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Governo negocia aumento do teto do MEI para R$ 140 mil e impacto fiscal pode chegar a R$ 50 bilhões

Proposta em discussão entre o governo federal e o Congresso prevê elevar gradualmente o limite de faturamento dos microempreendedores individuais até 2028. Projeto também pode ampliar o número de funcionários permitidos e atualizar regras do Simples Nacional.


Governo e Congresso avançam em proposta para ampliar limite do MEI

O governo federal negocia com o Congresso Nacional um reajuste no teto de faturamento dos Microempreendedores Individuais (MEIs) que poderá elevar o limite anual dos atuais R$ 81 mil para R$ 140 mil até 2028.

A proposta faz parte de um acordo em construção entre a equipe econômica e o relator do projeto na Câmara dos Deputados, Jorge Goetten (Republicanos-SC), e pode gerar uma renúncia fiscal estimada em R$ 50 bilhões por ano, segundo cálculos do Executivo.

A expectativa é que o novo modelo seja implementado de forma gradual ao longo de dois anos, permitindo uma transição até que o novo teto seja alcançado.


Reajuste é tratado como prioridade pelo governo

O aumento do limite de faturamento é considerado uma das principais pautas do governo para os microempreendedores em 2026.

Segundo integrantes do Executivo, a atualização atende uma demanda antiga da categoria e busca adequar o teto à realidade econômica do país, já que o valor atual permanece congelado há anos enquanto os custos das empresas cresceram.

Hoje, cerca de 17 milhões de brasileiros estão enquadrados na categoria de MEI.

Para o governo, a medida também representa uma importante agenda econômica em ano eleitoral, com amplo apoio entre parlamentares e entidades ligadas ao empreendedorismo.


Projeto prevê contratação de até dois funcionários

Além da ampliação do limite de faturamento, o texto em negociação também prevê mudanças nas regras para contratação de empregados.

Atualmente, o microempreendedor individual pode manter apenas um funcionário registrado.

Pelo acordo em discussão, esse limite passaria para dois empregados, permitindo que pequenos negócios ampliem sua capacidade de operação sem perder o enquadramento no regime simplificado.

De acordo com o relator Jorge Goetten, esse ponto já possui consenso entre o Congresso e o governo.


Simples Nacional ainda é alvo de negociações

Embora exista acordo em relação ao reajuste do teto do MEI, outro ponto segue em negociação: a atualização dos limites do Simples Nacional, regime tributário destinado às micro e pequenas empresas.

Parlamentares defendem que o governo aproveite a proposta para reajustar também os valores de enquadramento dessas empresas.

Entretanto, a equipe econômica ainda demonstra resistência à medida devido ao impacto fiscal adicional.

Segundo o relator, as negociações continuam e há expectativa de construção de um consenso antes da votação.


Atualização automática é defendida pelo relator

Outro ponto incluído no relatório prevê que os limites de faturamento sejam corrigidos automaticamente todos os anos.

A proposta estabelece que os reajustes passem a ocorrer sempre no início de cada ano, utilizando índices oficiais de inflação como referência.

A intenção é evitar que o Congresso precise aprovar novas alterações periodicamente para atualizar os valores do MEI e do Simples Nacional.

Segundo Jorge Goetten, esse mecanismo é considerado essencial para impedir que os limites fiquem novamente defasados ao longo do tempo.


Projeto deve ser votado antes do recesso parlamentar

A expectativa da Câmara dos Deputados é votar a proposta durante a segunda semana de julho, antes do início do recesso parlamentar, previsto para 18 de julho.

O projeto já possui regime de urgência aprovado, permitindo que seja analisado diretamente pelo plenário após a conclusão dos trabalhos da comissão especial.

O governo também prepara o envio de uma proposta própria sobre o tema, que deverá tramitar em conjunto com o texto já em discussão na Câmara.


Debate inclui mudanças para pequenas empresas

Além do reajuste do teto dos microempreendedores, o relator também apresentou outras sugestões voltadas ao setor produtivo.

Entre elas está a possibilidade de conceder isenção temporária da contribuição previdenciária patronal por dois anos para empresas que precisarem ampliar o quadro de funcionários em decorrência de mudanças na jornada de trabalho, caso avance a proposta de redução da escala 6×1.

Segundo o deputado, a medida funcionaria como compensação para minimizar o impacto das novas regras sobre empregadores de pequeno porte.


Governo também prepara o Desenrola MEI

Paralelamente às discussões sobre o novo teto de faturamento, o governo pretende lançar o Desenrola MEI, programa voltado à renegociação de dívidas dos microempreendedores individuais.

A iniciativa faz parte do pacote de medidas voltadas ao fortalecimento dos pequenos negócios e busca facilitar a regularização financeira dos empreendedores, ampliando o acesso ao crédito e incentivando a permanência das empresas na formalidade.

Na próxima quarta-feira (1º), a comissão especial responsável pela análise da proposta realizará uma audiência pública com o ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, além de representantes de confederações nacionais ligadas ao setor empresarial, dando continuidade às discussões antes da votação em plenário.

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