Jornal americano afirma que presidente dos Estados Unidos ligou para Gianni Infantino para pedir a anulação da suspensão do atacante; Bélgica critica processo e Uefa fala em risco à credibilidade do torneio
Polêmica envolvendo Balogun ganha novo capítulo na Copa
A liberação de Folarin Balogun para defender os Estados Unidos nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 ganhou contornos ainda mais polêmicos nesta segunda-feira (6). Segundo o jornal americano The New York Times, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria telefonado para Gianni Infantino, presidente da Fifa, para pedir a revogação da suspensão automática do atacante americano.
Balogun havia sido expulso na vitória dos Estados Unidos sobre a Bósnia, pela segunda fase do Mundial. Pelo regulamento, o cartão vermelho geraria uma suspensão automática de um jogo, tirando o jogador da partida contra a Bélgica, marcada para esta segunda-feira, às 21h, pelo horário de Brasília.
No entanto, o Comitê Disciplinar da Fifa decidiu suspender a aplicação da punição, permitindo que o atacante fique à disposição do técnico Mauricio Pochettino.
A decisão provocou forte reação da Bélgica, da Uefa, de ex-jogadores e de setores da imprensa internacional.
Trump teria pedido pessoalmente reversão da suspensão
De acordo com a publicação americana, a ligação de Trump para Infantino não teria sido a única movimentação do governo dos Estados Unidos no caso. Advogados também teriam sido acionados em conjunto com Howard Lutnick, secretário de Comércio americano, e Scott Goodwin, doador da federação de futebol dos EUA e gestor de fundos de investimento.
A articulação teria pressionado a Fifa a rever a punição aplicada a Balogun.
Pouco depois do anúncio da entidade, Trump usou as redes sociais para agradecer publicamente à Fifa. O presidente americano afirmou que a entidade havia “feito a coisa certa” ao reverter o que chamou de “grande injustiça”.
A manifestação aumentou ainda mais as suspeitas de interferência política em uma decisão esportiva que já era considerada incomum.
Expulsão aconteceu contra a Bósnia
Balogun foi expulso durante a partida entre Estados Unidos e Bósnia, vencida pelos americanos por 2 a 0. O lance ocorreu no segundo tempo, após uma entrada dura do atacante sobre o zagueiro bósnio Tarik Muharemović.
Inicialmente, o árbitro brasileiro Raphael Claus analisou a jogada. Depois de rever o lance no VAR, decidiu aplicar o cartão vermelho ao jogador americano.
Com três gols no Mundial, Balogun é o artilheiro da seleção dos Estados Unidos na Copa e seria um desfalque importante para a equipe nas oitavas de final.
A suspensão automática, porém, acabou sendo suspensa pela Fifa com base no Artigo 27 do Código Disciplinar da entidade, que prevê que o órgão judicial pode suspender total ou parcialmente a aplicação de uma medida disciplinar.
Fifa suspende punição por um ano em período probatório
A decisão da Fifa não apagou o cartão vermelho, mas suspendeu a aplicação da punição automática por um período probatório de um ano.
Na prática, Balogun fica liberado para enfrentar a Bélgica, mas a suspensão pode voltar a ser aplicada caso haja novo episódio disciplinar dentro do período estabelecido pela entidade.
O comunicado da Fifa afirma que, por força do Artigo 27 do Código Disciplinar, a implementação da suspensão automática de jogos para Folarin Balogun fica suspensa por um período probatório de um ano.
A explicação, porém, não convenceu adversários e entidades do futebol europeu. Para críticos da decisão, a suspensão por cartão vermelho é uma consequência automática e não deveria ser flexibilizada durante a competição, especialmente em uma fase eliminatória.
Bélgica contesta decisão e acusa Fifa de criar obstáculo ao recurso
A Federação de Futebol da Bélgica reagiu com irritação. A entidade enviou uma reclamação formal à Fifa pedindo uma cópia da decisão, explicações sobre o processo adotado e os fundamentos usados para liberar Balogun.
Segundo os belgas, a resposta da Fifa foi considerar a carta como um recurso formal. A entidade informou que um juiz havia sido nomeado e que a federação belga teria apenas algumas horas para completar o processo.
A Bélgica afirma que não recebeu a decisão fundamentada nem o relatório da arbitragem sobre a expulsão. Por isso, argumenta que foi obrigada a elaborar sua contestação com informações incompletas.
Em nota, a federação belga disse que a Fifa criou um recurso e, ao mesmo tempo, estabeleceu condições para que ele fosse considerado inadmissível.
Federação belga fala em falta de transparência
A Bélgica também afirmou que a Fifa retirou da reunião de coordenação da partida a parte referente à suspensão automática de jogadores. Segundo a federação, esse tópico havia sido tratado nas reuniões anteriores das quatro partidas disputadas pela seleção belga no torneio.
A entidade questionou a Fifa verbalmente e por escrito sobre a mudança, mas disse não ter recebido resposta.
Para os belgas, o episódio compromete princípios fundamentais de ética, competição justa e igualdade esportiva. A federação ainda pode recorrer à Corte Arbitral do Esporte, a CAS, instância máxima da justiça esportiva.
Até o momento, porém, não havia confirmação de que a Bélgica seguiria por esse caminho antes da partida contra os Estados Unidos.
Uefa critica Fifa e fala em “linha vermelha”
A Uefa também entrou na polêmica. Em nota oficial, a entidade europeia fez duras críticas à Fifa e afirmou que a decisão de suspender a punição automática de Balogun “cruzou uma linha vermelha”.
Para a Uefa, a suspensão mínima de um jogo após cartão vermelho não deve ser tratada como uma medida opcional ou flexível. A entidade argumenta que outros jogadores expulsos durante a Copa cumpriram suas suspensões normalmente, e que abrir uma exceção durante o torneio fere o princípio de igualdade.
A confederação europeia classificou a decisão como inédita, incompreensível e injustificável.
No comunicado, a Uefa afirmou que o futebol se baseia em regras claras, usadas para garantir uma competição justa, honesta e transparente. Segundo a entidade, quando a certeza das regras deixa de ser garantida por seus responsáveis, a integridade do jogo fica em risco e a credibilidade da competição é prejudicada.
Caso gera críticas de nomes importantes do futebol
A decisão da Fifa também repercutiu entre ex-jogadores, técnicos e representantes do futebol internacional. A imprensa europeia tratou o caso como um escândalo e uma das maiores polêmicas da Copa até agora.
O técnico da Bélgica, Rudi Garcia, demonstrou irritação com a liberação do atacante americano e ironizou a situação. Já o técnico dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino, defendeu a anulação da suspensão, afirmando que sua equipe já havia sido punida o suficiente pela expulsão durante a partida contra a Bósnia.
Ex-jogadores e treinadores também criticaram a condução da Fifa. A principal preocupação é que a decisão crie um precedente para novos pedidos de reversão de suspensões durante o restante da competição.
Scott Goodwin nega interferência indevida
Citado como uma das pessoas envolvidas nas movimentações em favor de Balogun, Scott Goodwin respondeu às acusações e afirmou que a imprensa exagerou no tom ao tratar do envolvimento de integrantes ligados à federação americana.
Goodwin, fundador da Diameter Capital e apoiador da federação dos Estados Unidos, disse que ficou furioso com a expulsão, assim como milhões de americanos. Segundo ele, seu contato com a Federação de Futebol dos EUA ocorreu dentro do processo institucional.
Ele afirmou que foi informado de que a federação estava envolvida no processo junto ao Comitê Disciplinar Independente da Fifa e que esse trâmite precisava seguir seu curso.
Apesar da explicação, a dimensão política do caso cresceu após a informação de que Trump teria telefonado diretamente para Infantino.
Liberação muda cenário de Estados Unidos x Bélgica
Dentro de campo, a presença de Balogun altera o planejamento para o confronto contra a Bélgica. O atacante é o principal artilheiro dos Estados Unidos no Mundial e uma das peças mais importantes do sistema ofensivo de Mauricio Pochettino.
Sem ele, a seleção americana perderia poder de finalização, profundidade e presença na área. Com a liberação, os Estados Unidos mantêm seu principal nome ofensivo justamente em uma partida eliminatória.
Para a Bélgica, a decisão da Fifa não afeta apenas o aspecto jurídico. Ela também muda diretamente o equilíbrio esportivo do confronto.
Por isso, a federação belga insiste que a elegibilidade do jogador deve ser contestada, independentemente do resultado da partida.
Debate vai além do cartão vermelho
O caso Balogun deixou de ser apenas uma discussão sobre uma expulsão. A polêmica passou a envolver temas mais amplos, como transparência, influência política, independência da justiça esportiva e igualdade de tratamento entre seleções.
A presença de Trump no centro da controvérsia, segundo o relato do jornal americano, ampliou a repercussão internacional do episódio. A relação próxima entre Infantino e o presidente dos Estados Unidos também passou a ser observada com mais atenção.
A Copa do Mundo de 2026 é sediada por Estados Unidos, Canadá e México. Por isso, qualquer suspeita de favorecimento à seleção americana ganha ainda mais peso político e esportivo.
Fifa fica pressionada antes de jogo decisivo
A Fifa chega ao confronto entre Estados Unidos e Bélgica sob forte pressão. A entidade terá de lidar não apenas com a contestação belga, mas também com a crítica pública da Uefa e a reação de torcedores, imprensa e personagens importantes do futebol.
A decisão de suspender a punição de Balogun por um ano em período probatório foi juridicamente justificada pelo Código Disciplinar, mas a forma como o processo foi conduzido se tornou o principal ponto de desgaste.
Para a Bélgica, faltaram transparência, documentação e tempo adequado para contestar a medida. Para a Uefa, a decisão rompeu um princípio básico do futebol: a aplicação igualitária das regras.
Polêmica ameaça marcar a Copa de 2026
A liberação de Balogun pode se tornar uma das grandes controvérsias da Copa do Mundo de 2026. Caso o atacante participe do jogo e tenha papel decisivo contra a Bélgica, a discussão tende a crescer ainda mais.
Mesmo que os Estados Unidos sejam eliminados, o episódio já deixou marcas. A Fifa terá de explicar por que uma suspensão automática foi suspensa em meio ao torneio e por que o processo gerou tantas reclamações de falta de transparência.
A Copa do Mundo, maior competição do futebol, depende da confiança nas regras e na imparcialidade de suas decisões. O caso Balogun colocou justamente esses pilares em debate.








































































































