Fim do imposto federal sobre encomendas de até US$ 50 reduz preços em plataformas internacionais, reacende debate sobre concorrência com a indústria nacional e impacta arrecadação do governo.
O que muda com o fim da “taxa das blusinhas”
O governo federal oficializou nesta terça-feira (12) o fim da cobrança do imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas por meio do programa Remessa Conforme. A medida foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial da União por meio de uma Medida Provisória e de uma portaria do Ministério da Fazenda.
A decisão elimina a chamada “taxa das blusinhas”, criada em 2024, que incidia sobre compras feitas em plataformas internacionais como Shein, Shopee e AliExpress.
Na prática, consumidores brasileiros devem perceber queda imediata nos preços dos produtos importados.
Especialistas em comércio exterior e mercado financeiro avaliam que a retirada da tributação federal reduz significativamente o custo final das encomendas internacionais de pequeno valor.
Produtos importados devem ficar mais baratos imediatamente
Segundo analistas ouvidos pelo mercado, o impacto da mudança tende a ser quase instantâneo nas plataformas digitais.
Além do fim do imposto federal, outro fator ajuda a baratear as compras internacionais: a valorização do real frente ao dólar em 2026. A moeda norte-americana encerrou o dia cotada abaixo de R$ 5, alcançando o menor patamar em mais de dois anos.
A combinação entre dólar mais fraco e fim da tributação federal reduz diretamente o preço pago pelo consumidor brasileiro.
Os marketplaces internacionais também devem atualizar rapidamente seus sistemas para remover a cobrança automática do imposto no momento da compra.
Como funcionava a cobrança antes da revogação
Antes da decisão do governo, compras internacionais de até US$ 50 eram taxadas em duas etapas:
Primeiro, havia a incidência do imposto federal de importação de 20%.
Depois, era aplicado o ICMS estadual, que varia entre 17% e 20%, dependendo da unidade da federação.
Exemplo de cobrança antes da mudança
Uma compra de US$ 50 recebia inicialmente o acréscimo do imposto federal, subindo para US$ 60.
Com a aplicação do ICMS sobre o valor total, o custo final chegava a aproximadamente US$ 72,29, equivalente a cerca de R$ 354 na cotação atual.
Quanto o consumidor deve economizar agora
Com o fim do imposto federal, permanece apenas a cobrança do ICMS estadual.
Exemplo de cobrança após a revogação
Sem o imposto de importação, uma compra de US$ 50 terá somente a incidência do ICMS.
Nesse caso, o valor final cai para aproximadamente US$ 60,24 — cerca de R$ 295 na cotação atual.
Isso representa uma redução próxima de R$ 60 em uma única compra internacional de pequeno valor.
Entenda o cálculo do ICMS “por dentro”
O ICMS aplicado nas compras internacionais utiliza o chamado cálculo “por dentro”.
Isso significa que o próprio imposto integra a base de cálculo da tributação.
Na prática, em vez de simplesmente adicionar 17% ao valor da compra, o cálculo divide o preço original por 0,83. Dessa forma, o tributo incide sobre ele mesmo, elevando o valor final.
Mesmo sem o imposto federal, o ICMS continuará encarecendo as compras internacionais feitas pelos brasileiros.
Estados seguem cobrando ICMS sobre importações
Apesar da revogação da taxa federal, os estados continuam tributando as encomendas internacionais.
As alíquotas variam entre 17% e 20%, dependendo da unidade da federação.
Em abril de 2025, dez estados aumentaram o ICMS sobre importações internacionais de pequeno valor, elevando a cobrança de 17% para 20%.
A decisão foi tomada pelo Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda (Comsefaz), sob o argumento de fortalecer a competitividade da indústria brasileira frente aos produtos importados.
Estados com ICMS maior sobre compras internacionais
As unidades federativas que adotaram alíquota de 20% passaram a aplicar uma tributação mais elevada sobre compras em plataformas estrangeiras.
Isso significa que o impacto do fim da taxa federal será diferente dependendo do estado onde o consumidor mora.
Nos estados que mantiveram ICMS em 17%, o desconto tende a ser maior.
Já nas regiões que adotaram os 20%, o peso da tributação estadual continua mais significativo.

Indústria nacional reage contra decisão do governo
A revogação da taxa provocou forte reação de entidades empresariais brasileiras.
A Associação Brasileira do Varejo Têxtil classificou a medida como um “grave retrocesso econômico” e afirmou que a decisão prejudica empresas nacionais que enfrentam elevada carga tributária.
Segundo representantes do setor, a tributação sobre produtos importados ajudava a equilibrar a concorrência entre varejistas brasileiros e plataformas internacionais.
Empresários afirmam que o fim da taxa amplia a concorrência com produtos asiáticos de baixo custo.
Governo perde arrecadação bilionária
A chamada “taxa das blusinhas” também representava uma importante fonte de arrecadação para o governo federal.
Dados da Receita Federal mostram que:
Em 2025, o imposto arrecadou cerca de R$ 5 bilhões.
Nos quatro primeiros meses de 2026, a arrecadação já somava R$ 1,78 bilhão, recorde para o período.
O valor ajudava a equipe econômica na tentativa de cumprir a meta fiscal estabelecida para este ano.
Impacto nas contas públicas preocupa economistas
Especialistas avaliam que a retirada da tributação pode dificultar ainda mais o equilíbrio das contas públicas.
A meta fiscal de 2026 prevê um superávit equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em aproximadamente R$ 34,3 bilhões.
No entanto, o próprio governo já trabalha com projeções de déficit elevado, mesmo considerando mecanismos autorizados pelo arcabouço fiscal.
A perda de arrecadação aumenta a pressão sobre o Ministério da Fazenda em um cenário de despesas elevadas e crescimento limitado das receitas.
Por que a “taxa das blusinhas” foi criada
A tributação foi aprovada pelo Congresso Nacional e entrou em vigor em agosto de 2024.
O objetivo declarado era combater o crescimento acelerado das importações de pequeno valor, principalmente vindas da China, além de proteger a indústria e o varejo nacionais.
Na época, consumidores criticaram a medida por encarecer produtos baratos vendidos em plataformas internacionais.
Já setores empresariais brasileiros defendiam a taxação como forma de garantir maior equilíbrio tributário.
Debate sobre proteção da indústria continua
Economistas apontam que a discussão sobre taxação de importados não acontece apenas no Brasil.
Países da União Europeia e os Estados Unidos também passaram a discutir mecanismos para limitar a entrada de produtos estrangeiros de baixo custo.
O argumento central é proteger empregos, produção nacional e arrecadação tributária.
Por outro lado, consumidores defendem preços menores e maior acesso a produtos importados.
Compras internacionais devem crescer novamente
Com a retirada do imposto federal, especialistas projetam uma nova alta no volume de compras internacionais realizadas pelos brasileiros.
Plataformas asiáticas devem voltar a ganhar competitividade no mercado nacional, especialmente nos segmentos de roupas, acessórios, eletrônicos e itens de baixo valor.
A tendência é que consumidores retomem compras que haviam diminuído após a criação da tributação em 2024.
Cenário eleitoral também entra no debate
A decisão do governo ocorre a poucos meses das eleições de 2026 e já movimenta discussões políticas e econômicas.
Analistas avaliam que a medida possui forte apelo popular, principalmente entre consumidores mais jovens e usuários frequentes de plataformas internacionais de e-commerce.
Ao mesmo tempo, entidades empresariais pressionam por novas medidas de proteção ao varejo e à indústria brasileira.
O que continua valendo para compras internacionais
Mesmo com o fim da taxa federal, algumas regras permanecem em vigor:
O ICMS estadual continua sendo cobrado.
Compras acima de US$ 50 seguem sujeitas às regras tradicionais de importação.
As encomendas precisam continuar dentro do programa Remessa Conforme para terem tributação simplificada.
Consumidor deve acompanhar mudanças nos preços
A expectativa do mercado é de que as plataformas internacionais ajustem rapidamente os preços exibidos aos consumidores brasileiros.
Em muitos casos, a redução já pode ser percebida diretamente no checkout das compras internacionais.
A diferença tende a ser mais perceptível em produtos de menor valor, justamente os mais populares entre consumidores brasileiros.








































































































