Presidente dos Estados Unidos afirmou que conversará com o brasileiro em breve; Lula havia declarado em setembro que pediu a Washington que não interferisse na votação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar a eleição presidencial brasileira nesta quinta-feira (29) e afirmou que não tomou partido durante a campanha a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em declaração a jornalistas, Trump classificou a eleição como “uma grande vergonha para o povo do Brasil”, mas disse que pretende conversar com Lula em breve.
Segundo a CNN Brasil, até a atualização da reportagem nesta quinta-feira, o governo americano não havia parabenizado Lula nem reconhecido oficialmente sua vitória na disputa pela reeleição.
A manifestação ocorre após outras duas declarações semelhantes de Trump nos últimos dias sobre o resultado das eleições brasileiras.
Trump atribui ausência de apoio eleitoral a pedido de Lula
Ao ser questionado por jornalistas, o presidente americano afirmou que acompanhou a votação e que optou por não apoiar um lado durante a campanha.
“Eu assisti à eleição. Não tomei partido. Deixei como estava. Fui orientado a não tomar partido pelo presidente, o atual presidente”, declarou, em referência a Lula.
Na mesma resposta, Trump voltou a criticar o que ocorreu no Brasil e mencionou o comportamento do mercado financeiro como argumento para sua avaliação.
“Quando vi o que aconteceu no Brasil, foi uma desgraça. Bem, o mercado diz isso. Quer dizer, o mercado deles despencou”, afirmou o presidente americano.
A declaração sobre o mercado foi apresentada por Trump durante sua resposta à imprensa. Ele também afirmou que conversará com Lula, sem informar uma data para o contato.
Lula já havia relatado pedido de não interferência
Em entrevista à âncora da CNN Christiane Amanpour, em setembro, Lula afirmou que havia pedido a Trump que os Estados Unidos não interferissem nas eleições brasileiras.
Na ocasião, o presidente brasileiro também disse que o americano havia comunicado a intenção de permanecer fora da disputa.
“Ele já disse para muita gente, para muita gente, sabe, que ele não vai se envolver nas eleições brasileiras. E é bom que seja assim”, declarou Lula.
O petista acrescentou que esse era o comportamento que esperava de um presidente da República e afirmou adotar a mesma postura em relação às eleições de outros países.
Durante a entrevista, Lula defendeu que a escolha do presidente dos Estados Unidos cabe aos americanos e que o resultado das eleições brasileiras é uma decisão dos brasileiros.
Presidente brasileiro citou relação diplomática com os EUA
Ao explicar o pedido feito a Trump, Lula mencionou a relação diplomática entre os dois países e afirmou que uma interferência eleitoral poderia prejudicá-la.
“Eu já disse ao presidente Trump, é o seguinte, é muito importante que os Estados Unidos não se metam nas eleições do Brasil”, afirmou na entrevista de setembro.
O presidente brasileiro citou os 203 anos de relações diplomáticas, classificou os vínculos como sólidos e disse que o Brasil não é um país contrário aos Estados Unidos.
Lula também descreveu a relação bilateral como “sofisticada” e reiterou que não interfere nas eleições americanas.
A declaração apresentada por Trump nesta quinta-feira retoma esse pedido, ao atribuir sua decisão de não tomar partido na campanha à conversa com o presidente brasileiro.
Abin alertou para possibilidade de influência americana
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) enviou, no fim de agosto, um relatório sobre a possibilidade de influência dos Estados Unidos nas eleições de outubro.
O documento foi encaminhado ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo a avaliação da agência, a possibilidade de interferência havia aumentado para um “nível de criticidade”.
O relatório citou documentos do governo americano produzidos entre novembro de 2025 e maio de 2026.
Na análise enviada às autoridades brasileiras, a Abin apontou uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e uma “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA”.




































































































































































































































