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Em ligação telefônica, Lula e Xi articulam cooperação global e defendem protagonismo de países emergentes

Líderes discutem cooperação estratégica, multilateralismo e cenário internacional marcado por tensões geopolíticas


Conversa entre Lula e Xi Jinping ocorre em meio a instabilidade global

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o presidente da China, Xi Jinping, em um momento de crescentes tensões geopolíticas e disputas pelo protagonismo internacional. A ligação, que durou cerca de 45 minutos, teve como foco o fortalecimento da cooperação entre Brasil e China e a defesa dos interesses do Sul Global.

Durante o diálogo, os dois líderes ressaltaram a necessidade de ações conjuntas diante de um cenário internacional instável, marcado por conflitos, disputas de poder e questionamentos sobre o papel das instituições multilaterais.


Defesa do Sul Global e da ordem multilateral

Xi Jinping destacou que Brasil e China compartilham responsabilidades globais, especialmente no apoio aos países emergentes e em desenvolvimento. Segundo o líder chinês, as duas nações devem atuar de forma coordenada para:

  • Proteger os interesses do Sul Global
  • Promover maior equidade internacional
  • Defender o multilateralismo
  • Reforçar o papel central da Organização das Nações Unidas (ONU)

Para Xi, a cooperação entre Pequim e Brasília é fundamental para a construção de uma ordem internacional mais justa, baseada no diálogo e no respeito ao desenvolvimento soberano dos países.


China reforça laços com América Latina e Caribe

Durante a conversa, Xi Jinping afirmou que a China está disposta a seguir como parceira estratégica da América Latina e do Caribe, reforçando relações diplomáticas, comerciais e políticas com a região.

O presidente chinês defendeu a ampliação da cooperação mutuamente benéfica em diversas áreas, incluindo infraestrutura, agricultura, energia e tecnologia, além de reiterar o compromisso de longo prazo com os países do Sul Global.

A relação sino-brasileira foi apontada como um pilar importante dessa estratégia de integração regional e global.


Lula anuncia isenção de vistos para cidadãos chineses

Durante o contato, Lula comunicou que o Brasil concederá isenção de vistos de curta duração para algumas categorias de cidadãos chineses, em um gesto de reciprocidade à medida adotada pela China desde 2025.

A iniciativa é vista como um passo importante para estimular o turismo, os negócios e o intercâmbio cultural, além de fortalecer os laços diplomáticos entre os dois países.


Ligação ocorre em meio a debates sobre papel da ONU

A conversa entre Lula e Xi aconteceu no mesmo dia em que os Estados Unidos anunciaram a criação de um novo conselho internacional voltado à mediação de conflitos, iniciativa que gerou críticas e levantou preocupações sobre um possível esvaziamento do papel da ONU.

Diante desse contexto, Brasil e China reforçaram a defesa das Nações Unidas como principal fórum legítimo para a governança global, especialmente em temas como segurança internacional, mediação de conflitos e cooperação humanitária.


Xi Jinping afirmou que Brasil e China devem atuar como forças construtivas na preservação da paz mundial, contribuindo para o fortalecimento da governança global e para a redução de desigualdades entre países ricos e emergentes.

A parceria estratégica entre os dois países, segundo Xi, representa um exemplo de solidariedade entre nações do Sul Global, capaz de influenciar debates globais sobre desenvolvimento, economia e estabilidade internacional.


Parceria estratégica e cooperação de longo prazo

A relação entre Brasil e China vem sendo aprofundada nos últimos anos por meio de acordos estratégicos voltados à infraestrutura, agricultura, transição energética e inovação tecnológica.

Os dois líderes reafirmaram o compromisso de manter o diálogo político de alto nível, ampliar a cooperação econômica e atuar conjuntamente em fóruns internacionais, como o G20 e a própria ONU.

A ligação reforça o alinhamento entre Brasília e Pequim em defesa do multilateralismo, da soberania dos países emergentes e de uma governança global mais equilibrada.