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Houthis anunciam bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita e ampliam guerra no Oriente Médio

Grupo aliado do Irã ameaça embarcações e rotas comerciais no Mar Vermelho em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos e Teerã. Estreitos de Bab el-Mandeb e Ormuz concentram riscos para o abastecimento mundial de petróleo.


Houthis anunciam bloqueio contra a Arábia Saudita

Os houthis, grupo armado do Iêmen apoiado pelo Irã, anunciaram nesta segunda-feira (20) a imposição de um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita.

A medida abre uma nova frente no conflito entre Estados Unidos e Irã e amplia os riscos para o transporte de petróleo, mercadorias e insumos pelo Oriente Médio.

Em comunicado, as forças houthis afirmaram que o embargo entrou em vigor imediatamente. O grupo apresentou a decisão como uma resposta ao que considera um bloqueio imposto pelos sauditas ao território iemenita.

Até a última atualização, o governo da Arábia Saudita não havia se manifestado oficialmente sobre o anúncio.

A declaração ocorre em um momento de ataques americanos contra cidades iranianas, ofensivas do Irã contra instalações militares dos Estados Unidos e tentativas diplomáticas para negociar uma nova interrupção das hostilidades.


Nova frente ameaça o Mar Vermelho

O anúncio dos houthis aumenta a preocupação com a navegação no Estreito de Bab el-Mandeb, passagem localizada entre o Iêmen e o nordeste da África.

O estreito é a porta de entrada para o Mar Vermelho e uma das rotas marítimas mais importantes do mundo. Navios que passam pelo local podem seguir em direção ao Canal de Suez, conectando o Oceano Índico ao Mar Mediterrâneo.

Qualquer interrupção em Bab el-Mandeb pode obrigar embarcações a contornar o continente africano, aumentando o tempo das viagens, o consumo de combustível, o valor dos seguros e os custos do transporte internacional.

A ameaça ganha dimensão ainda maior porque o Estreito de Ormuz, principal rota de exportação de petróleo do Golfo, também enfrenta interrupções e ataques relacionados à guerra.

Com problemas simultâneos em Ormuz e Bab el-Mandeb, as duas principais saídas marítimas de energia do Oriente Médio ficam sob pressão.


Irã pressionava grupo iemenita

O Irã vinha pressionando os houthis para que fechassem o acesso ao Mar Vermelho caso os Estados Unidos continuassem atacando a infraestrutura energética iraniana.

Teerã considera o grupo iemenita parte do chamado Eixo da Resistência, aliança regional que também reúne organizações armadas no Líbano, no Iraque e em outros territórios.

O bloqueio anunciado pelos houthis é dirigido formalmente contra a Arábia Saudita, mas pode atingir navios comerciais de diferentes países e ampliar o confronto com os Estados Unidos.

A ameaça também coloca em risco portos e instalações utilizados para a exportação do petróleo saudita.

A Arábia Saudita passou a direcionar grande parte de suas exportações energéticas para o Mar Vermelho após os problemas no Estreito de Ormuz.

Essa mudança tornou a rota ainda mais importante para o funcionamento do mercado internacional.


Impacto pode chegar ao fornecimento mundial de petróleo

A interrupção completa do Estreito de Bab el-Mandeb poderia afetar aproximadamente 7% do abastecimento mundial de energia.

Segundo informações da Reuters, a guerra no Golfo já havia reduzido os embarques em volume equivalente a cerca de 10% da oferta global.

A combinação das duas crises poderia limitar severamente a saída do petróleo produzido no Oriente Médio.

O anúncio dos houthis chegou a provocar uma alta momentânea nos preços internacionais do petróleo. Posteriormente, os valores recuaram diante da expectativa de uma possível retomada das negociações diplomáticas.

O mercado permanece dividido entre o risco de uma ampliação da guerra e a possibilidade de um novo cessar-fogo.

Caso os ataques contra navios e instalações portuárias aumentem, os efeitos poderão chegar aos preços dos combustíveis, ao transporte aéreo, à indústria e às cadeias de distribuição em diferentes países.


Irã recebeu proposta de cessar-fogo

Em meio à escalada militar, o Irã recebeu de mediadores internacionais uma proposta para um cessar-fogo de dez dias.

A informação foi confirmada por uma autoridade iraniana à Reuters. O objetivo seria interromper temporariamente os ataques e tentar recuperar o acordo provisório firmado no mês anterior.

O entendimento anterior pretendia abrir caminho para uma negociação permanente, mas foi enfraquecido pela retomada dos ataques entre Teerã e Washington.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou que propostas foram apresentadas recentemente por mediadores, mas não divulgou detalhes sobre as condições.

Os contatos diplomáticos permanecem ativos, mesmo com a intensificação das operações militares.

Duas fontes do governo do Paquistão também informaram que o ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, pediu que Islamabad retomasse seu papel de mediação entre o Irã e os Estados Unidos.


Guerra começou com ataques ao Irã

O atual conflito começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o território iraniano.

A ofensiva provocou uma resposta de Teerã e afetou a navegação no Estreito de Ormuz, por onde circulava uma parcela significativa do petróleo e do gás comercializados mundialmente.

Um acordo provisório foi firmado posteriormente, mas a trégua permaneceu frágil. A retomada dos ataques voltou a aumentar o temor de uma guerra regional de grandes proporções.

O conflito já deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano.


Estados Unidos realizam novos ataques

Os Estados Unidos realizaram uma nova noite de ataques contra o território iraniano.

Explosões foram registradas em cidades como Tabriz, Chabahar, Konarak, Bandar Mahshahr e Bandar Imam Khomeini.

Segundo a agência estatal iraniana IRNA, uma pessoa morreu e outras ficaram feridas em uma região localizada a sudoeste de Tabriz.

O Comando Central dos Estados Unidos afirmou que os ataques tinham como objetivo reduzir a capacidade iraniana de atingir embarcações comerciais nas rotas do Estreito de Ormuz.

As operações americanas chegaram à nona noite consecutiva.

O presidente Donald Trump declarou que os ataques também representavam uma resposta às mortes de militares americanos em ofensivas iranianas recentes.

Trump enfrenta pressão interna em razão do aumento dos preços dos combustíveis e dos custos econômicos relacionados à guerra.


Irã afirma ter atingido alvos americanos

A Guarda Revolucionária do Irã informou que atacou aeronaves e instalações militares dos Estados Unidos em diferentes pontos da região.

Segundo o órgão, mísseis balísticos foram lançados contra aeronaves americanas no aeroporto de Aqaba, na Jordânia.

Os iranianos também afirmaram ter atingido estruturas no campo de Al-Adiri e na Base Aérea Ali Al Salem, no Kuwait, além de posições localizadas na Síria.

Sirenes foram acionadas no Bahrein durante a segunda-feira. As Forças Armadas do Kuwait informaram que interceptaram novos drones iranianos.

As informações sobre os ataques e os danos provocados não puderam ser verificadas de forma independente.


Dois petroleiros teriam explodido em Ormuz

A Guarda Revolucionária declarou que dois petroleiros explodiram depois de tentarem atravessar o Estreito de Ormuz por uma rota considerada insegura.

O comunicado não informou os nomes das embarcações, a extensão dos danos nem se havia vítimas.

No domingo, o órgão iraniano já havia informado que dois navios se envolveram em um acidente na mesma região. Não estava claro se os comunicados se referiam ao mesmo episódio.

Separadamente, uma embarcação foi atingida por um objeto não identificado na costa de Omã, próxima ao Estreito de Ormuz.

Segundo a agência britânica responsável por monitorar operações marítimas, o navio ficou à deriva, mas os tripulantes estavam em segurança.


Usina de dessalinização é atingida no Kuwait

O governo do Kuwait informou que uma instalação de dessalinização foi atacada no domingo pelo segundo dia consecutivo.

O ataque provocou um incêndio e foi classificado pelas autoridades locais como uma ação direta contra uma infraestrutura civil essencial.

As usinas de dessalinização transformam água do mar em água própria para consumo e abastecem dezenas de milhões de pessoas nos países do Golfo.

A região possui poucas fontes naturais de água doce e depende dessas instalações para atender residências, hospitais, indústrias e serviços públicos.

Ataques contra usinas de dessalinização podem afetar diretamente o abastecimento de água da população.

O Irã havia acusado os Estados Unidos de atingir uma instalação semelhante em seu território e ameaçou atacar usinas localizadas em países do Golfo como forma de retaliação.

Washington não confirmou ter atacado uma unidade iraniana de dessalinização.


O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos continuarão respondendo enquanto o Irã ameaçar a navegação comercial internacional.

Ao mesmo tempo, Rubio declarou que Washington permanece aberto a uma solução diplomática.

O Ministério das Relações Exteriores iraniano também não descartou novas negociações. O porta-voz Esmaeil Baghaei confirmou que ideias apresentadas por mediadores chegaram a Teerã nos últimos dias.

Nenhum dos lados, entretanto, anunciou a interrupção dos ataques.

As negociações acontecem paralelamente à expansão do conflito e ao aumento das ameaças sobre rotas marítimas estratégicas.


Bloqueio aumenta risco de guerra regional

A entrada dos houthis amplia o alcance geográfico do conflito.

A guerra, anteriormente concentrada no território iraniano, no Golfo e em posições militares americanas, passa a ameaçar diretamente o Mar Vermelho e as exportações da Arábia Saudita.

A imposição efetiva de um bloqueio dependerá da capacidade do grupo iemenita de atacar navios, portos e instalações próximas ao Estreito de Bab el-Mandeb.

Os houthis já utilizaram mísseis e drones contra embarcações durante conflitos anteriores, levando companhias internacionais a abandonar temporariamente a rota do Mar Vermelho.

O anúncio coloca simultaneamente sob ameaça o transporte no Estreito de Ormuz e no acesso ao Canal de Suez, duas passagens fundamentais para a economia mundial.

Enquanto mediadores trabalham por uma trégua, forças americanas, iranianas e grupos aliados continuam realizando ataques. A evolução dessas operações deverá definir se o bloqueio anunciado permanecerá como ameaça ou se provocará uma interrupção efetiva da navegação.

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