Morreu neste sábado (21/3), aos 91 anos, o ator, dramaturgo e diretor Juca de Oliveira. O artista estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde o dia 13 de março, lutando contra uma pneumonia associada a complicações cardiológicas.
Em nota oficial, a família destacou que o estado de saúde do veterano era delicado e agradeceu o carinho do público. O velório acontece hoje, no Funeral Home, na Bela Vista, em cerimônia restra a amigos e familiares.
O criador e a criatura: o fenômeno Dr. Albieri
Embora tenha acumulado mais de 30 novelas e 60 peças, Juca de Oliveira eternizou-se no imaginário popular como o Dr. Albieri, em O Clone (2001). Na trama de Glória Perez, ele interpretou o geneticista que, movido pelo luto, desafiou a ética para criar o primeiro clone humano.
“Foi ótimo para a minha carreira ter participado de uma obra-prima absolutamente fascinante. É um dos meus trabalhos mais comentados até hoje”, afirmou o ator em entrevista recente.
Da Faculdade de Direito à resistência política
Nascido em São Roque (SP) em 1935, José Juca de Oliveira Santos quase seguiu a carreira jurídica na USP, mas a vocação artística falou mais alto. Formado pela Escola de Arte Dramática, ele foi peça-chave na história do teatro brasileiro.
Nos anos 60, ao lado de nomes como Augusto Boal e Paulo José, adquiriu o Teatro de Arena. Sua atuação política e ligação com o Partido Comunista Brasileiro fizeram dele um alvo da ditadura militar, o que o levou ao exílio na Bolívia após o fechamento do teatro pelo regime.
Uma trajetória de versatilidade
Juca transitou com maestria entre o drama denso e a comédia popular. Brilhou na TV Tupi com o icônico Nino, o Italianinho e, na TV Globo, integrou elencos de sucessos como:
Avenida Brasil (2012): como o misterioso Santiago
Fera Ferida (1993) e Torre de Babel (1998)
O Outro Lado do Paraíso (2017): seu último papel fixo na TV, como Natanael
Vida pessoal e legado
O ator foi casado três vezes, incluindo uniões com as atrizes Débora Duarte e Cláudia Mello. De seu último casamento, com Maria Luiza, nasceu sua filha mais nova. Nos últimos anos, Juca dividia seu tempo entre participações pontuais no teatro e o cuidado com sua fazenda de gado no interior.
Com sua partida, encerra-se um capítulo de ouro da interpretação brasileira, deixando um legado de rigor técnico, coragem política e uma sensibilidade rara que humanizou até os personagens mais complexos da nossa teledramaturgia.









































































































