Prefeito afirma que capital paulista seguirá acolhendo imigrantes “com carinho” caso novos fluxos ocorram
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) afirmou nesta segunda-feira (5) que espera uma redução na migração de venezuelanos para a capital paulista após a prisão de Nicolás Maduro, mas reforçou que a cidade continuará de portas abertas para acolher quem chegar.
“Espero que não venham, mas se vierem, São Paulo vai receber todos com muito carinho, como sempre fez”, declarou.
Expectativa de queda no fluxo migratório
Segundo Nunes, milhões de venezuelanos deixaram o país nos últimos anos devido à crise política e social. Para o prefeito, o afastamento de Maduro pode diminuir a necessidade de fuga da população.
Atualmente, São Paulo possui 27 mil vagas na rede municipal de acolhimento, com cerca de 21 mil ocupadas, segundo dados apresentados pelo prefeito.
Dignidade humana acima de debates internacionais
O prefeito afirmou que o debate sobre direito internacional não pode se sobrepor ao princípio da dignidade humana. Ele destacou que apenas quem vivenciou uma ditadura consegue compreender os impactos de um regime autoritário.
“Que direito internacional pode ser invocado quando milhões de pessoas são obrigadas a deixar o próprio país para sobreviver?”, questionou.
Rede de acolhimento aos venezuelanos em São Paulo
A Prefeitura de São Paulo informou que mais de mil venezuelanos estão atualmente acolhidos na rede socioassistencial do município, distribuídos em centros exclusivos para estrangeiros, Vilas Reencontro e outros equipamentos públicos.
Além do abrigo, os imigrantes recebem:
- Apoio para regularização migratória
- Acesso a direitos sociais
- Orientação para inclusão social
Em 2025, mais de 1,5 mil venezuelanos foram atendidos em serviços especializados de apoio a imigrantes.
Centro de acolhida segue funcionando após decisão judicial
O Centro de Acolhida Especial para Famílias (CAEF) Ebenezer, que abriga 157 imigrantes, incluindo famílias venezuelanas, permanece em funcionamento após decisão liminar da Justiça.
A prefeitura afirma que a entrada de novos usuários ocorre de forma planejada, como parte da reestruturação da rede de acolhimento.
Organizações sociais alertam para cenário incerto
Entidades da sociedade civil que atuam no acolhimento de refugiados afirmam que o cenário é imprevisível. O fluxo migratório pode se manter estável, aumentar ou até apresentar movimentos de retorno.
Organizações humanitárias alertam que a principal preocupação é a falta de infraestrutura, especialmente de vagas em abrigos, caso haja um novo aumento na chegada de venezuelanos ao Brasil.



