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Estudantes mantêm bloqueios em Paris e cobram investimentos nas escolas públicas

Mobilização chega à quarta semana na França, com reivindicações contra cortes na educação e falta de professores; governo anunciou reforço de 3 mil docentes substitutos.


Estudantes franceses voltaram a bloquear ruas próximas à Escola Secundária Hélène Boucher, em Paris, nesta sexta-feira (16), durante manifestações por melhores condições na rede pública de ensino. Os participantes cobram mais recursos para a educação e medidas contra a falta de professores.

Os protestos chegam à quarta semana e passaram a contar também com a participação de universitários. Os manifestantes afirmam que os cortes orçamentários agravaram os problemas enfrentados pelas escolas.

A polícia francesa atuou para dispersar participantes que bloqueavam uma unidade de ensino na capital. A mobilização continua após o governo anunciar o envio de 3 mil professores substitutos para escolas com maior necessidade de profissionais.


Manifestantes reivindicam melhores condições de ensino

As manifestações têm como principais reivindicações o aumento dos investimentos na educação pública, a presença de professores nas salas de aula e melhorias nas condições de funcionamento das escolas.

Os estudantes protestam contra a ausência de docentes sem substituição e contra os cortes no orçamento do setor. O movimento, inicialmente concentrado no ensino médio, recebeu a adesão de estudantes universitários.

Nesta sexta-feira, os bloqueios continuaram nas proximidades da escola Hélène Boucher. Os participantes cobram que os anúncios do governo sejam acompanhados de medidas concretas nas unidades de ensino.


Quase 10% das horas letivas ficam sem professores

Segundo dados do Ministério da Educação da França, quase 10% das horas letivas nas escolas secundárias públicas não contam com professores.

A ausência de profissionais e a falta de substitutos estão entre as reclamações dos estudantes. As reivindicações incluem a cobertura das aulas que deixam de ser ministradas quando os docentes titulares precisam se afastar.

A situação também tem levado famílias com maior renda a transferir os filhos da rede pública para instituições privadas, conforme relato da Reuters.


Governo anunciou 3 mil professores substitutos

O ministro da Educação francês, Edouard Geffray, anunciou na quinta-feira da semana passada, 8 de outubro, que o governo disponibilizaria 3 mil professores substitutos adicionais.

A declaração foi feita em entrevista à televisão, após mais um dia de manifestações de estudantes do ensino médio em diferentes cidades francesas.

Segundo o ministro, os profissionais seriam direcionados a aproximadamente 500 escolas secundárias identificadas como as mais necessitadas. A distribuição utilizaria um novo sistema disponibilizado on-line pelo Ministério da Educação.

Geffray também anunciou mais recursos para um programa de horas extras, destinado a professores que aceitem assumir aulas para cobrir a ausência de outros profissionais.


Estudantes cobram recursos e resultados nas escolas

Representantes estudantis afirmaram que aguardam a execução das medidas anunciadas pelo governo.

Nathanaël Combary, representante do sindicato Renouveau Lycéen, declarou que parte dos anúncios corresponde às exigências dos estudantes, mas afirmou que os participantes querem verificar a aplicação dos recursos e os resultados nas escolas.

Já Sabrine Kharbach, da União dos Estudantes, defendeu a destinação de 10 bilhões de euros para a educação e afirmou que a entidade pretende continuar com as mobilizações enquanto a reivindicação não for atendida.

O ministro da Educação também prometeu considerar as reclamações dos estudantes nas discussões sobre o orçamento estatal de 2027.


Mobilização de 8 de outubro reuniu 71 mil pessoas

Na quinta-feira, 8 de outubro, cerca de 71 mil pessoas participaram de manifestações em todo o país. Desse total, aproximadamente 24 mil se reuniram na região da Bastilha, em Paris.

A jornada foi denominada pelos sindicatos de Quarto Ato do movimento estudantil. Durante os protestos na capital, a polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar grupos que lançaram paralelepípedos e fogos de artifício contra os agentes.

Também foram registrados episódios em outras cidades. Em Bordeaux, uma escola secundária foi saqueada. Em Marselha, um vice-diretor foi agredido.


Governo registrou mais de 6,8 mil prisões até a semana passada

Em balanço divulgado na semana passada, o governo francês informou que 6.877 pessoas haviam sido presas desde o início das manifestações.

Segundo as autoridades, 86% dos detidos tinham menos de 18 anos. Os números foram apresentados durante a terceira semana de mobilização e antecedem os bloqueios registrados nesta sexta-feira.

Na sexta-feira passada, 9 de outubro, aproximadamente 140 das 3,5 mil escolas secundárias francesas estavam total ou parcialmente fechadas, conforme os dados publicados pela BBC.


Protestos continuam após anúncio de reforço nas escolas

Uma semana depois do anúncio dos professores substitutos, estudantes mantiveram os bloqueios em Paris e a cobrança por investimentos na rede pública.

As reivindicações seguem concentradas na reposição de professores ausentes, na melhoria das condições das escolas e no aumento dos recursos para o ensino secundário.

O governo anunciou o reforço de profissionais e de verbas para horas extras, enquanto representantes estudantis mantêm a exigência de novos investimentos e da implementação das medidas nas unidades de ensino.