Search
Close this search box.

Anvisa aprova medicamento em comprimidos para tratar obesidade no Brasil

Medicamento de uso diário contém semaglutida e apresentou perda média de 13,6% do peso em estudo clínico; preço e data exata de chegada às farmácias ainda não foram divulgados.


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a versão em comprimidos do Wegovy, medicamento da farmacêutica Novo Nordisk utilizado no tratamento da obesidade. A autorização amplia as opções de administração da semaglutida, princípio ativo já presente na apresentação injetável semanal.

A novidade é a primeira formulação oral da classe dos agonistas do receptor de GLP-1 aprovada no Brasil especificamente para o tratamento da obesidade e do sobrepeso dentro dos critérios de indicação. O medicamento será de uso diário, com dose de manutenção de 25 miligramas.

A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (4). A aprovação contempla o tratamento de adultos e prevê o uso associado à alimentação com redução de calorias e à prática de atividade física.

Apesar da autorização, o Wegovy em comprimidos ainda não tem preço nem data exata de chegada às farmácias brasileiras. Segundo as informações divulgadas pela fabricante, a expectativa é disponibilizar o produto no próximo trimestre.


O que muda com a aprovação do Wegovy em comprimidos

A principal mudança está na forma de administração e na frequência de uso. Enquanto a apresentação injetável do Wegovy é aplicada uma vez por semana, a nova formulação foi desenvolvida para administração oral diária.

O princípio ativo permanece o mesmo: a semaglutida, substância que atua em mecanismos relacionados à fome e à saciedade. A apresentação em comprimidos oferece uma alternativa de tratamento para pacientes que tenham indicação clínica.

A autorização não significa disponibilidade imediata nas farmácias. O início da comercialização depende das etapas necessárias para colocar a nova apresentação no mercado brasileiro.

O pedido de aprovação havia sido apresentado pela Novo Nordisk à Anvisa em 30 de janeiro de 2026.


Para quem o medicamento foi aprovado

O Wegovy oral foi autorizado para adultos com obesidade ou com sobrepeso associado a pelo menos uma condição de saúde relacionada ao peso.

Os critérios incluem índice de massa corporal, o IMC, igual ou superior a 30 kg/m², que caracteriza obesidade, ou a partir de 27 kg/m² e abaixo de 30 kg/m², quando há uma comorbidade relacionada ao excesso de peso.

O tratamento deve ocorrer em conjunto com alimentação com redução de calorias e aumento da atividade física. A aprovação da apresentação oral é restrita a adultos.

A escolha da apresentação e a definição do tratamento dependem de avaliação médica, considerando as condições de saúde e as necessidades de cada paciente.


Como a semaglutida atua na fome e na saciedade

A semaglutida reproduz efeitos do GLP-1, hormônio liberado pelo intestino após as refeições. Esse hormônio participa da comunicação entre o sistema digestivo e o cérebro sobre a ingestão de alimentos.

Ao atuar nesses mecanismos, o medicamento ajuda a reduzir a fome e aumentar a sensação de saciedade, contribuindo para a diminuição da quantidade de alimentos consumida.

A substância também retarda o esvaziamento do estômago, o que pode prolongar a sensação de estar satisfeito após uma refeição.

Esses efeitos ajudam a explicar sua utilização no controle do peso. A resposta ao tratamento, entretanto, varia entre os pacientes, e os resultados médios de uma pesquisa não representam uma previsão individual de emagrecimento.


Por que o comprimido tem uma dose diferente da caneta

Embora contenham o mesmo princípio ativo, as apresentações oral e injetável têm processos de absorção diferentes.

Quando administrada pela boca, a semaglutida enfrenta barreiras no sistema digestivo, e apenas uma parte da substância consegue chegar à circulação sanguínea. Isso exige uma formulação própria e uma quantidade diferente daquela utilizada por injeção.

Na nova apresentação oral, a dose de manutenção é de 25 mg por dia. Na apresentação injetável semanal citada como referência, a dose de manutenção é de 2,4 mg.

Essas quantidades não devem ser comparadas como se fossem doses equivalentes ou intercambiáveis. A diferença de concentração está relacionada à forma como o medicamento entra no organismo.

A dose de manutenção também não deve ser confundida com uma orientação para iniciar o tratamento diretamente nessa quantidade. A prescrição e os ajustes precisam seguir as orientações específicas da apresentação utilizada.


Estudo registrou perda média de 13,6% do peso

A principal pesquisa que embasou a avaliação da formulação oral foi o OASIS 4, publicado na revista científica The New England Journal of Medicine.

O estudo incluiu 307 participantes sem diabetes, com obesidade ou sobrepeso associado a pelo menos uma complicação relacionada ao peso. Desse total, 205 foram destinados ao grupo que recebeu semaglutida oral e 102 ao grupo placebo. Ambos tiveram intervenções de estilo de vida.

Na avaliação de 64 semanas, a redução média estimada do peso foi de 13,6% entre os participantes que receberam semaglutida, ante 2,2% no grupo placebo. A diferença foi de 11,4 pontos percentuais.

O resultado indica benefício do medicamento em relação ao placebo nas condições avaliadas pela pesquisa.


Resultado permite dizer que o comprimido é igual à injeção?

O desempenho da formulação oral foi apresentado como próximo ao observado em estudos com a semaglutida injetável. Entretanto, o OASIS 4 comparou o comprimido com placebo, e não diretamente com a caneta semanal.

Por isso, o estudo, isoladamente, não demonstra equivalência entre as duas apresentações. Comparações entre pesquisas diferentes precisam considerar características dos participantes, duração do acompanhamento e métodos de análise.

A existência do mesmo princípio ativo também não significa que a troca entre comprimido e injeção possa ser feita por conta própria.


Pesquisa também avaliou efeitos adversos

Os eventos adversos gastrointestinais foram mais frequentes no grupo que recebeu semaglutida oral.

Segundo o estudo, eles ocorreram em 74% dos participantes tratados com o medicamento, em comparação com 42,2% daqueles que receberam placebo. A avaliação desses efeitos integra a análise de segurança e tolerabilidade do tratamento.

A apresentação em comprimidos, portanto, mantém a necessidade de acompanhamento durante o uso, inclusive para avaliar a resposta e possíveis reações ao medicamento.


Qual é a diferença entre Wegovy oral e Rybelsus

A semaglutida em comprimidos já estava disponível no Brasil por meio do Rybelsus, também produzido pela Novo Nordisk. A diferença central está na indicação aprovada.

O Rybelsus é indicado para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2, com o objetivo de melhorar o controle da glicose, associado à dieta e ao exercício. Seu registro como apresentação oral de semaglutida é anterior à aprovação agora anunciada para o Wegovy.

Assim, a novidade não é a primeira semaglutida oral do país, mas a aprovação de uma apresentação em comprimidos voltada especificamente ao tratamento da obesidade e do sobrepeso nos critérios autorizados.


Quando o Wegovy em comprimidos chega às farmácias

A Novo Nordisk ainda não divulgou o preço do medicamento nem uma data exata para o início das vendas no Brasil.

A previsão informada pela fabricante é de chegada às farmácias no próximo trimestre. Até a definição do lançamento comercial, a aprovação regulatória representa a autorização da nova apresentação, sem assegurar sua disponibilidade imediata ao consumidor.

O valor de venda e as informações sobre distribuição deverão ser anunciados pela empresa.