Ofensiva iraniana atinge Israel, bases ligadas aos Estados Unidos e embarcações no Estreito de Ormuz enquanto autoridades discutem possível ausência do país na Copa de 2026.
A guerra entre Irã, Israel e os Estados Unidos ganhou novos capítulos nesta quarta-feira (11), após autoridades iranianas afirmarem ter lançado uma operação militar de “extrema intensidade”, com disparos de mísseis contra alvos israelenses e instalações americanas na região.
Além dos ataques aéreos, navios cargueiros foram atingidos nas proximidades do estratégico Estreito de Ormuz, enquanto a escalada militar começa a provocar reflexos em outras áreas — inclusive no futebol internacional, com autoridades iranianas questionando a participação do país na próxima Copa do Mundo FIFA de 2026.
Irã afirma ter realizado sua ofensiva mais intensa da guerra
Segundo a mídia estatal iraniana, a Guarda Revolucionária Islâmica afirmou ter realizado o ataque mais pesado desde o início do conflito. A ofensiva teria incluído lançamentos de diversos mísseis, entre eles o míssil balístico de longo alcance Khorramshahr, direcionados a alvos militares em Israel e também a instalações ligadas aos Estados Unidos no Oriente Médio.
Em comunicado divulgado pela televisão estatal iraniana, o órgão militar afirmou que pretende manter as operações.
“Continuaremos nossos ataques sustentados com propósito e força. Pensamos apenas na rendição completa do inimigo”, afirmou a Guarda Revolucionária.
O comunicado também declarou que a guerra só terminará quando, segundo o regime iraniano, “a sombra da guerra for removida do país”.
No território israelense, sirenes de alerta foram acionadas em regiões centrais após o lançamento dos mísseis, segundo as Forças de Defesa de Israel. Até o momento, não há relatos confirmados de vítimas.
Pentágono diz que guerra continuará até derrota do inimigo
Em resposta à escalada militar, autoridades americanas reforçaram que não pretendem recuar no conflito.
Durante coletiva no Pentágono na terça-feira (10), o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o país seguirá atuando até que o adversário seja derrotado.
Segundo ele, os Estados Unidos continuarão as operações militares “até que o inimigo seja total e decisivamente derrotado”, acrescentando que o avanço da guerra ocorrerá conforme o cronograma estabelecido por Washington.
Ataques atingem navios no Estreito de Ormuz
A escalada do conflito também atingiu o tráfego marítimo internacional. Três navios cargueiros foram atingidos por projéteis nesta quarta-feira nas proximidades do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo.
De acordo com a UK Maritime Trade Operations (UKMTO), órgão britânico que monitora a segurança marítima na região, um dos navios relatou ter sido atingido por um “projétil desconhecido” enquanto navegava próximo a Dubai.
A tripulação permaneceu segura e não houve registro de poluição ambiental.
Outro cargueiro precisou ser evacuado após pegar fogo ao norte da Península de Musandam, em Omã, enquanto uma terceira embarcação sofreu danos na costa dos Emirados Árabes Unidos.
Segundo balanço da autoridade marítima britânica, ao menos 13 embarcações já foram atacadas na região desde o início da guerra.
Origem do conflito: morte do líder supremo do Irã
O conflito atual teve início em 28 de fevereiro, quando uma operação militar conjunta de Estados Unidos e Israel atingiu alvos em Teerã e resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
Além da morte do líder político e religioso, autoridades iranianas afirmam que diversos integrantes de alto escalão do regime também foram mortos nos ataques.
Washington declarou que a ofensiva destruiu navios militares, sistemas de defesa aérea e aeronaves do país, além de outras instalações consideradas estratégicas.
Desde então, o Irã respondeu com ataques contra alvos ligados aos Estados Unidos e a Israel em vários países do Golfo, incluindo:
- Arábia Saudita
- Catar
- Bahrein
- Kuwait
- Jordânia
- Iraque
Segundo autoridades iranianas, os ataques miram apenas interesses militares ou estratégicos ligados a Israel e aos Estados Unidos nesses países.
Número de vítimas continua aumentando
Organizações de monitoramento de direitos humanos afirmam que mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início da guerra, de acordo com a Human Rights Activists News Agency, sediada nos Estados Unidos.
Por outro lado, a Casa Branca informou que ao menos sete soldados americanos morreram em ataques iranianos durante o conflito.
Especialistas alertam que a intensificação dos ataques aumenta o risco de uma guerra regional mais ampla, envolvendo outras nações do Oriente Médio.
Guerra pode afetar participação do Irã na Copa do Mundo
A escalada militar também começa a provocar impactos no esporte internacional.
O ministro do Esporte do Irã, Ahmad Donyamali, afirmou que o país não pode participar da Copa do Mundo FIFA de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá.
Segundo o ministro, a presença da seleção seria incompatível com o atual cenário de guerra, especialmente após a morte do líder supremo iraniano.
“Considerando que esse regime assassinou nosso líder, em nenhuma circunstância podemos participar da Copa do Mundo”, afirmou Donyamali em entrevista à televisão estatal.
Ele também afirmou que o país enfrenta um cenário de insegurança interna e que milhares de iranianos foram mortos nos conflitos recentes.
Grupo do Irã no Mundial de 2026
No sorteio realizado em dezembro, a seleção iraniana foi colocada no Grupo G do torneio, ao lado de:
- Seleção da Bélgica
- Seleção do Egito
- Seleção da Nova Zelândia
As três partidas do grupo estavam programadas para ocorrer em cidades dos Estados Unidos, incluindo Los Angeles e Seattle.
O Irã também foi o único país ausente em uma cúpula de planejamento organizada pela FIFA na cidade de Atlanta, realizada na semana passada com as seleções classificadas.
Até o momento, a entidade máxima do futebol mundial ainda não anunciou uma decisão oficial sobre a situação da equipe iraniana no torneio.



















































