Direita cearense enfrenta divisão eleitoral

O impasse envolve duas estratégias distintas dentro da direita do Ceará.

De um lado, Michelle Bolsonaro defende uma candidatura identificada diretamente com o conservadorismo e com o legado político do ex-presidente. Do outro, dirigentes do PL apostam em uma aliança mais ampla e pragmática com Ciro Gomes.

A declaração de que a direita cearense estaria “vendida” mostra que Michelle considera o acordo uma concessão excessiva em troca de vantagens eleitorais.

A crítica também pressiona os dirigentes locais do PL a explicar por que apoiam um candidato que não indicou Flávio Bolsonaro como opção para a Presidência.


Disputa pode afetar campanha no Ceará

A divisão poderá influenciar tanto a eleição estadual quanto a campanha presidencial no Ceará.

Caso Michelle mantenha o apoio a Eduardo Girão, o eleitorado bolsonarista poderá se dividir entre dois candidatos ao governo. Ao mesmo tempo, Ciro tentará aproveitar a estrutura do PL no Estado sem necessariamente aderir ao palanque presidencial do partido.

A situação também poderá provocar novos embates entre Michelle e Flávio Bolsonaro, que defendem caminhos diferentes para a direita cearense.

Com a aproximação das convenções partidárias, as legendas precisarão definir oficialmente suas alianças, os candidatos que participarão dos palanques e os nomes apoiados na disputa pelo Palácio do Planalto.

Até o momento, Michelle mantém sua oposição à aliança com Ciro, enquanto o PL cearense continua ao lado do tucano na disputa pelo governo estadual.