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Xi Jinping rompe círculo íntimo e investiga general mais poderoso do Exército chinês

Apuração contra Zhang Youxia, aliado histórico do presidente, aprofunda expurgo nas Forças Armadas, concentra poder no topo do regime e levanta dúvidas sobre o futuro comando militar da China


Investigação inédita atinge coração do poder militar chinês

A China abriu uma investigação contra seu general mais graduado, marcando o expurgo militar de maior peso desde a Revolução Cultural. O alvo é Zhang Youxia, vice-presidente da Comissão Militar Central (CMC) — órgão máximo das Forças Armadas — e considerado o mais próximo aliado militar do presidente Xi Jinping.

Segundo o Ministério da Defesa da China, Zhang é investigado por “suspeitas de graves violações de disciplina e da lei”, linguagem frequentemente usada pelo regime para enquadrar casos de corrupção, deslealdade política ou disputas internas de poder.

De acordo com o The Wall Street Journal, a acusação mais sensível apresentada no briefing fechado diz respeito ao suposto vazamento de dados técnicos centrais sobre armas nucleares chinesas aos Estados Unidos.

Parte das evidências teria surgido a partir da investigação contra Gu Jun, ex-presidente da estatal China National Nuclear Corp, responsável pelos programas nuclear civil e militar do país. Pequim anunciou na semana passada que Gu também é alvo de apuração por suspeitas semelhantes.


Queda de aliado histórico mostra que “ninguém está seguro”

Analistas ouvidos pela Reuters afirmam que a decisão representa uma mudança profunda na política chinesa, já que, até agora, as grandes purgas promovidas por Xi atingiam figuras mais periféricas ao seu círculo íntimo.

Desta vez, a investigação atravessa o núcleo do poder, reforçando a percepção de que nenhuma relação pessoal protege líderes quando a lealdade ao Partido Comunista é questionada.


Zhang Youxia: quem é o general atingido pelo expurgo

Zhang Youxia, de 75 anos, é um dos poucos oficiais chineses com experiência real de combate, tendo participado de confrontos armados contra o Vietnã em 1979 e 1984. Ele ingressou no Exército Popular de Libertação (PLA) em 1968 e construiu carreira como um dos principais articuladores da modernização militar chinesa.

Apesar da prática militar prever aposentadoria aos 72 anos, Xi Jinping manteve Zhang na CMC por um terceiro mandato, decisão que, à época, foi interpretada como sinal inequívoco de confiança e proximidade política.


Segundo general investigado e comando militar esvaziado

Além de Zhang, o Ministério da Defesa confirmou que Liu Zhenli, chefe do Estado-Maior do Departamento Conjunto da CMC, também está sob investigação. Com isso, o comando superior das Forças Armadas chinesas fica severamente reduzido, concentrando ainda mais poder nas mãos de Xi.

Especialistas apontam que nenhum líder chinês desde Mao Zedong promoveu um desmonte tão profundo do alto escalão militar.


Campanha anticorrupção avança sobre setor estratégico

Desde que chegou ao poder, em 2012, Xi Jinping colocou as Forças Armadas no centro de uma ampla campanha anticorrupção. Nos últimos anos, o expurgo atingiu:

  • A Força de Foguetes, responsável pelo arsenal nuclear
  • Oito generais expulsos do Partido Comunista em 2025
  • Dois ex-ministros da Defesa, afastados por corrupção
  • O ex-vice-presidente da CMC He Weidong, expulso em 2025

A ofensiva tem desacelerado a compra de armamentos avançados e afetado financeiramente grandes empresas do setor de defesa.


Violação de sistema que garante poder absoluto a Xi

Um editorial do jornal oficial PLA Daily acusou os investigados de violarem o Sistema de Responsabilidade do Presidente da Comissão Militar Central, mecanismo que garante a Xi controle absoluto sobre todas as decisões militares.

Para analistas, a referência explícita a esse sistema indica que Zhang teria acumulado influência além do aceitável, algo visto como ameaça direta à autoridade pessoal do presidente.


Corrupção ou ajuste político interno?

Embora as acusações envolvam corrupção, especialistas destacam que, na China, esse tipo de investigação frequentemente funciona como instrumento de reorganização política.

Zhang havia escapado de punições anteriores, mesmo após a queda de aliados próximos ligados ao setor de compras militares. Sua inclusão agora na investigação responde a críticas internas de que a campanha anticorrupção seria seletiva e protegeria aliados pessoais de Xi.


Liderança militar enfraquecida levanta dúvidas estratégicas

O esvaziamento da Comissão Militar Central gera incertezas sobre como a maior força armada do mundo está sendo administrada. Analistas afirmam que a cadeia de comando se tornou mais centralizada, opaca e dependente de decisões diretas de Xi.

Há expectativa de que mudanças estruturais no comando só ocorram após o próximo Congresso do Partido Comunista, previsto para o próximo ano.


Impacto sobre Taiwan e postura militar chinesa

Apesar do aumento das tensões regionais, especialistas avaliam que o expurgo reduz a probabilidade de uma ação militar imediata contra Taiwan. A leitura predominante é que Xi está priorizando reorganizar e depurar a liderança militar antes de qualquer escalada maior.

Ainda assim, Pequim mantém postura firme no Mar do Sul da China, no Mar do Leste da China e em relação a Taiwan, onde realizou os maiores exercícios militares da história recente no fim do ano passado.


Consolidação de poder redefine forças armadas chinesas

Para analistas internacionais, a investigação contra Zhang Youxia deixa claro que Xi Jinping está disposto a sacrificar aliados históricos para reforçar a disciplina, a obediência ideológica e o controle absoluto do Partido sobre o Exército.

A mensagem é direta: a lealdade ao líder e ao Partido está acima de qualquer trajetória, patente ou laço pessoal — um sinal de que a China entra em uma nova fase de centralização extrema de poder.