Geiza Soares, de 35 anos, chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo a mãe, o suspeito não aceitava a rejeição e era “obcecado” pela vítima. Justiça decretou a prisão temporária do homem, que segue sendo procurado.
Família nega relacionamento e diz que vítima era perseguida
A morte da corretora de imóveis Geiza Soares, de 35 anos, em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, comoveu familiares e amigos e trouxe à tona relatos de perseguição antes do crime. Segundo a mãe da vítima, Maria Alves Patez, a filha não teve um relacionamento amoroso com o suspeito, Vinícius Brito, de 31 anos, investigado por matar Geiza com uma facada.
De acordo com a família, os dois se conheciam havia cerca de seis meses, mas Geiza já demonstrava medo do comportamento do homem. A mãe afirmou que a filha dizia estar sendo perturbada e que temia que algo grave pudesse acontecer.
“Ela falava assim: ‘mãe, esse Vinícius está me perturbando, mãe, ele vai acabar fazendo alguma coisa comigo’. Ela fugia dele, dizia que não era dele, só que ele era obcecado por ela. A parte pior foi essa”, relatou Maria.
A Justiça decretou a prisão temporária de Vinícius Brito, mas ele permanecia foragido até a publicação da reportagem de base.
Geiza chegou a ser socorrida, mas não resistiu
Geiza foi atacada com uma facada em Itaquera. Após o crime, ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. O caso é investigado pelas autoridades como mais um episódio de violência contra a mulher na capital paulista.
A morte da corretora provocou forte comoção entre pessoas próximas. Familiares e amigos se reuniram na segunda-feira (6) para se despedir da vítima no Cemitério de Itaquera, também na Zona Leste de São Paulo.
Para a família, o sentimento é de revolta diante da brutalidade do crime e da perda repentina de uma mulher descrita como alegre, ativa e muito próxima dos parentes.
Irmã lamenta perda e diz que suspeito “não tinha direito” de tirar a vida da vítima
A irmã de Geiza, Larissa Soares, falou sobre a personalidade da corretora e lamentou a violência que interrompeu a vida dela. Segundo Larissa, Geiza gostava de aproveitar a vida, viajar, passear e estar com a família.
“A Geiza gostava de viver, de viajar, de curtir, de passear. Ele não tinha e nunca teve o direito de fazer isso. Ele não podia ter tirado ela de mim, da minha família, da filha dela”, afirmou.
O relato reforça a dor dos familiares, que agora cobram justiça e aguardam a localização do suspeito. A vítima deixa uma filha.
Suspeito teve prisão temporária decretada
O suspeito do crime, Vinícius Brito, de 31 anos, teve a prisão temporária decretada pela Justiça. A medida permite que ele seja preso durante as investigações, enquanto a polícia apura as circunstâncias da morte de Geiza.
Até a última atualização da reportagem original, ele ainda não havia sido localizado.
A polícia segue investigando o caso para esclarecer a dinâmica do crime, ouvir testemunhas e reunir elementos que ajudem a responsabilizar o autor da agressão.
Caso ocorre em meio ao aumento dos feminicídios em São Paulo
A morte de Geiza Soares ocorre em um cenário de preocupação com o crescimento dos feminicídios no estado de São Paulo. Entre janeiro e maio, foram registrados 125 feminicídios, número que representa um aumento de quase 16% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O feminicídio é caracterizado quando uma mulher é assassinada em razão da condição de gênero, geralmente em contextos de violência doméstica, familiar, perseguição, controle, ameaça ou menosprezo à vida da mulher.
Casos como o de Geiza evidenciam a importância de medidas de prevenção, acolhimento das vítimas e resposta rápida das autoridades diante de sinais de risco.
Cadastro Nacional de Condenados por Violência contra a Mulher começa a valer neste mês
Ainda neste mês, começa a valer o Cadastro Nacional de Condenados por Violência contra a Mulher, ferramenta criada para reunir informações sobre pessoas condenadas por esse tipo de crime.
A proposta é facilitar o acesso ao histórico de condenações de agressores e contribuir para a prevenção da reincidência. A medida, no entanto, é vista por especialistas como parte de um conjunto mais amplo de ações necessárias para enfrentar a violência de gênero.
A promotora de Justiça Vanessa Almeida, do Ministério Público de São Paulo, destacou que o cadastro pode ajudar, mas não resolve sozinho o problema.
“A ideia desse cadastro é isso, é diminuir a reiteração, é diminuir os casos de violência, mas ele, sozinho, não pode ser visto como uma bala de prata, que vai resolver todos esses problemas. A violência contra a mulher é um problema complexo, então a gente precisa de ações da polícia, do Ministério Público e do Judiciário”, afirmou.
Segundo ela, o enfrentamento ao feminicídio exige uma combinação de medidas. “Nós temos que trabalhar com uma somatória de medidas pra que a gente consiga dar conta desse fenômeno”, completou.
Mãe tenta lidar com a ausência da filha
Sem conseguir compreender a dimensão da perda, a mãe de Geiza agora tenta conviver com a ausência da filha. Maria relembrou momentos simples da rotina das duas, como as visitas pela manhã para tomar café.
“Eu vou lembrar dela… Toda hora ela vindo aqui tomar café em casa de manhã cedo. Ela tomava café aqui, saía da casa dela e vinha pra cá. Essa parte é a parte pior”, disse.
A lembrança revela o impacto íntimo da violência na vida das famílias. Para além das estatísticas, a morte de Geiza deixa uma filha, parentes e amigos marcados por uma perda irreparável.
Violência contra a mulher exige denúncia e proteção
Especialistas reforçam que situações de perseguição, ameaça, controle, obsessão e insistência diante de rejeição devem ser tratadas como sinais de alerta. Em casos de risco, a vítima ou pessoas próximas podem buscar ajuda por meio dos canais de denúncia e proteção.
O caso de Geiza Soares segue em investigação. A família espera que o suspeito seja localizado e responsabilizado pela morte da corretora.
A morte da vítima, segundo os relatos familiares, foi precedida por medo, perseguição e insistência do suspeito, elementos que reforçam a necessidade de atenção aos sinais de violência antes que eles se transformem em tragédia.








































































































