Banca de advocacia afirma que prestou consultoria jurídica ao banco de Daniel Vorcaro entre 2024 e 2025 e diz que nunca atuou em causas no Supremo Tribunal Federal
O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Alexandre de Moraes, divulgou nesta segunda-feira (9) uma nota pública na qual confirma que prestou serviços jurídicos ao Banco Master, instituição controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
No comunicado, o escritório afirma que foi contratado entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 para prestar consultoria jurídica ao banco, mas ressalta que nunca conduziu nenhuma causa da instituição no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF).
A manifestação ocorre em meio às investigações envolvendo Vorcaro, que voltou a ser preso pela Polícia Federal na última semana em São Paulo, suspeito de participação em um esquema bilionário de fraudes financeiras.
Escritório detalha serviços prestados ao Banco Master
Segundo a nota divulgada pela banca, os serviços foram realizados por uma equipe formada por 15 advogados, que também contou com a colaboração de três escritórios especializados em consultoria, todos sob coordenação do escritório Barci de Moraes.
O documento afirma que o trabalho incluiu consultoria jurídica, elaboração de pareceres e revisão de políticas internas do banco, especialmente nas áreas de compliance, governança e regulação do sistema financeiro.
Durante o período do contrato, entre 2024 e 2025, o escritório afirma ter realizado 94 reuniões de trabalho com representantes do Banco Master. Desse total, 79 encontros ocorreram presencialmente na sede da instituição, com duração média de cerca de três horas, voltados à análise de documentos, discussão de questões jurídicas e desenvolvimento das estratégias relacionadas ao contrato.
Outras reuniões ocorreram com a presidência do banco, tanto presencialmente quanto por videoconferência, além de encontros virtuais entre as equipes jurídicas para acompanhamento dos trabalhos.
Entre os resultados do trabalho, o escritório afirma ter produzido 36 pareceres e opiniões legais, abordando temas como questões previdenciárias, contratuais, regulatórias, trabalhistas, de crédito e de proteção de dados.
Consultoria envolveu revisão de políticas e programas de compliance
De acordo com o escritório, uma das principais frentes de atuação envolveu a revisão e implementação de políticas internas relacionadas à integridade corporativa e governança.
Entre os trabalhos citados estão a revisão do programa de compliance e de prevenção à lavagem de dinheiro, além da atualização de documentos institucionais como o Código de Ética e Conduta do banco.
Também foram elaboradas ou revisadas políticas corporativas ligadas a relacionamento com o poder público, conflitos de interesse, licitações e contratos, gestão de riscos, investimentos pessoais e comunicação institucional.
O escritório afirma ainda que participou da estruturação do departamento de compliance do Banco Master, além de prestar consultoria estratégica em temas regulatórios e de mercado financeiro.
Contrato teria valores milionários, segundo reportagem
Apesar de detalhar as atividades realizadas, a nota divulgada pelo escritório não menciona os valores pagos pelo Banco Master.
Reportagem publicada anteriormente pelo blog da jornalista Malu Gaspar, no jornal O Globo, apontou que o contrato teria valor estimado de R$ 3,6 milhões por mês durante 36 meses, com início em janeiro de 2024.
Até a divulgação da nota nesta segunda-feira, nem o escritório nem o ministro Alexandre de Moraes haviam se manifestado publicamente sobre os serviços prestados ao banco.
Dono do Banco Master voltou a ser preso
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, voltou a ser preso na última quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
Segundo os investigadores, a operação apura suspeitas de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, que teriam sido praticados por uma organização criminosa ligada ao esquema.
A nova ordem de prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que passou a relatar o caso recentemente.
Vorcaro já havia sido detido em novembro do ano passado no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, quando tentava embarcar em um avião particular com destino à Europa. Na ocasião, a Polícia Federal afirmou haver indícios de que ele pretendia deixar o país para evitar a investigação.
Mensagens atribuídas a Vorcaro citam Alexandre de Moraes
Dias após a nova prisão do banqueiro, uma reportagem divulgada pelo blog de Malu Gaspar revelou mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro enviadas ao ministro Alexandre de Moraes em novembro de 2025.
Segundo a publicação, os registros foram obtidos a partir da perícia feita pela Polícia Federal em celulares e dispositivos eletrônicos apreendidos com o empresário.
As mensagens teriam sido enviadas poucas horas antes da primeira prisão de Vorcaro. Em parte da conversa, o empresário menciona negociações com investidores e cita preocupações sobre vazamentos de informações envolvendo o banco.
A comunicação do Supremo Tribunal Federal, no entanto, divulgou nota afirmando que Alexandre de Moraes nega que as mensagens tenham sido enviadas diretamente a ele.
Crise financeira levou à liquidação do Banco Master
O caso envolvendo o Banco Master ganhou novos capítulos após o Banco Central do Brasil decretar, em novembro do ano passado, a liquidação extrajudicial da instituição financeira.
A medida ocorreu em meio a preocupações do mercado com o risco de insolvência do banco, que vinha oferecendo produtos financeiros com rentabilidade muito acima da média.
Entre esses produtos estavam Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração elevada, instrumento de renda fixa em que o investidor empresta dinheiro ao banco em troca de juros.
A crise também atingiu outras instituições do mesmo grupo financeiro, como o Will Bank e o Banco Pleno, que também tiveram liquidação decretada.
Tentativas de venda do Banco Master, incluindo negociações com o Banco de Brasília (BRB), não avançaram diante de questionamentos de órgãos de controle, investigações em andamento e falta de transparência nas operações.





















