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Vistos para Flávio Bolsonaro geram críticas de democratas ao governo Trump

Parlamentares americanos questionam o tratamento dado ao senador brasileiro e cobram explicações sobre a possibilidade de acolhimento nos Estados Unidos.


Integrantes do Partido Democrata criticaram o anúncio do governo de Donald Trump de que concederá vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e a seus familiares. As manifestações foram publicadas nas redes sociais após a informação de que o brasileiro deixou o país depois da derrota na eleição presidencial de domingo (25).

As críticas partiram de democratas do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, do deputado Joaquin Castro e do candidato Isaiah Martin.

Os políticos questionaram a política migratória do governo americano e a possibilidade de o senador receber asilo. O anúncio do Departamento de Estado, entretanto, trata da concessão de vistos e não confirma a aprovação de asilo.


Democratas comparam tratamento ao de pessoas que fogem de conflitos

Em publicação nas redes sociais, os democratas do Comitê de Relações Exteriores compararam a disposição do governo de receber Flávio Bolsonaro às restrições enfrentadas por pessoas que deixam países em conflito.

O grupo mencionou o Sudão e o Haiti e criticou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, pelo tratamento destinado ao senador brasileiro.

Na mensagem, os democratas acusaram o governo de adotar critérios diferentes para acolher pessoas que fogem da violência e um político que questionou o resultado eleitoral.

A publicação representa uma manifestação dos integrantes democratas do comitê, e não uma posição conjunta de todos os membros do colegiado.


Joaquin Castro cobra explicações do governo americano

O deputado democrata Joaquin Castro também questionou a possibilidade de concessão de asilo ao brasileiro.

“Perder uma eleição não é motivo para pedir asilo”, escreveu o parlamentar na rede social Threads.

Castro afirmou que o governo Trump deve explicar ao Congresso americano seu papel na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. Na publicação, mencionou investigações contra o senador e a determinação judicial para que entregasse os passaportes.

O deputado acusou o governo americano de oferecer proteção ao brasileiro em desacordo com decisões da Justiça brasileira. A declaração expressa o questionamento político feito por Castro e não representa uma conclusão judicial sobre a atuação das autoridades dos Estados Unidos.


Isaiah Martin questiona possíveis gastos com a família

O candidato democrata Isaiah Martin publicou críticas à possibilidade de acolhimento do senador e de seus familiares.

Em uma mensagem no Threads, Martin utilizou termos ofensivos para se referir a Flávio Bolsonaro e afirmou que os contribuintes americanos poderiam arcar com despesas relacionadas à proteção da família e a deslocamentos pelo país.

Não foi apresentado, no relato da publicação, um anúncio oficial de custeio dessas despesas pelo governo americano. A alegação sobre os gastos foi feita pelo candidato democrata.

As manifestações de Martin e Castro ocorreram em meio à repercussão do anúncio sobre os vistos e às informações sobre o deslocamento da família.


Departamento de Estado anunciou concessão de vistos

O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou na terça-feira (27) que concederá vistos a Flávio Bolsonaro e a seus familiares, permitindo a entrada do grupo no país.

Até o momento das informações divulgadas, o governo americano não havia esclarecido se os documentos já tinham sido emitidos.

Também não havia confirmação de concessão de asilo, apesar de essa possibilidade ter sido mencionada nas críticas dos democratas.

A distinção é relevante para o andamento do caso: o anúncio apresentado pelas autoridades americanas se refere aos vistos, enquanto as manifestações políticas discutem também uma eventual permanência do senador sob proteção nos Estados Unidos.


Argentina confirmou passagem do senador e da família

O governo argentino informou, em comunicado divulgado na madrugada desta quarta-feira (28), que Flávio Bolsonaro entrou no país com a família na noite de terça-feira.

As autoridades argentinas também confirmaram que o grupo embarcou em um avião particular. A manifestação foi a primeira confirmação oficial da saída do senador do Brasil, após um dia de informações sobre seu paradeiro.

O deslocamento ocorreu depois de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes do parlamentar.

A ordem judicial e a saída do país foram citadas por democratas nos questionamentos dirigidos ao governo americano.


Trump afirma que aprova ida de Flávio aos Estados Unidos

Nesta quarta-feira, Donald Trump declarou que aprova a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. Questionado por jornalistas, o presidente americano descreveu os integrantes da família como “boas pessoas”.

Trump também voltou a criticar a eleição presidencial brasileira e mencionou a reação do mercado financeiro ao resultado.

As declarações expressam a posição do presidente americano sobre a disputa. Na manifestação apresentada, ele não detalhou quais providências seriam adotadas para receber o senador nem informou a modalidade dos vistos anunciados.


Reação ocorre antes das eleições legislativas americanas

As críticas foram publicadas a menos de uma semana das eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro.

Na votação, os americanos escolherão representantes para todas as cadeiras da Câmara e parte do Senado.

O Partido Democrata é a principal oposição ao governo republicano de Trump. O resultado das eleições definirá a composição do Congresso durante os dois últimos anos do mandato presidencial.