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Promotor diz que Morumbis virou “máquina de caça-níqueis” em esquema de camarotes

Promotor afirma que estádio foi usado para favorecer terceiros; Polícia Civil apreende documentos, dinheiro e mira dirigentes ligados ao São Paulo


Operação policial mira esquema em camarotes do estádio

A Polícia Civil de São Paulo realizou, na manhã desta quarta-feira (21), uma operação contra a venda ilegal de camarotes no estádio do Morumbis, casa do São Paulo Futebol Clube. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, com foco em pessoas ligadas à gestão do clube e intermediários envolvidos na exploração irregular de espaços durante grandes eventos.

Entre os alvos estão Douglas Schwartzmann, diretor adjunto das categorias de base do São Paulo, Mara Casares, ex-diretora de eventos e ex-esposa do presidente afastado Julio Casares, além de Rita Adriana, apontada como intermediária na comercialização dos ingressos.


“Gigantesca máquina de caça-níqueis”, diz promotor

Em coletiva após a ação, o promotor de Justiça José Reinaldo Guimarães Carneiro foi categórico ao afirmar que o estádio foi transformado em uma “gigantesca máquina de caça-níqueis”, especialmente no contexto de shows.

Segundo ele, o esquema não beneficiava o São Paulo Futebol Clube, mas sim um grupo restrito de pessoas, enquanto o clube seria, na avaliação do Ministério Público, vítima da situação.

“Os documentos apreendidos mostram que o esquema durou muito mais tempo e envolveu muito mais pessoas do que se imaginava inicialmente”, afirmou o promotor.


Documentos e dinheiro apreendidos

Durante as buscas, a polícia apreendeu diversa documentação, um computador e R$ 28 mil em dinheiro, encontrados em um dos endereços investigados. As autoridades não informaram a quem pertencia o valor.

Douglas Schwartzmann e Rita Adriana não foram encontrados nos locais alvos no momento da operação, mas o Ministério Público afirma que o material recolhido confirma a gravidade e a extensão do esquema.


Show de Shakira está no centro das investigações

O caso ganhou força após a revelação de um esquema envolvendo o camarote 3A, conhecido internamente como “Sala Presidencial”, durante o show da cantora Shakira, realizado em fevereiro de 2025.

Segundo a investigação, o espaço — que não poderia ser comercializado oficialmente — teria sido cedido a uma intermediária, que vendeu ingressos por valores que chegaram a R$ 2,1 mil, com faturamento estimado em R$ 132 mil em uma única apresentação.


Áudios revelam pressão para encerrar ação judicial

A situação veio à tona após uma ação judicial envolvendo a venda dos ingressos, o que acabou expondo o esquema. Em áudios que se tornaram públicos, dirigentes pressionam a intermediária a retirar o processo, alertando para os riscos de o caso chegar ao conhecimento da Justiça e da opinião pública.

Em um dos trechos, há a admissão de ganho pessoal com o repasse dos camarotes. Em outros, surge a preocupação com danos à imagem de dirigentes e do clube.


Crise política e afastamentos no São Paulo

O escândalo levou ao afastamento de Mara Casares, em outubro, e foi um dos elementos que embasaram o processo de impeachment de Julio Casares, aprovado pelo Conselho Deliberativo do São Paulo na última semana. A destituição definitiva ainda depende de votação em assembleia de associados.

O clube informou, por meio de sua assessoria, que é vítima no caso e que vai colaborar integralmente com as investigações.


Força-tarefa acelera apuração

O Ministério Público criou uma força-tarefa para dar celeridade às investigações, que agora apuram não apenas a venda ilegal de camarotes, mas também outros possíveis desvios e irregularidades na gestão do clube.

As defesas dos investigados afirmam que os áudios foram divulgados fora de contexto e negam irregularidades. O espaço segue aberto para manifestações.