Operação Exchange cumpre mandados em São Paulo, prende sete pessoas e investiga esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional; um dos principais alvos continua foragido.
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (3), a Operação Exchange, que tem como objetivo desarticular uma organização criminosa suspeita de movimentar recursos provenientes do tráfico internacional de drogas por meio de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. Até o momento, sete pessoas foram presas, entre elas Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que foi alvo de sanções do governo dos Estados Unidos nesta semana por suspeita de envolvimento com uma rede ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Já o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como um dos principais investigados, não foi localizado e é considerado foragido.
Operação mira organização especializada em lavagem de dinheiro
A Operação Exchange mobilizou mais de 50 agentes federais para cumprir 11 mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão.
As ordens judiciais foram expedidas pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo e são cumpridas em endereços localizados na capital paulista, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.
Além das prisões, a Justiça determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados, limitados ao montante de R$ 10,4 bilhões, considerado o maior patrimônio bloqueado na investigação.
Segundo a Polícia Federal, o grupo utilizava uma estrutura financeira complexa para ocultar a origem ilícita dos recursos, realizando movimentações por meio de criptomoedas, operações bancárias de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e transferências entre pessoas físicas e jurídicas.
Os investigados poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Stella foi presa; Victor Shimada continua foragido
Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada pelas autoridades norte-americanas como secretária e pessoa de confiança de Victor Henrique de Oliveira Shimada.
De acordo com as investigações, ambos utilizavam apelidos para dificultar a atuação das autoridades. Shimada era conhecido como “Japa”, enquanto Stella utilizava o codinome “Lara Croft”.
Segundo a acusação, Stella era responsável por organizar a coleta de grandes quantias em dinheiro, enquanto Shimada fazia a ligação entre operadores financeiros e traficantes ligados ao PCC.
A defesa de Victor informou que ainda não teve acesso às decisões judiciais e aos elementos da investigação, afirmando que qualquer manifestação neste momento seria precipitada.

EUA aplicaram sanções contra brasileiros nesta semana
Na última quarta-feira (1º), o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções econômicas contra Victor Shimada, Stella Stefanie e três empresas brasileiras.
Segundo o governo norte-americano, eles fariam parte de uma rede internacional de lavagem de dinheiro utilizada pelo PCC para movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas.
Como consequência das sanções, todos os bens eventualmente existentes nos Estados Unidos em nome dos investigados foram bloqueados, assim como empresas controladas direta ou indiretamente por eles.
O governo dos EUA afirma que Shimada teria lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos utilizando criptomoedas para enviar dinheiro aos integrantes da facção criminosa no Brasil.
Investigação brasileira não aponta que Shimada integra o PCC
Embora seja investigado por lavagem de dinheiro, a investigação conduzida pelas autoridades brasileiras não afirma que Victor Shimada seja integrante do PCC.
Os relatórios policiais indicam que o empresário aparece em um fluxo financeiro que envolve empresas e pessoas citadas em investigações relacionadas à facção criminosa.
Segundo a Polícia Civil de São Paulo, a empresa Victory Trading, da qual Shimada é sócio, realizou movimentações financeiras com empresas investigadas em outros inquéritos, incluindo organizações mencionadas na delação premiada de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach.
As autoridades sustentam que há indícios de participação em operações financeiras destinadas à ocultação de recursos ilícitos, mas a apuração brasileira não conclui que o empresário pertença formalmente à organização criminosa.
Nome de Shimada também aparece no caso VaideBet
Victor Shimada também figura entre os investigados no caso que apura supostos desvios envolvendo o contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas VaideBet.
Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público, a empresa Victory Trading integra uma cadeia financeira utilizada para movimentar recursos investigados no caso.
As investigações apontam que valores passaram por diversas empresas até chegarem à Victory Trading e posteriormente à UJ Football Talent, empresa mencionada em outras apurações envolvendo operadores financeiros ligados ao PCC.
Por esse motivo, Shimada responde também a uma denúncia por lavagem de dinheiro relacionada ao caso.
Secretária não possui antecedentes criminais
Diferentemente de Shimada, Stella Stefanie não possui antecedentes criminais nem responde a outros processos na Justiça brasileira.
Ainda assim, os Estados Unidos afirmam que ela desempenhava papel importante na logística financeira da organização, atuando na coleta e movimentação de grandes quantias em dinheiro utilizadas no esquema investigado.
Até a publicação desta reportagem, sua defesa não havia se manifestado sobre a operação.
PCC foi classificado como organização terrorista pelos EUA
As sanções fazem parte da primeira ofensiva do governo norte-americano após a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais.
Segundo o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, o PCC representa atualmente uma das maiores organizações criminosas transnacionais do hemisfério ocidental e utiliza empresas e operadores financeiros para movimentar recursos ilícitos dentro e fora do território americano.
A Operação Exchange ocorre dois dias após a aplicação dessas sanções e reforça a cooperação entre autoridades brasileiras e norte-americanas no combate à lavagem internacional de dinheiro.








































































































