Documentos apontam repasses milionários a firmas associadas a Daniel Monteiro, investigado por suspeita de desvio de recursos e pagamento de propinas
Pagamentos milionários entram no foco de investigação
O Banco Master declarou à Receita Federal o pagamento de R$ 109 milhões a empresas ligadas ao advogado Daniel Lopes Monteiro, entre os anos de 2022 e 2025.
Monteiro foi preso em operação da Polícia Federal sob suspeita de atuar como operador financeiro em um esquema que teria como objetivo desviar recursos da instituição e viabilizar o pagamento de propina a autoridades.
Os dados constam em documentos fiscais analisados no âmbito das investigações.

Estrutura envolvia escritórios e empresas de consultoria
Segundo as informações levantadas, os valores foram distribuídos entre diferentes empresas associadas ao advogado.
O escritório de advocacia do qual Monteiro era sócio recebeu cerca de R$ 79 milhões no período, enquanto a empresa Mytra Consultoria acumulou aproximadamente R$ 30 milhões em repasses declarados.
A consultoria, fundada em 2009 e sediada em Barueri, possui registro para atuação em serviços de cobrança, intermediação e agenciamento de negócios.
Investigação aponta uso de empresas para ocultar movimentações
De acordo com a Polícia Federal, o advogado teria atuado na criação e utilização de empresas intermediárias com o objetivo de dificultar o rastreamento de recursos e mascarar transações financeiras.
As investigações indicam ainda que parte das empresas envolvidas seria formada por chamadas “sociedades de prateleira”, que passam por alterações rápidas de estrutura para operar em esquemas financeiros.
Há também indícios de que companhias ligadas a familiares do advogado teriam sido utilizadas para movimentação de valores.
Decisão do STF cita “mecanismos de ocultação”
A apuração integra a Operação Compliance Zero, cuja quarta fase foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Na decisão, o magistrado afirma que há indícios de que o advogado exercia “domínio prático” sobre mecanismos de ocultação de recursos, com uso estruturado de empresas para circulação de valores.
Segundo a PF, seis empresas distintas teriam sido utilizadas para receber recursos e realizar pagamentos relacionados à aquisição de imóveis de alto valor.
Defesa nega irregularidades e afirma legalidade dos serviços
A defesa de Daniel Monteiro contesta as acusações e afirma que todos os serviços prestados foram lícitos e devidamente declarados.
Em nota, os advogados rejeitam a caracterização de Monteiro como operador financeiro e negam qualquer envolvimento em desvio de recursos ou pagamento de propina.
Também foi informado que as notas fiscais emitidas pelas empresas correspondem a serviços efetivamente realizados.
Outras investigações atingem aplicações ligadas ao banco
Paralelamente, a Polícia Federal deflagrou a Operação Moral Hazard, que apura suspeitas de gestão temerária de recursos previdenciários.
O foco está em aproximadamente R$ 13 milhões aplicados em produtos financeiros do Banco Master, oriundos do regime próprio de previdência de servidores municipais de Santo Antônio de Posse.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares como afastamento de funções públicas e bloqueio de bens, por determinação da Justiça Federal.









































































































