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Perícia aponta execução pelas costas e reforça suspeita de feminicídio em morte de PM em SP

Laudo revela disparo súbito, ausência de defesa e possíveis sinais de violência antes da morte da soldado Gisele Alves Santana


Disparo pelas costas indica ausência de reação da vítima

A investigação sobre a morte da policial militar Gisele Alves Santana ganhou novos contornos após a divulgação de laudos periciais que indicam que o tiro foi efetuado pelas costas, de forma súbita e inesperada, sem qualquer chance de defesa.

A conclusão consta na decisão da Justiça que determinou a prisão preventiva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, apontado como principal suspeito do crime.

Segundo o documento, caso essa dinâmica seja confirmada, o ato revela elevado grau de reprovabilidade e reforça a hipótese de homicídio qualificado.


Intervalo de 33 minutos levanta suspeitas

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o intervalo de tempo entre o disparo e o acionamento do socorro.

De acordo com relatos, o tiro teria ocorrido por volta das 7h28, ouvido por uma vizinha do casal. No entanto, o resgate só foi acionado às 8h01.

A lacuna de aproximadamente 33 minutos é considerada relevante e levanta dúvidas sobre o que aconteceu nesse período, sendo um dos fatores que levaram a Justiça a tratar o caso como possível feminicídio.

Quando o socorro chegou ao local, a policial foi encontrada caída no chão, com uma arma na mão, apresentando intenso sangramento e ainda com sinais vitais.


Indícios de possível manipulação da cena

A decisão judicial também aponta que os elementos coletados são compatíveis com a hipótese de alteração da cena do crime, possivelmente para simular um suicídio.

Essa linha investigativa ganhou força diante de inconsistências encontradas entre os vestígios periciais e a versão apresentada inicialmente.

A possibilidade de fraude processual passou a integrar oficialmente o escopo das investigações, ampliando a gravidade do caso.


Laudo do IML revela múltiplas lesões

O exame necroscópico realizado pelo Instituto Médico Legal apontou que a morte de Gisele Alves Santana foi causada por traumatismo cranioencefálico grave provocado por disparo de arma de fogo.

A perícia identificou que o tiro foi realizado a curta distância, possivelmente encostado à cabeça, com entrada na região lateral direita do crânio.

Além disso, os peritos encontraram outros sinais relevantes:

lesões no rosto e no pescoço, marcas compatíveis com unhas e hematomas ao redor dos olhos, indicativos de possível agressão anterior ao disparo.

Também foram registradas marcas descritas como “estigmas digitais”, sugerindo pressão de dedos na região da mandíbula e do pescoço.


Prisão preventiva e avanço das investigações

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi preso na manhã desta quarta-feira (18), em São José dos Campos, após pedido das autoridades.

Ele deverá responder por feminicídio, fraude processual e possíveis atos de violência doméstica, conforme apontam as investigações conduzidas pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar.

Após a detenção, o oficial foi encaminhado para procedimentos legais e ficará à disposição da Justiça no Presídio Militar Romão Gomes.


Contradições e fragilidade na versão apresentada

De acordo com os investigadores, foram identificadas divergências relevantes nos depoimentos do suspeito, especialmente em relação ao relacionamento com a vítima e às circunstâncias do ocorrido.

As autoridades também apontam inconsistências na conduta do oficial após o disparo, o que compromete a credibilidade da versão inicial apresentada.

As provas periciais indicam a inviabilidade da hipótese de suicídio, reforçando a linha de investigação de homicídio.


Caso segue sob sigilo e pode ter novos desdobramentos

O inquérito, que tramita sob segredo de Justiça, deve ser concluído nos próximos dias.

Enquanto isso, o caso de Gisele Alves Santana segue gerando forte repercussão, especialmente por envolver agentes de segurança pública e indícios de violência doméstica.

As conclusões finais dependerão da análise conjunta de provas técnicas, depoimentos e elementos colhidos ao longo da investigação, que poderão definir a responsabilização criminal do suspeito.

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