Ex-presidente da Petrobras destaca qualidade do petróleo brasileiro, força do pré-sal e riscos à produção da Venezuela em meio a tensões internacionais.
A crise na Venezuela e a instabilidade na produção do país colocam o petróleo brasileiro em posição estratégica no mercado internacional. Em entrevista à CNN Brasil, o ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, afirmou que o Brasil deve assumir o papel de principal alternativa para a China no fornecimento de petróleo, caso o fluxo venezuelano seja afetado.
Segundo Prates, o debate central não está apenas na política internacional, mas na capacidade real de produção, qualidade do óleo e segurança dos contratos.
Quem é Jean Paul Prates
Jean Paul Prates é economista e especialista no setor energético. Foi presidente da Petrobras e é reconhecido por sua atuação na área de petróleo, gás e energia. A análise foi feita em entrevista ao programa Agora CNN, da CNN Brasil.
Produção de petróleo da Venezuela está muito abaixo do potencial
Prates ressaltou que a Venezuela possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo, com capacidade para produzir cerca de 3 milhões de barris por dia, mas atualmente produz menos de 1 milhão.
Segundo ele, essa queda ocorre por fatores como:
- Falta de investimentos ao longo dos anos
- Ineficiência operacional da PDVSA
- Impacto de sanções e restrições contratuais
Esse cenário fragiliza o fornecimento venezuelano, especialmente para grandes compradores como a China.
Brasil se fortalece como fornecedor de petróleo
Com a instabilidade na Venezuela, o Brasil ganha espaço como fornecedor confiável de petróleo. Prates destacou que o país reúne vantagens técnicas e comerciais relevantes:
- Petróleo de alta qualidade
- Produção crescente no pré-sal
- Campos com elevada produtividade
- Presença de empresas chinesas em projetos brasileiros
Segundo o ex-presidente da Petrobras, esses fatores tornam o Brasil uma opção natural para suprir eventuais falhas no fornecimento venezuelano.
Brasil será o “backup” do petróleo venezuelano para a China
De acordo com Prates, cerca de 80% da produção da PDVSA está vinculada a contratos com a China, que podem ser impactados pelo novo cenário na Venezuela.
“O backup do óleo da Venezuela para a China será o Brasil”, afirmou.
Ele explicou que, além da qualidade do óleo, o Brasil oferece segurança jurídica e previsibilidade, elementos decisivos para contratos de longo prazo no setor petrolífero.
Qualidade do pré-sal brasileiro é diferencial
Prates reforçou que o petróleo produzido no pré-sal brasileiro tem características altamente valorizadas no mercado internacional, como:
- Maior rendimento no refino
- Menor custo de produção
- Escala crescente de extração
Esses fatores ampliam a competitividade do Brasil frente a outros produtores e fortalecem o país como alternativa ao petróleo venezuelano.
Possível concorrência no futuro
Apesar do cenário favorável, Prates alertou que, caso a indústria petrolífera da Venezuela seja reestruturada e volte a operar em alta escala, o país pode se tornar um concorrente direto do Brasil no mercado internacional.
Ainda assim, no curto e médio prazo, a avaliação é de que o petróleo brasileiro tende a ganhar ainda mais espaço, principalmente junto à China.
Análise baseada em entrevista de Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras, à CNN Brasil



