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PF investiga aplicações bilionárias do Rioprevidência no Banco Master e mira dirigentes do fundo

Buscas apuram investimentos considerados de alto risco que podem ter colocado em perigo aposentadorias de servidores do Rio de Janeiro


Operação da PF mira presidente e ex-diretores do Rioprevidência

A Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar aplicações financeiras feitas pelo Rioprevidência no Banco Master, envolvendo valores que se aproximam de R$ 1 bilhão. A ação incluiu mandados de busca e apreensão contra o presidente da autarquia e ex-diretores responsáveis pelos investimentos.

Os alvos são gestores que comandaram decisões financeiras consideradas arriscadas e incompatíveis com a finalidade previdenciária do fundo, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de mais de 235 mil servidores públicos do estado do Rio de Janeiro.


Investigações apontam risco elevado ao patrimônio previdenciário

Segundo as investigações, ao menos nove operações financeiras realizadas entre 2023 e 2024 resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões em letras financeiras emitidas por instituição privada ligada ao Banco Master.

Para os investigadores, essas operações expuseram recursos públicos a risco elevado, sem garantias compatíveis com o perfil conservador exigido para um regime previdenciário.

O entendimento é de que o patrimônio destinado a aposentadorias foi colocado em situação de vulnerabilidade, contrariando princípios básicos de segurança e prudência financeira.


Buscas em residências e na sede da autarquia

A Polícia Federal cumpriu mandados em endereços no Rio de Janeiro, incluindo a residência do presidente do Rioprevidência, localizada na Zona Sul da capital. O dirigente não foi encontrado no local, pois estaria fora do país.

Também foram alvos ex-diretores da área de investimentos, responsáveis diretos pelas aplicações financeiras investigadas. Em uma das residências, os agentes apreenderam dinheiro em espécie, o que será analisado no contexto da investigação.

Além disso, a sede do Rioprevidência, no Centro do Rio, também foi alvo de diligências.


“Barco de papel”: PF compara investimentos a ativos sem lastro

A operação foi batizada de “Barco de Papel”, em referência a ativos financeiros considerados frágeis, com alto risco de crédito e pouca ou nenhuma garantia real em caso de inadimplência.

De acordo com os investigadores, a metáfora ilustra investimentos que parecem atrativos no curto prazo, mas que se desfazem rapidamente diante de qualquer instabilidade, colocando grandes volumes de recursos em perigo.


Alertas do Tribunal de Contas foram ignorados

Antes da ação da Polícia Federal, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro já havia emitido alertas formais sobre graves irregularidades nos aportes feitos pelo Rioprevidência.

O órgão determinou que o fundo interrompesse novos investimentos ligados ao conglomerado do Banco Master, diante de indícios de ausência de transparência, baixa rentabilidade e risco excessivo.

Mesmo assim, parte significativa dos recursos do fundo permaneceu exposta a esses ativos.


Rentabilidade abaixo do mercado reforçou suspeitas

Auditorias apontaram que alguns dos fundos escolhidos para receber os recursos previdenciários tiveram desempenho inferior à poupança e ao CDI, o que reforçou a suspeita de falta de vantajosidade econômica.

Em um dos casos analisados, mais de R$ 1 bilhão foi aplicado em um único fundo, que tinha apenas o Rioprevidência como cotista, levantando questionamentos sobre governança, diversificação e critérios técnicos.

Houve ainda situações em que investimentos perderam dezenas de milhões de reais em poucos dias, o que, para os órgãos de controle, evidencia gestão possivelmente irresponsável.


Impacto direto sobre aposentadorias e pensões

O Rioprevidência administra recursos essenciais para o pagamento de benefícios previdenciários de servidores ativos, aposentados e pensionistas. Por isso, os investigadores avaliam que qualquer prejuízo pode ter impacto direto sobre a sustentabilidade do sistema.

A principal preocupação das autoridades é garantir que o dinheiro destinado às aposentadorias não seja comprometido por decisões financeiras temerárias.

As investigações buscam apurar responsabilidades administrativas, civis e criminais, além de identificar se houve favorecimento indevido, negligência ou dolo nas operações.


Investigação segue e pode avançar para novas fases

A Polícia Federal segue analisando documentos, contratos e movimentações financeiras apreendidas durante a operação. O material será cruzado com relatórios técnicos, alertas ignorados e comunicações internas da autarquia.

Dependendo do avanço das apurações, novas fases da investigação não estão descartadas, incluindo pedidos de bloqueio de bens, afastamento de dirigentes e eventual responsabilização judicial dos envolvidos.