Procissão em Teerã reúne milhares de pessoas vestidas de preto, exibe mensagens contra Trump e Israel e ocorre enquanto o país negocia o fim definitivo da guerra
Multidão toma as ruas de Teerã em funeral de Khamenei
Milhares de pessoas vestidas de preto tomaram as ruas de Teerã nesta segunda-feira (6) durante a procissão em homenagem ao aiatolá Ali Khamenei, ex-líder supremo do Irã. O funeral reuniu uma multidão ao longo de avenidas da capital iraniana e foi apresentado pela teocracia do país como uma demonstração de força em meio a um momento de tensão política e militar.
O caixão de Khamenei, coberto com a bandeira iraniana, foi transportado sobre um caminhão decorado para lembrar a estrutura ornamental de santuários religiosos xiitas. Também estavam no veículo caixões de membros de sua família mortos no mesmo ataque.
Segundo a Reuters, imagens de drones exibidas pela televisão estatal iraniana mostraram dezenas de milhares de pessoas concentradas em uma avenida no centro de Teerã durante a procissão. A cerimônia faz parte de uma semana de luto organizada pelas autoridades iranianas.
Ex-líder iraniano foi morto em ataque dos EUA e de Israel
Ali Khamenei morreu em 28 de fevereiro de 2026, aos 86 anos, durante ataques aéreos conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã. O bombardeio também matou familiares do aiatolá, incluindo uma filha, um genro, uma nora e um neto.
Khamenei havia comandado a República Islâmica por décadas e era uma das figuras mais influentes do Oriente Médio. Sua morte ocorreu no início da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, conflito que intensificou tensões regionais e provocou novas disputas sobre o programa nuclear iraniano, segurança no Golfo Pérsico e influência militar no Oriente Médio.
De acordo com a Reuters, autoridades iranianas já haviam informado que os atos fúnebres começariam em Teerã em 4 de julho e terminariam em 9 de julho, com o sepultamento em Mashhad, cidade natal de Khamenei.
Funeral tem gritos e cartazes contra Trump e Israel
A procissão foi marcada por manifestações de raiva contra os Estados Unidos e Israel. Participantes carregaram cartazes e faixas contra o presidente americano, Donald Trump, e contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Durante o cortejo, manifestantes também queimaram bandeiras dos Estados Unidos e do Reino Unido, enquanto grupos exibiam mensagens em inglês pedindo vingança pela morte de Khamenei. A Reuters relatou que algumas faixas e cartazes tinham imagens de líderes americanos e israelenses sob mira, além de mensagens associadas à ideia de retaliação.
O tom das manifestações reforça o clima de hostilidade entre Teerã, Washington e Tel Aviv. Para o governo iraniano, a morte de Khamenei foi resultado direto de uma ação militar estrangeira. Já autoridades israelenses afirmam que o ex-líder foi alvo por comandar políticas consideradas ameaças à segurança de Israel.
Governo iraniano tenta mostrar unidade nacional
A participação popular no funeral foi incentivada pelas autoridades iranianas como sinal de unidade e resistência. A grande presença de pessoas nas ruas ocorre em um momento delicado para o país, que ainda tenta consolidar um novo comando político após a morte do antigo líder supremo.
O funeral também teve forte simbolismo religioso. Em cerimônias xiitas, a despedida de líderes religiosos costuma reunir rituais públicos, manifestações de luto e referências históricas à ideia de martírio e resistência.
Em Teerã, autoridades interditaram ruas, restringiram o espaço aéreo e interromperam parte da rotina da capital para permitir a realização do cortejo. Equipes de segurança e funcionários usaram alto-falantes para orientar a multidão, pedindo que as pessoas caminhassem devagar, evitassem empurrões e permanecessem nas laterais da via.
Cortejo terá duração prolongada até o sepultamento
O cortejo em Teerã faz parte de uma série de cerimônias que seguirá por vários dias. Segundo autoridades iranianas, o corpo de Khamenei deve passar por diferentes cidades antes do sepultamento.
Após as homenagens na capital, os restos mortais seriam levados para Qom, importante centro religioso xiita no Irã. Depois, a programação inclui cerimônias nas cidades sagradas de Najaf e Karbala, no Iraque, antes do retorno ao território iraniano.
O sepultamento está previsto para quinta-feira (9), em Mashhad, cidade natal de Khamenei, no santuário do Imã Reza, um dos locais mais importantes de devoção para os xiitas no Irã.
Sucessor Mojtaba Khamenei segue fora de aparições públicas
Um dos pontos que mais chamou atenção durante as cerimônias foi a ausência de Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei e escolhido como novo líder supremo do Irã.
Segundo a Reuters, três filhos do ex-líder apareceram publicamente para rezar ao lado do caixão do pai, mas Mojtaba não foi visto. A ausência alimenta especulações sobre sua saúde, segurança e capacidade de projetar autoridade no início do novo comando religioso e político do país.
Mojtaba teria ficado ferido no ataque que matou o pai e, desde então, não apareceu em público. Autoridades iranianas alegam razões de segurança para sua ausência, enquanto fontes citadas pela Reuters afirmam que ele segue envolvido em decisões do Estado e estaria se recuperando dos ferimentos.
Novo líder enfrenta desafio de consolidar autoridade
A ausência pública de Mojtaba Khamenei ocorre em um momento sensível. Diferentemente do pai, que dominou a vida política iraniana por quase quatro décadas, Mojtaba construiu sua trajetória de forma mais reservada, com forte influência nos bastidores e proximidade com setores de segurança.
Antes de assumir o posto de líder supremo, ele nunca havia ocupado formalmente um cargo de governo. Ainda assim, era visto como uma figura influente dentro da estrutura política iraniana, especialmente por seus laços com a Guarda Revolucionária.
Segundo a Reuters, fontes iranianas afirmaram que a Guarda Revolucionária apoiou sua ascensão ao cargo, apesar de resistências de setores políticos e religiosos que viam com preocupação a ideia de um filho suceder o pai na chefia máxima de uma república nascida após a queda de uma monarquia hereditária.
Funeral ocorre em meio a negociações de paz
As cerimônias fúnebres também acontecem enquanto Irã e Estados Unidos discutem um acordo definitivo para encerrar a guerra iniciada após os ataques de fevereiro.
O conflito terminou com um acordo preliminar no mês passado, mas ainda há pontos em negociação. O governo iraniano afirma ter saído fortalecido ao manter sua liderança clerical no poder e ao demonstrar capacidade de influência sobre rotas estratégicas de energia, como o Estreito de Ormuz.
Donald Trump também reivindicou vitória, embora parte dos objetivos anunciados no início da ofensiva, como destruir capacidades nucleares e militares iranianas e criar condições para mudança de regime, ainda não tenha sido plenamente alcançada, segundo avaliação da Reuters.
O próprio Trump afirmou que as negociações de paz com o Irã foram adiadas por uma semana devido às cerimônias de funeral.
Israel promete agir contra novas ameaças
Em meio ao funeral, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que Ali Khamenei foi morto porque liderava planos para destruir Israel. Katz também declarou que qualquer líder iraniano que volte a perseguir esse objetivo poderá ser alvo.
A fala amplia o clima de tensão regional e mostra que, mesmo com negociações em andamento, a disputa entre Irã e Israel permanece longe de uma solução definitiva.
O Irã, por sua vez, nega acusações de planos diretos contra líderes americanos, embora ameaças contra Trump e outros integrantes do governo dos Estados Unidos sejam monitoradas há anos por autoridades americanas, especialmente desde o assassinato do general Qassem Soleimani em 2020.
Luto público reforça peso político da morte de Khamenei
O funeral de Ali Khamenei representa mais do que uma despedida religiosa. A mobilização popular em Teerã funciona também como um ato político em um país que busca demonstrar força interna após uma guerra devastadora e a perda de seu principal líder.
As imagens de multidões nas ruas, os caixões cobertos pela bandeira iraniana e os discursos de vingança mostram como a morte do aiatolá segue sendo usada pelo regime para reforçar unidade, resistência e rejeição às potências estrangeiras.
Ao mesmo tempo, a ausência pública de Mojtaba Khamenei mantém dúvidas sobre o futuro da liderança iraniana. O novo líder supremo terá de consolidar autoridade, lidar com pressões internas e conduzir negociações externas em um cenário de forte instabilidade.

Irã encerra semana de despedidas sob tensão internacional
As homenagens a Khamenei devem continuar até quinta-feira (9), quando está previsto o sepultamento em Mashhad. Até lá, o funeral seguirá como um dos maiores eventos políticos e religiosos recentes do Irã.
A multidão reunida em Teerã mostrou a força simbólica do ex-líder e o peso de sua morte para o regime. Mas também expôs a profundidade da tensão entre Irã, Estados Unidos e Israel.
Com negociações de paz ainda em aberto, ameaças cruzadas e um novo líder supremo fora de vista, o país encerra a despedida de Khamenei sem sinais claros de estabilidade.








































































































