Presidente dos EUA compartilha mensagens vazadas, imagens geradas por IA e reacende tensão com aliados europeus e a Otan
Trump endurece discurso e não descarta uso da força
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que “não há volta” em seu objetivo de assumir o controle da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca e integrante da área de segurança da Otan. A declaração foi feita após conversas com o secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte, e ocorre em meio a uma reação cada vez mais dura de líderes europeus.
“A Groenlândia é imperativa para a segurança nacional e mundial. Não há como voltar atrás — e todos concordam com isso”, disse Trump, mantendo o tom confrontacional que marcou suas manifestações sobre o tema.
Mensagens vazadas e imagens de IA ampliam crise diplomática
Trump publicou mensagens privadas, incluindo trocas com o presidente da França, Emmanuel Macron, além de imagens geradas por inteligência artificial que o mostram na Groenlândia segurando a bandeira dos Estados Unidos. Outra montagem exibiria um mapa em que Canadá e Groenlândia aparecem como parte do território americano.

As postagens aumentaram a tensão com aliados históricos e colocaram em xeque a coesão da Otan, pilar da segurança ocidental nas últimas décadas.
A mensagem completa de Macron para Trump que foi vazada diz: “Meu amigo, estamos totalmente alinhados em relação à Síria, nós podemos fazer grandes coisas no Irã, eu não entendo o que você está tentando fazer com a Groenlândia. Vamos tentar construir coisas grandes: 1) Eu posso montar uma reunião do G7 após Davos em Paris na quinta-feira a tarde. Eu posso convidar os ucranianos, os dinamarqueses, os sírios e os russos. 2) Vamos ter um jantar juntos em Paris na tarde de quinta antes de você retornar para os Estados Unidos. Emmanuel”

Macron responde Trump em Davos
Em meio às repercussões internacionais, o presidente francês Emmanuel Macron fez um alerta contra o que chamou de “ambições imperiais” e criticou a condução da política externa dos Estados Unidos durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos. Sem citar Trump diretamente, Macron afirmou que o mundo caminha para um cenário “sem regras”, regido pela lei do mais forte, e disse que a Europa está pronta para reagir a ameaças à sua soberania, inclusive com o uso de instrumentos comerciais do bloco para retaliar pressões externas.
Europa avalia retaliação comercial contra os EUA
A ofensiva política de Trump também reacendeu o temor de uma nova guerra comercial transatlântica. A União Europeia estuda a aplicação de tarifas sobre até 93 bilhões de euros em importações americanas, além da possível ativação do Instrumento Anticoerção, mecanismo que permitiria restringir acesso de empresas dos EUA a contratos públicos, investimentos e serviços financeiros.
Apesar disso, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, tentou minimizar a crise e criticou o que chamou de “histeria” em torno da Groenlândia. “É cedo demais. Não há motivo para pânico”, afirmou durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.
Dinamarca reage e fala em ameaça à soberania
Em Copenhague, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, alertou o Parlamento de que “o pior ainda pode estar por vir”. Segundo ela, embora negociações políticas e econômicas sejam possíveis, a soberania nacional não está em discussão.
“Não podemos negociar nossos valores fundamentais: soberania, identidade nacional, fronteiras e democracia”, declarou a premiê dinamarquesa.
Líderes europeus defendem ‘nova independência’ do continente
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou em Davos que a atual crise representa uma oportunidade — e uma necessidade — de construir uma “Europa mais independente” no campo estratégico, econômico e de segurança.
“A mudança sísmica que estamos vivendo é permanente. Precisamos reconhecê-la para agir”, disse.
Rússia questiona soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia
A crise também despertou reações da Rússia. O chanceler Sergei Lavrov afirmou que a Groenlândia “não é uma parte natural da Dinamarca”, classificando a relação como fruto de uma conquista colonial — embora tenha negado qualquer interesse russo direto no território.
As declarações ocorrem em um momento de instabilidade nos mercados globais, com queda das bolsas, alta do ouro e aumento da aversão ao risco, impulsionados pelo temor de um conflito geopolítico prolongado entre Estados Unidos e Europa.
Matéria feita com informações da Reuters.




