Justiça Federal reconhece indícios do crime, mas concede liberdade provisória com medidas restritivas após audiência de custódia
Decisão judicial mantém investigação, mas garante liberdade provisória
A professora da Universidade Estadual de Campinas, Soledad Palameta Miller, presa em flagrante sob suspeita de furtar amostras virais de um laboratório da instituição, foi colocada em liberdade provisória após decisão da Justiça Federal.
A determinação foi assinada pela juíza Valdirene Ribeiro de Souza Falcão, da 9ª Vara Federal de Campinas, que reconheceu a existência de provas concretas do crime e indícios de autoria, mas entendeu que não havia necessidade de manter a prisão preventiva.
Apesar da soltura, a magistrada impôs uma série de medidas cautelares para garantir o andamento do processo e evitar novos riscos.
Medidas cautelares restringem rotina da docente
A liberdade da professora está condicionada ao cumprimento de regras estabelecidas pela Justiça. Entre as principais determinações, estão o comparecimento periódico ao Judiciário e limitações de deslocamento.
Ela deverá se apresentar mensalmente à Justiça Federal, além de não poder se ausentar da cidade de Campinas por mais de cinco dias sem autorização prévia. Também foi estipulado o pagamento de fiança equivalente a dois salários mínimos.
Outra medida considerada central é a proibição total de acesso aos laboratórios da Unicamp, diretamente relacionada à natureza das acusações.
Além disso, a professora está impedida de deixar o país sem autorização judicial.
Entenda como ocorreu o furto do material biológico
O caso teve início em 13 de fevereiro, quando foi identificado o desaparecimento de caixas contendo amostras virais do Laboratório de Virologia Animal do Instituto de Biologia da Unicamp.
O material estava armazenado em uma área classificada como NB-3, considerada de alto nível de contenção biológica, onde protocolos de segurança são rigorosos e o acesso é restrito.
As investigações apontaram que Soledad não possuía acesso direto ao local de armazenamento. Para contornar essa limitação, ela teria contado com o auxílio de terceiros para entrar nos laboratórios.
De acordo com os investigadores, uma aluna de mestrado teria facilitado a entrada da docente, abrindo portas e permitindo o acesso indevido às dependências.
Após a retirada, o material biológico foi redistribuído em diferentes espaços da universidade, incluindo freezers de outros professores.
Material foi encontrado em condições irregulares
Durante as buscas, agentes localizaram as amostras em locais distintos, como o Laboratório de Doenças Tropicais e o de Engenharia Metabólica.
Os itens estavam abertos e manipulados, o que elevou o nível de preocupação das autoridades sanitárias.
Além disso, foi constatada a presença de frascos descartados de forma inadequada em lixeiras comuns dentro de outro laboratório, o que representa risco potencial à saúde pública.
O material recolhido foi encaminhado para análise sob responsabilidade do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Prisão ocorreu após comunicação da própria universidade
A investigação teve início após a própria Unicamp comunicar o desaparecimento do material às autoridades.
A operação foi conduzida pela Polícia Federal, com apoio técnico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
A professora foi localizada fora de casa, após sair em direção a um centro médico, alegando estar nervosa. Ela foi abordada enquanto dirigia seu veículo e presa em flagrante.
Durante o interrogatório, optou por permanecer em silêncio.
Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal.
Professora pode responder por três crimes
As investigações indicam que a docente poderá responder por furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado.
O Ministério Público Federal se manifestou favorável à concessão de liberdade provisória, sugerindo inclusive medidas cautelares, como monitoramento e restrições de acesso.
A defesa argumentou questões pessoais, destacando que a professora é mãe de duas crianças pequenas, o que foi considerado no contexto da decisão.
Quem é a professora investigada
Soledad Palameta Miller, de 36 anos, nasceu na Argentina e construiu carreira acadêmica na área de biotecnologia.
Ela ingressou como docente da Unicamp em 2025, atuando na Faculdade de Engenharia de Alimentos.
A professora possui doutorado em Ciências pela própria universidade, com atuação em pesquisas voltadas a nanopartículas biológicas e imunomodulação, além de ter realizado pós-doutorado no mesmo ambiente onde o material foi furtado.
Seu histórico acadêmico inclui ainda o registro de patente relacionada a composições terapêuticas baseadas em partículas semelhantes a vírus.
Universidade acompanha caso e colabora com autoridades
Em nota oficial, a Unicamp informou que está adotando todas as medidas cabíveis e que colabora integralmente com as investigações conduzidas pelas autoridades federais.
O caso segue em apuração e deve avançar nas próximas etapas judiciais, com análise detalhada das provas reunidas e eventual responsabilização dos envolvidos.








































































































