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Conselho do MPF decide se atuação de Gonet no caso Master deve ser investigada

Análise ocorre após referências ao procurador-geral em mensagens de Daniel Vorcaro e divulgação de foto dos dois em Londres; Gonet nega proximidade com o banqueiro.


O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decide nesta sexta-feira (25) se há elementos suficientes para aprofundar uma apuração sobre a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no caso Banco Master. O procedimento tem como ponto de partida referências ao chefe do MPF em mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro.

Os nove integrantes responsáveis pela análise vão avaliar se o material justifica novas diligências ou se o procedimento deve ser arquivado. A discussão envolve a condução das investigações sobre a instituição financeira e questões relacionadas à prisão de Vorcaro.

A reunião acontece em meio ao desgaste provocado pela divulgação de uma fotografia de Gonet ao lado do banqueiro em uma confraternização em Londres, no Reino Unido. O procurador-geral nega ter mantido relação de proximidade com o empresário e classificou o contato entre eles como “brevíssimo e banal”.


Conselho avalia se há elementos para aprofundar a apuração

A decisão do Conselho Superior vai definir o encaminhamento das referências a Gonet encontradas nas mensagens relacionadas ao caso Master. O ponto central é determinar se existem indícios que justifiquem uma análise mais aprofundada da atuação do procurador-geral.

O procedimento coloca sob avaliação sua atuação na condução das apurações sobre o banco e na prisão de Vorcaro. Os conselheiros deverão examinar o material apresentado e decidir se há fundamento para dar continuidade à apuração.

O caso é inédito no colegiado, que terá de deliberar sobre referências ao próprio chefe do Ministério Público Federal. A sessão, no entanto, não corresponde a um julgamento criminal nem estabelece, antecipadamente, a existência de irregularidades.

Se a maioria entender que os elementos disponíveis são insuficientes para justificar o prosseguimento, o procedimento poderá ser arquivado. Caso prevaleça a posição favorável ao aprofundamento, um subprocurador-geral será escolhido para examinar os dados.


Eventual investigação no STF depende de novas etapas

Uma decisão pela continuidade da apuração não significa a abertura automática de um inquérito no Supremo Tribunal Federal. O rito prevê uma análise prévia dentro do Ministério Público Federal.

Se autorizado pelo Conselho, um subprocurador-geral da República ficará responsável por verificar a possível existência de crime a partir do material disponível. Ao concluir o trabalho, deverá apresentar um relatório ao colegiado.

Caso sejam identificados indícios de crime, os fatos serão encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá sobre a eventual abertura de um inquérito.

A votação desta sexta-feira, portanto, trata da existência de elementos para avançar no exame do caso. A conclusão sobre possíveis desdobramentos criminais depende das etapas seguintes e da avaliação das autoridades responsáveis.


Foto em Londres aumentou desgaste de Gonet no MPF

Desde que as primeiras referências ao seu nome foram divulgadas, em julho, Gonet vinha reunindo apoio entre subprocuradores e outros integrantes do Ministério Público Federal.

O cenário interno mudou após a publicação de uma fotografia em que o procurador-geral aparece próximo ao dono do Banco Master em Londres. A imagem intensificou críticas e ampliou a pressão sobre o chefe do MPF.

No registro, Vorcaro está sentado perto de Gonet, que segura um charuto. À frente dos participantes, há uma mesa com copos de uísque. A fotografia teria sido tirada em 2024, após a participação em um evento na capital britânica.

O arquivo foi enviado pelo advogado Ciro Soares em junho de 2025. A data atribuída ao encontro, portanto, é anterior ao momento em que a imagem foi compartilhada.

A divulgação do registro acrescentou um novo elemento à repercussão do caso. A avaliação sobre a necessidade de aprofundar a apuração, contudo, caberá ao Conselho a partir do conjunto de informações submetido à análise.


Procurador-geral nega proximidade com Daniel Vorcaro

Antes da divulgação da fotografia, Gonet afirmou que não teve relacionamento de proximidade com o banqueiro. Ao comentar a ligação entre os dois, sustentou que o contato foi breve e sem maior relevância.

A manifestação ocorreu em resposta à repercussão das referências ao seu nome. A posição apresentada pelo procurador-geral é de que não havia uma relação próxima com o proprietário do Banco Master.

A declaração e a fotografia passaram a ocupar o centro das discussões internas. O Conselho deverá avaliar se as mensagens e os demais elementos disponíveis oferecem fundamento para a continuidade do procedimento.


Aliados apostam em arquivamento do procedimento

Apesar das críticas e do desgaste, aliados de Gonet acreditam que a maioria do Conselho Superior deverá votar pelo arquivamento. A avaliação é de que a repercussão do caso não será suficiente para formar uma maioria favorável ao aprofundamento da apuração.

Essa expectativa, porém, não representa uma decisão antecipada. O resultado dependerá das manifestações e dos votos apresentados durante a reunião.

Entre os conselheiros mais críticos à atual gestão, a expectativa é de que o procurador-geral seja alvo de questionamentos ao longo da sessão. Mesmo que o arquivamento prevaleça, a análise poderá abrir espaço para cobranças sobre os fatos discutidos no procedimento.


Nicolao Dino vai comandar a sessão do Conselho

A reunião será presidida pelo subprocurador-geral da República Nicolao Dino, vice-presidente do Conselho Superior do MPF. Gonet não deve comparecer, embora ocupe a presidência do colegiado.

O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, participará da votação. Após a abertura da sessão, o relator do procedimento, Francisco Sanseverino, terá a palavra para apresentar o caso.

Na sequência, a votação será aberta aos conselheiros, do mais novo para o mais antigo.

Ao final, o colegiado deverá definir se as referências a Gonet serão arquivadas ou se haverá a designação de um subprocurador-geral para aprofundar a análise, com possibilidade de encaminhamento ao STF caso sejam identificados indícios de crime.