Decisão atende a pedido do Ministério Público, que questiona laudos e abre novas linhas de investigação, incluindo instigação ao suicídio e homicídio
Justiça determina retomada das investigações
Dois anos após a morte do influenciador Paulo Cezar Goulart Siqueira, o PC Siqueira, a Justiça de São Paulo determinou que a Polícia Civil retome as investigações sobre o caso. A decisão atende a um pedido do Ministério Público (MP), que discordou da conclusão do inquérito policial, finalizado em 2025, que apontava suicídio como causa da morte.
A Promotoria levantou dúvidas sobre laudos periciais e depoimentos, defendendo a apuração de outras hipóteses, como instigação ao suicídio ou até homicídio.
Reconstituição do caso será realizada
Como parte das novas diligências, foi marcada para esta terça-feira (20) a reconstituição da morte do influenciador, também chamada de reprodução simulada dos fatos. A medida havia sido solicitada pelo MP e contará com a atuação de peritos da Polícia Científica e agentes da delegacia responsável pelo caso.
A reconstituição ocorrerá no prédio onde PC Siqueira morava, no Campo Belo, Zona Sul de São Paulo, local onde ele foi encontrado morto em 27 de dezembro de 2023, aos 37 anos.
Laudos e depoimentos sob questionamento
O inquérito concluído pelo 11º Distrito Policial (Santo Amaro) manteve a versão de suicídio, com base em laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC), que apontaram asfixia mecânica por enforcamento como causa da morte.
Apesar de terem sido encontrados traços de cocaína e medicamentos no organismo do influenciador, a perícia afirmou que essas substâncias não causaram o óbito.
Os advogados da família, no entanto, afirmam que houve falhas na perícia, ausência de análise de elementos importantes no apartamento e testemunhas que não foram ouvidas.
Novas linhas de investigação
Diante dessas inconsistências, o Ministério Público optou por não pedir o arquivamento do inquérito, procedimento comum em casos de suicídio, e solicitou:
- Novos depoimentos, com possibilidade de acareação
- Perícias complementares
- Apuração de eventual instigação ao suicídio
- Investigação da hipótese de homicídio com simulação de suicídio
Pessoas que tiveram contato com PC Siqueira nas horas anteriores à morte, como a ex-namorada, uma vizinha e o síndico do prédio, devem ser ouvidas novamente.
Depoimentos contraditórios
Segundo relatos colhidos na investigação, PC Siqueira teria se matado na frente da ex-namorada, com quem havia terminado o relacionamento dois dias antes. Ela afirmou à polícia que tentou salvá-lo e saiu para pedir ajuda aos vizinhos.
O MP identificou divergências entre depoimentos, especialmente entre a ex-namorada e uma vizinha que prestou socorro, e solicitou acareação para esclarecer os pontos conflitantes.
A ex-namorada não participará presencialmente da reconstituição, mas sua versão será considerada com base no depoimento já prestado.
Defesa contesta versão de suicídio
Para os advogados da família, a hipótese de suicídio não pode ser tratada como definitiva neste momento.
“A hipótese de suicídio é contestável. Ela pode ter acontecido, sim, mas também pode ter sido outra coisa”, afirmou o advogado Caio Muniz.
Segundo ele, há três caminhos possíveis em análise:
- Suicídio
- Instigação ao suicídio
- Homicídio com simulação de suicídio
O advogado Geraldo Bezerra da Silva Filho afirmou que o Ministério Público considerou pertinentes os questionamentos da defesa e solicitou as novas diligências.
Investigação segue sem suspeitos
Até o momento, as autoridades afirmam que não há suspeitos formalmente identificados nem elementos conclusivos sobre a ocorrência de crime. As investigações seguem em curso, agora com ampliação do escopo e revisão técnica dos elementos já produzidos.
PC Siqueira foi um dos pioneiros da produção de conteúdo digital no Brasil, com grande projeção no YouTube e passagens pela televisão, e sua morte continua cercada de questionamentos e controvérsias que a Justiça agora busca esclarecer.




