Obama afirma que eleitores querem uma política de união, enquanto governos avaliam possíveis efeitos sobre comércio, segurança e clima; Japão e Taiwan defendem continuidade das relações com Washington.
A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3), provocou reações de governos, lideranças políticas e representantes de instituições internacionais. O partido conquistou a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, alterando o equilíbrio de forças no Congresso para os dois últimos anos do mandato de Donald Trump.
As manifestações abordaram possíveis consequências para relações diplomáticas, comércio internacional, segurança, conflitos e políticas ambientais. Enquanto algumas autoridades comemoraram o resultado, outras destacaram a importância de preservar a cooperação com Washington independentemente do partido no comando do Legislativo.
Nos Estados Unidos, o ex-presidente Barack Obama afirmou que a votação expressou o desejo por lideranças capazes de unir a população. Na Europa, representantes de governos e do Parlamento Europeu relacionaram o avanço democrata às discussões sobre Ucrânia, transição energética e custo de vida.
Obama diz que eleitores querem união e soluções concretas
O ex-presidente Barack Obama avaliou que o resultado das eleições enviou uma mensagem sobre o tipo de atuação política esperado pelos americanos.
Em publicação no X, ele afirmou que os eleitores querem uma política que aproxime as pessoas e líderes que apresentem respostas para os problemas enfrentados pela população.
“Esta noite, o povo americano enviou uma mensagem clara: eles querem uma política que una as pessoas, em vez de dividi-las”, escreveu.
Obama atribuiu o desempenho democrata à diversidade de candidatos lançados pelo partido, inclusive em regiões nas quais as chances de vitória eram consideradas pequenas. Segundo ele, apesar das diferentes origens e posições políticas, essas candidaturas compartilhavam valores e compromisso com o serviço público.
O ex-presidente também defendeu que os democratas utilizem os espaços conquistados para promover mudanças e conter medidas do governo que considerem prejudiciais. Trump permanece na Presidência até janeiro de 2029, enquanto a nova composição do Congresso assume em janeiro de 2027.
Pedro Sánchez associa resultado à rejeição ao ódio e à desigualdade
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, comemorou a vitória democrata e apresentou o resultado como uma rejeição a políticas que, em sua avaliação, aumentam as dificuldades econômicas da população.
Na publicação, Sánchez afirmou que os americanos votaram contra o ódio, o sexismo, a negação das mudanças climáticas e os privilégios das elites.
O premiê também relacionou a eleição americana ao cenário político brasileiro e às suas expectativas para a Espanha.
“Isso aconteceu no Brasil. Acabou de acontecer nos EUA. E vai acontecer em breve na Espanha”, declarou.
Noruega vê aproximação em clima e política externa
O primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, descreveu o resultado como um sinal de mudança de direção entre os eleitores americanos.
Em declaração à Reuters, afirmou que o avanço democrata fortalece vozes com posições mais próximas das defendidas pelo governo norueguês.
Entre os temas mencionados estão clima, meio ambiente, política externa e ajuda ao desenvolvimento. A avaliação do premiê se concentrou nas possibilidades de aproximação política decorrentes da nova composição do Congresso.
Presidente da África do Sul fala em nova fase internacional
O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, afirmou que a vitória democrata poderá marcar uma nova etapa nas relações internacionais.
Ao comentar o resultado com jornalistas, destacou a conquista das duas Casas do Congresso e disse que a população americana havia expressado sua posição nas urnas.
“Vimos que os democratas assumiram o controle do Senado e da Câmara, e o povo norte-americano se manifestou”, declarou.
Ramaphosa apresentou a expectativa de uma “nova era nas relações internacionais”, sem anunciar, nessa manifestação, mudanças específicas na relação bilateral com os Estados Unidos.
Parlamento Europeu cita Ucrânia e transição verde
A vice-presidente do Parlamento Europeu, Christel Schaldemose, afirmou que o resultado pode favorecer o apoio à Ucrânia, a transição verde e as relações dos Estados Unidos com outros países.
Ela ponderou, porém, que a vitória democrata não significa uma melhora automática em todos os temas.
Schaldemose também defendeu que a União Europeia mantenha o esforço de fortalecimento de sua própria capacidade de atuação, independentemente das mudanças políticas americanas.
Já Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, classificou o resultado como uma derrota expressiva para Trump e suas políticas. Em sua avaliação, a votação representou uma vitória da democracia americana.
França acompanha próximos passos de Trump
O ministro das Finanças da França, Roland Lescure, afirmou que será necessário observar como Trump reagirá à perda da maioria no Congresso.
Em entrevista ao canal BFM, apresentou a possibilidade de o presidente reconhecer a necessidade de mudanças, especialmente em questões que afetam diretamente a população, como os preços da gasolina.
Lescure também mencionou uma eventual moderação do envolvimento internacional americano. Segundo ele, a direção adotada pelo governo deverá ser acompanhada nos próximos dias.
Rússia mantém críticas à liderança democrata
O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, adotou uma posição de cautela e afirmou que aguardaria os resultados finais.
Em declaração à agência estatal RIA, disse que a abordagem da liderança democrata em relação à Rússia é “extremamente negativa”.
Ryabkov afirmou que o governo russo continuará trabalhando de acordo com as orientações do presidente do país, sem indicar uma mudança de posição em razão da eleição americana.
Japão e Taiwan defendem continuidade da cooperação
No Japão, o secretário-chefe do gabinete, Minoru Kihara, afirmou que a aliança com os Estados Unidos permanece como um dos fundamentos da política externa e de segurança japonesa.
Segundo ele, o vínculo bilateral é essencial para os interesses nacionais do Japão e para a estabilidade internacional, independentemente do resultado das eleições.
Taiwan também enfatizou a continuidade das relações. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que sua política para os Estados Unidos se baseia na imparcialidade partidária e na construção de apoio amplo.
A pasta informou que pretende aprofundar a cooperação em segurança, comércio, tecnologia e educação, mantendo o diálogo com o Congresso, o Executivo e os governos locais americanos.
Irã relaciona votação à oposição à guerra
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, interpretou o resultado como uma manifestação dos americanos contra a guerra.
Em publicação no X, afirmou que o Irã endossa essa mensagem e advertiu o governo dos Estados Unidos contra decisões que, em sua avaliação, contrariem a vontade dos eleitores.
A declaração incluiu uma ameaça de reação caso Washington adote esse caminho. A manifestação apresentou a interpretação política do dirigente iraniano sobre a votação.
Lideranças da direita europeia citam conflitos e custo de vida
A colíder do partido alemão de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), Alice Weidel, relacionou a derrota republicana à política externa de Trump.
Segundo ela, o presidente havia prometido evitar uma atuação intervencionista, e o descumprimento dessa promessa teria contribuído para o resultado.
Na Itália, Matteo Salvini, líder da Liga, afirmou que o voto dos americanos deve ser respeitado e compreendido. Ele atribuiu o desempenho republicano principalmente às guerras, às tensões internacionais e ao aumento do custo de vida.
Salvini também manifestou a expectativa de que a eleição contribua para o encerramento de conflitos e a retomada da paz.
Elon Musk ironiza derrota republicana
O empresário Elon Musk, apoiador de Trump e dos republicanos, também comentou o resultado no X.
“Acho que meus lasers espaciais para interferir nas eleições não funcionaram desta vez”, publicou, em tom de ironia.
A manifestação se somou às reações de figuras públicas americanas após a confirmação de que os democratas terão maioria nas duas Casas.
Eleição muda Congresso, mas Trump continua na Presidência
As eleições de meio de mandato renovam toda a Câmara dos Representantes e parte do Senado. A disputa não altera o mandato presidencial, mas pode modificar a capacidade do governo de aprovar sua agenda legislativa.
Com o controle democrata das duas Casas a partir de janeiro de 2027, propostas do Executivo que dependam do Congresso precisarão passar por um Legislativo comandado pela oposição.
As expectativas apresentadas pelos líderes internacionais refletem esse novo cenário. Mudanças concretas nas políticas americanas, porém, dependerão das decisões do governo, da atuação dos parlamentares e das negociações entre os dois partidos.






































































































































































































































