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Caso Thawanna: Justiça arquiva acusação contra marido e investigação segue sob questionamentos

Decisão aponta ausência de provas de resistência e reforça debate sobre abordagem policial e demora no socorro em São Paulo


Justiça arquiva processo por resistência contra marido da vítima

A Justiça de São Paulo determinou o arquivamento do processo por resistência contra Luciano Gonçalves dos Santos, marido de Thawanna Salmázio, morta durante uma abordagem da Polícia Militar na Zona Leste da capital paulista.

A decisão acompanha o entendimento do Ministério Público, que concluiu não haver elementos suficientes para sustentar a acusação.

Segundo a promotora, não há provas de que Luciano tenha agido com violência contra os policiais, requisito essencial para a configuração do crime de resistência.


Ministério Público aponta falta de evidências de violência

Na manifestação, a promotora destacou a ausência de comprovação técnica ou pericial que indicasse qualquer agressão por parte de Luciano Gonçalves dos Santos.

“Não há nos autos comprovação de lesões corporais sofridas por policiais, nem elementos técnicos que indiquem uso de violência pelo investigado”, aponta o parecer.

Além disso, o comportamento de Luciano — que tentou se desvencilhar dos agentes após o disparo que atingiu sua esposa — foi considerado compatível com o contexto de tensão extrema.

A promotoria também reforçou que reações emocionais ou exaltação verbal não configuram, por si só, o crime de resistência.


Abordagem terminou com morte de Thawanna

O caso ocorreu na madrugada de 3 de abril, na região de Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo. Thawanna Salmázio caminhava ao lado do marido quando um contato acidental com o retrovisor de uma viatura deu início à abordagem.

O policial que dirigia o veículo teria dado ré e iniciado um questionamento ao casal, o que evoluiu para uma discussão.

Durante a abordagem, a policial militar Yasmin Cursino Ferreira desceu da viatura e, momentos depois, efetuou o disparo que atingiu Thawanna.

A versão inicial apresentada pela policial indicava que teria reagido após ser agredida, alegando ter recebido um tapa no rosto.


Imagens de câmera corporal levantam dúvidas

Registros de câmeras corporais analisados posteriormente indicam uma dinâmica diferente da apresentada inicialmente. As imagens sugerem que não houve agressão física por parte da vítima antes do disparo.

O próprio policial que acompanhava a ocorrência, Weden Silva Soares, questionou a colega logo após o tiro, evidenciando surpresa com a ação.

Especialistas apontam que a ocorrência se assemelha mais a um confronto do que a uma abordagem policial padrão, com possíveis violações de protocolos operacionais da corporação.


Demora no socorro é alvo de investigação

Outro ponto central do caso é o tempo de resposta no atendimento à vítima. Após o disparo, houve um intervalo de mais de 30 minutos até a chegada do resgate.

O primeiro pedido de socorro foi feito quase imediatamente após o tiro, mas o acionamento efetivo do atendimento demorou alguns minutos. A ambulância só chegou ao local cerca de meia hora depois.

Profissionais ouvidos apontam que a demora no atendimento pode ter sido determinante para o desfecho fatal, já que o ferimento não foi estancado nos primeiros minutos.

O laudo do Instituto Médico Legal indicou hemorragia interna aguda como causa da morte.


Caso expõe falhas em procedimentos e protocolos

A atuação dos agentes envolvidos tem sido alvo de críticas e análises técnicas. Entre os pontos levantados estão:

A condução da abordagem inicial, considerada inadequada;
A escalada rápida de tensão entre policiais e civis;
O uso de força letal em situação questionável;
E a possível falha no acionamento ágil do socorro.

Além disso, a policial envolvida estava em fase final de estágio na corporação e tinha poucos meses de experiência em patrulhamento.


Investigações continuam e caso gera repercussão

Apesar do arquivamento da acusação contra Luciano Gonçalves dos Santos, as investigações sobre a conduta policial e eventuais responsabilidades seguem em andamento.

Órgãos de controle e entidades acompanham o caso, incluindo apurações sobre possível omissão de socorro e falhas operacionais.

O episódio reacende o debate sobre uso da força policial, treinamento de agentes e protocolos de atendimento em ocorrências, especialmente em situações que envolvem civis desarmados.

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