Laudos feitos após a exumação descartaram homicídio e apontaram que Bárbara Jankavski Marquez morreu de forma acidental por intoxicação associada ao consumo de cocaína e álcool, segundo a Promotoria
Ministério Público pede arquivamento do caso
O Ministério Público de São Paulo pediu o arquivamento do inquérito que apura a morte da influenciadora digital Bárbara Jankavski Marquez, conhecida nas redes sociais como “Barbie Humana”. Ela foi encontrada morta em 2 de novembro de 2025, em uma residência no bairro da Lapa, na Zona Oeste da capital paulista.
Segundo a Promotoria, os novos laudos periciais produzidos após a exumação do corpo afastaram a hipótese de morte violenta. A conclusão apresentada pelo MP é de que a influenciadora morreu de forma acidental, em decorrência de uma intoxicação por uso de droga associada ao consumo de álcool.
O pedido de arquivamento foi feito em 28 de junho de 2026 e ainda precisa ser analisado pela Justiça. Caso o Judiciário concorde com a manifestação do Ministério Público, a investigação será encerrada. Se houver discordância, a decisão poderá ser encaminhada para revisão interna da Procuradoria-Geral do MP-SP.
Laudos afastam homicídio e morte violenta
A manifestação do Ministério Público se baseia principalmente no laudo necroscópico complementar, elaborado pela Polícia Técnico-Científica após a exumação do corpo de Bárbara.
De acordo com a Promotoria, o exame descartou sinais de asfixia, estrangulamento, compressão do pescoço ou qualquer outra forma de violência física que pudesse ter causado a morte.
Os peritos também não identificaram lesões traumáticas capazes de provocar o óbito. Uma lesão observada em um dos olhos da influenciadora foi considerada compatível com uma queda, mas não foi apontada como determinante para a morte.
Com isso, o MP concluiu que não há elementos mínimos para sustentar denúncia por homicídio, lesão corporal ou omissão de socorro, hipóteses que chegaram a ser investigadas ao longo do caso.
Causa da morte foi intoxicação por cocaetileno
Segundo a perícia, Bárbara morreu após sofrer um infarto fulminante provocado por intoxicação exógena aguda por cocaetileno.
O cocaetileno é uma substância formada no organismo quando há combinação de cocaína com álcool. Conforme a análise pericial, essa substância é mais tóxica ao coração e ao sistema nervoso do que a cocaína consumida isoladamente.
A substância pode provocar arritmias, parada cardíaca e morte súbita. Para a Promotoria, a conclusão técnica reforça que não houve ação humana direta responsável pelo óbito.
O Ministério Público afirmou que a prova pericial é conclusiva ao afastar a hipótese de crime e que não há justa causa para oferecer denúncia contra qualquer investigado.
Influenciadora estava na casa de defensor público
Bárbara Jankavski Marquez tinha 31 anos quando foi encontrada morta na casa do defensor público Renato de Vitto, de 51 anos, na Zona Oeste de São Paulo.
Segundo a investigação, a influenciadora havia sido contratada por ele como garota de programa. Os dois teriam mantido relações sexuais antes da morte. Outras duas pessoas, um homem e uma mulher, amigos do defensor, também estiveram na residência.
Ainda conforme a apuração, o grupo consumiu cocaína, cachaça, cerveja e energético. Depois disso, Bárbara dormiu e não acordou mais.
Renato acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu, que enviou uma ambulância ao local. A equipe constatou a morte da influenciadora.
O defensor público chegou a ser investigado pela Polícia Civil. Após o episódio, ele pediu afastamento da Defensoria Pública, alegando questões médicas relacionadas ao estresse traumático provocado pela morte de Bárbara.
Relatos contraditórios foram analisados
Durante a investigação, um laudo do Instituto de Criminalística sobre imagens das câmeras corporais dos policiais militares que atenderam a ocorrência apontou relatos contraditórios de testemunhas no local.
As imagens indicaram mudanças de versão ao longo do atendimento médico e policial. Apesar disso, a Polícia Civil e o Ministério Público entenderam que as inconsistências não eram suficientes para sustentar a hipótese de homicídio.
Segundo a Promotoria, testemunhas não relataram agressões ou conflitos antes da morte da influenciadora. Além disso, os exames periciais não apontaram marcas compatíveis com violência letal.
Caso saiu do Tribunal do Júri
Antes do pedido de arquivamento, o caso já havia sido retirado do Tribunal do Júri.
Em 12 de junho de 2026, a Justiça acolheu manifestação do próprio Ministério Público, que afirmou não haver indícios de crime doloso contra a vida. Com isso, a investigação deixou de tramitar como possível homicídio e foi enviada para uma vara criminal comum.
Na nova manifestação, o MP reforçou que não há base para denunciar qualquer pessoa. Para a Promotoria, a ausência de elementos mínimos de crime impede o prosseguimento da ação penal.
Investigação passou pelo 7º DP e pelo DHPP
O caso começou a ser investigado pelo 7º Distrito Policial, na Lapa, e depois passou para o Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa, o DHPP.
As apurações concluíram que não houve crime na morte da influenciadora. Ainda assim, o Ministério Público ressaltou que a investigação poderá ser reaberta caso surjam novas provas.
Essa possibilidade existe quando novos elementos relevantes aparecem após o arquivamento e são capazes de alterar a compreensão sobre os fatos investigados.
Quem era a ‘Barbie Humana’
Bárbara Jankavski Marquez ficou conhecida nas redes sociais como “Barbie Humana” por publicar conteúdos sobre estética corporal, procedimentos estéticos e aparência inspirada na boneca Barbie.
Ela também usava o apelido de “Boneca Desumana” e reunia mais de 400 mil seguidores, considerando Instagram e TikTok.
Segundo a própria influenciadora, ela passou por 27 cirurgias plásticas e investiu mais de R$ 300 mil em procedimentos para se parecer com a boneca.
Justiça ainda precisa decidir sobre arquivamento
Apesar do pedido do Ministério Público, o caso ainda não está oficialmente encerrado. A Justiça precisa analisar a manifestação da Promotoria e decidir se concorda com o arquivamento.
Se o pedido for aceito, o inquérito será encerrado sem denúncia. Caso a Justiça discorde, o procedimento poderá ser enviado para revisão dentro do próprio Ministério Público.
Até o momento, o entendimento da Promotoria é de que Bárbara Jankavski Marquez não foi vítima de homicídio e que sua morte ocorreu de forma acidental, provocada por intoxicação decorrente da combinação de cocaína e álcool.








































































































