EUA alertam sobre influência chinesa no Canadá enquanto Pequim nega impacto sobre terceiros e defende cooperação internacional
A relação comercial entre Estados Unidos, Canadá e China voltou ao centro do debate internacional após declarações duras do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e a resposta imediata do governo chinês. O episódio expõe divergências estratégicas, riscos de novas tarifas e a reconfiguração de alianças econômicas em um cenário global cada vez mais polarizado.
EUA temem que o Canadá facilite entrada de produtos chineses
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que Washington não pode permitir que o Canadá atue como uma “porta de entrada” para produtos chineses baratos no mercado americano. A declaração foi feita em entrevista à emissora ABC, no domingo (25).
Segundo Bessent, a preocupação está ligada ao possível uso do território canadense como rota indireta para contornar barreiras comerciais impostas pelos EUA à China, especialmente em setores estratégicos como o de veículos elétricos.
“Não podemos permitir que a China despeje produtos baratos nos Estados Unidos usando o Canadá como intermediário”, afirmou o secretário.
Críticas diretas ao primeiro-ministro canadense
Além do alerta econômico, Bessent fez críticas políticas contundentes ao primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. Para o secretário americano, o líder canadense estaria mais preocupado em agradar líderes globalistas do que em defender os interesses da população do próprio país.
Ele citou o USMCA (Acordo EUA-México-Canadá), que deve ser renegociado no verão do hemisfério norte, e questionou a postura do Canadá dentro do tratado.
“Não tenho certeza do que Mark Carney está fazendo, além de tentar demonstrar virtude para seus amigos globalistas em Davos”, declarou.
Bessent concluiu dizendo que Carney “não está fazendo o melhor trabalho para o povo canadense”, intensificando o tom diplomático já desgastado entre os países.

China reage e nega que acordos com o Canadá afetem terceiros
Em resposta às declarações americanas, o governo chinês afirmou que os acordos comerciais firmados com o Canadá não têm como objetivo prejudicar outros países, incluindo os Estados Unidos.
Durante coletiva de imprensa em Pequim, nesta segunda-feira (26), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, rejeitou a narrativa de confronto e reforçou a defesa de uma abordagem cooperativa.
“A China acredita que os países devem lidar com suas relações com uma mentalidade de ganha-ganha, em vez de soma zero”, disse o porta-voz.

Acordo sino-canadense envolve veículos elétricos e produtos agrícolas
A reação chinesa ocorre após a viagem do primeiro-ministro canadense à China neste mês. Durante a visita, os dois países chegaram a um acordo comercial inicial que prevê:
- Redução das tarifas canadenses sobre veículos elétricos chineses
- Diminuição de taxas chinesas sobre a canola canadense
O entendimento foi visto como um passo importante para fortalecer os laços bilaterais entre Ottawa e Pequim, mas gerou forte reação em Washington.
Ameaça de tarifas de 100% eleva tensão com os EUA
No fim de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom ao ameaçar impor tarifas de até 100% sobre produtos canadenses caso o acordo com a China seja finalizado.
Trump alertou diretamente Mark Carney de que a aproximação com Pequim poderia colocar o Canadá em risco econômico e estratégico, aprofundando a tensão dentro da América do Norte.
Essa possível medida tarifária reacende temores de uma nova guerra comercial, agora envolvendo aliados históricos.
Impactos globais e cenário geopolítico
Especialistas avaliam que o episódio reflete um cenário mais amplo de disputa por cadeias produtivas, especialmente em setores de alta tecnologia e energia limpa. A preocupação dos EUA vai além do comércio imediato e envolve:
- Segurança econômica
- Dependência tecnológica
- Influência geopolítica da China no Ocidente
Enquanto isso, Canadá tenta equilibrar seus interesses comerciais com a China sem romper laços históricos com os Estados Unidos.
Um equilíbrio cada vez mais delicado
A troca de declarações evidencia como o tabuleiro global do comércio internacional está cada vez mais sensível a movimentos diplomáticos. O Canadá se encontra em uma posição estratégica delicada, tentando ampliar mercados sem provocar retaliações severas de seu principal parceiro econômico.
Com renegociações do USMCA no horizonte e ameaças tarifárias em pauta, os próximos meses devem ser decisivos para definir os rumos da relação entre EUA, Canadá e China — e seus impactos na economia global.




