Volume do principal sistema que abastece a Grande São Paulo registra a maior marca de 2026 após sequência de dias chuvosos
O Sistema Produtor do Alto Tietê (SPAT) apresentou uma recuperação significativa no volume de água armazenada ao longo do mês de janeiro. Após uma sequência de chuvas constantes nas áreas dos reservatórios, o sistema fechou os primeiros 23 dias do ano com 27,9% da capacidade total, segundo dados oficiais da Sabesp.
O índice representa um aumento de 6,2 pontos percentuais em apenas uma semana, configurando o maior volume registrado em 2026 até o momento e interrompendo uma sequência de meses de baixos níveis.
Volume do Sistema Alto Tietê cresce após período de chuvas contínuas
Desde o dia 13 de janeiro, choveu todos os dias nas regiões onde estão localizados os reservatórios que compõem o Sistema Alto Tietê. Como reflexo direto, não houve nenhuma queda no volume do sistema desde 14 de janeiro, fato considerado positivo por especialistas do setor hídrico.
O patamar atual não era alcançado desde novembro de 2025, quando o sistema ainda enfrentava os impactos de um longo período de estiagem. A recuperação observada agora ocorre após oito meses consecutivos de redução nos níveis de armazenamento.
Chuvas acima da média trazem alívio, mas alerta permanece
Apesar da melhora recente, o cenário ainda inspira cautela. No início da semana, o Cemaden apontou que o Sistema Alto Tietê apresenta sinais claros de crise hídrica, destacando que não é possível garantir uma recuperação completa mesmo durante o período chuvoso.
Ainda assim, as precipitações acima do normal registradas em janeiro trazem uma perspectiva mais otimista para o curto prazo, especialmente se o volume de chuvas continuar até o fim do mês.
Janeiro registra quase 75% da média histórica de chuvas
Até esta sexta-feira (23), o sistema acumulou 172,9 milímetros de chuva em janeiro, o que corresponde a 74,5% da média histórica registrada pela Sabesp para o período.
O número chama atenção por ser 49,9% maior do que o volume registrado no mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 115,3 milímetros. O desempenho reforça a expectativa de que o mês possa se aproximar ou até alcançar a média histórica.
Desempenho dos reservatórios mostra sinais de recuperação
O aumento no volume do sistema é resultado direto da recuperação observada em algumas represas estratégicas.
Represa de Biritiba
O reservatório de Biritiba, localizado em Biritiba-Mirim, ultrapassou os níveis registrados no ano passado. A represa superou a marca de 39% de volume útil, algo que não ocorria desde maio de 2025.
Barragem do Rio Jundiaí
Em Mogi das Cruzes, a barragem do Rio Jundiaí também apresentou avanço expressivo. Nesta sexta-feira, o volume chegou a 23,9%, ficando 4,2 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período do ano anterior.
Outras represas ainda abaixo de 2025, mas com melhora gradual
As demais represas que integram o Sistema Produtor Alto Tietê ainda operam abaixo dos índices registrados em 2025, porém apresentam médias mais elevadas em comparação aos últimos meses, indicando uma tendência de recuperação.
A represa de Paraitinga, por exemplo, alcançou 31% de volume útil, marca que não era atingida havia mais de três meses.
Expectativa é de nova elevação até o fim de janeiro
Com a previsão de continuidade das chuvas, técnicos e gestores do sistema trabalham com a expectativa de que o volume do Alto Tietê continue subindo até o encerramento de janeiro. Apesar disso, especialistas reforçam que a recuperação completa depende de um período prolongado de precipitações regulares, e não apenas de episódios isolados.
O cenário atual é considerado positivo, mas ainda exige monitoramento constante e uso consciente da água, especialmente diante do histórico recente de escassez hídrica na região.




