Mandado autorizado por Alexandre de Moraes previa apreensão de armas, munições, acessórios e documentos de registro; segundo a defesa do ex-presidente, nenhum armamento foi encontrado no imóvel
PF cumpre mandado na casa de Bolsonaro em Brasília
A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta quarta-feira (8), um mandado de busca e apreensão na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, no bairro do Jardim Botânico, em Brasília. A ação tinha como objetivo localizar armas de fogo, munições, acessórios e documentos de registro eventualmente mantidos no imóvel.
Segundo a defesa do ex-presidente, nada foi encontrado durante a operação. A informação também foi confirmada em documento protocolado no Supremo Tribunal Federal, que apontou que nenhum armamento foi localizado no endereço.
A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após surgirem divergências entre o número de armas registradas em nome de Bolsonaro e o total efetivamente entregue aos órgãos competentes.
Busca durou menos de duas horas
De acordo com interlocutores da investigação, os agentes permaneceram por menos de uma hora na residência. Já documentos enviados ao STF indicam que o procedimento durou cerca de uma hora e meia.
O mandado determinava uma varredura específica para localizar armamentos que, segundo a decisão judicial, poderiam ainda estar sob posse direta ou indireta do ex-presidente.
A Polícia Federal confirmou a realização da diligência, mas não detalhou o resultado da operação além da informação de que o mandado foi cumprido.
Moraes apontou divergência sobre armas registradas
A decisão de Alexandre de Moraes foi baseada em informações apresentadas nos autos da execução penal de Bolsonaro. Segundo o ministro, havia divergência entre o quantitativo de armas de fogo regularmente registradas em nome do ex-presidente e aquelas efetivamente entregues às autoridades.
Para Moraes, essa diferença indicava, em tese, possível descumprimento de determinação judicial anterior, que exigia a entrega integral dos armamentos vinculados ao ex-presidente.
Na decisão, o ministro afirmou que a busca era necessária para localizar e apreender eventuais armas remanescentes e para afastar dúvidas sobre a permanência de armamentos em poder do condenado.
Prisão domiciliar foi mantida, mas armas deveriam ser recolhidas
Bolsonaro cumpre atualmente pena de 27 anos e 3 meses de prisão e está em prisão domiciliar humanitária desde março de 2026, por decisão de Alexandre de Moraes, em razão de problemas de saúde.
Na semana passada, o ministro decidiu manter a prisão domiciliar e determinou a revogação do registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) do ex-presidente. Moraes também ordenou a apreensão imediata de todas as armas de fogo vinculadas a Bolsonaro.
Segundo a decisão, a permanência de armas em poder do ex-presidente seria incompatível com a condição de prisão domiciliar e com as medidas impostas pelo Supremo.
Defesa informou que armas estavam com a PF e o Exército
Após a determinação de entrega dos armamentos, a defesa de Bolsonaro afirmou que, das armas mencionadas inicialmente, parte já havia sido entregue à Polícia Federal em 2023, por determinação do Tribunal de Contas da União, e outra parte estaria sob guarda do Batalhão de Polícia do Exército, em Brasília.
Diante da manifestação da defesa, Moraes determinou que o Exército encaminhasse os armamentos à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. A PF também deveria confirmar a guarda das armas que já teriam sido entregues anteriormente.
No entanto, o Comando do Batalhão de Polícia do Exército informou ao STF que não estava com duas das armas apontadas pela defesa como acauteladas no local.
Exército disse que entregou seis armas à PF
Segundo documento encaminhado ao Supremo, o Batalhão de Polícia do Exército informou que seis armas foram entregues à Superintendência da Polícia Federal. A manifestação também apontou que dois itens mencionados na decisão não estavam sob custódia da unidade militar.
Uma das armas citadas era uma pistola que teria sido apreendida em um inquérito da Polícia Civil do Distrito Federal. Outra era uma espingarda que, segundo a defesa, permaneceria sob guarda de uma empresa importadora de artigos bélicos no Rio Grande do Sul.
Para Moraes, as explicações apresentadas não foram suficientes para eliminar as inconsistências sobre a localização dos armamentos.
Espingarda teria ficado em empresa no Rio Grande do Sul
A defesa de Bolsonaro informou ao STF que uma espingarda Maestro Arms Company, calibre 12, registrada em nome do ex-presidente, teria permanecido desde a aquisição sob guarda da empresa Maragato BR Importações de Artigos Bélicos, localizada em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.
Segundo os advogados, a arma teria sido recebida como presente e nunca retirada das dependências da empresa. A defesa pediu que o STF definisse a providência adequada para viabilizar a entrega do armamento à Polícia Federal.
Moraes, no entanto, avaliou que a versão apresentada divergia dos registros existentes e não estava acompanhada de documentação considerada suficiente para comprovar a efetiva localização da arma, a identidade do suposto depositário ou a regularidade da custódia.
Ministro considerou busca “imprescindível”
Na decisão, Alexandre de Moraes afirmou que a discrepância entre as informações constantes dos autos e aquelas apresentadas posteriormente pela defesa tornava “imprescindível” a adoção de busca e apreensão domiciliar.
O ministro destacou que a medida tinha finalidade específica: localizar e apreender armas de fogo, munições, acessórios e documentos de registro eventualmente existentes na residência de Bolsonaro.
Moraes também afirmou que a inviolabilidade domiciliar é uma garantia fundamental, mas não absoluta. Segundo o ministro, ela pode ser afastada em situações excepcionais, quando presentes requisitos legais e constitucionais.
Defesa diz que nada foi encontrado
Após o cumprimento do mandado, a defesa do ex-presidente informou que nenhum armamento foi localizado na casa de Bolsonaro.
A ausência de apreensão foi registrada em documento protocolado no STF. O resultado da diligência reforça a versão dos advogados de que as armas vinculadas ao ex-presidente não estavam na residência.
Ainda assim, o caso segue sob análise do Supremo, especialmente em relação à localização e à entrega integral dos armamentos registrados em nome de Bolsonaro.
Caso começou após arma registrada em nome de Bolsonaro ser apreendida
A discussão sobre os armamentos ganhou força depois que uma pistola registrada em nome de Bolsonaro foi apreendida durante uma blitz no Distrito Federal.
Após o episódio, Moraes pediu esclarecimentos e analisou manifestações da defesa e da Procuradoria-Geral da República. O ministro decidiu manter a prisão domiciliar humanitária, mas determinou a entrega de todas as armas vinculadas ao ex-presidente.
Para o STF, a posse de armas seria incompatível com as condições impostas a Bolsonaro no cumprimento da pena em regime domiciliar.
Carlos Bolsonaro reclama da operação
O vereador Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente, criticou a operação nas redes sociais. Ele classificou a medida como perseguição, injustiça e tortura.
A manifestação ocorreu após a divulgação da busca na residência do pai, em Brasília. Aliados de Bolsonaro também passaram a tratar a ação como mais um capítulo da disputa jurídica envolvendo o ex-presidente.
Do outro lado, a decisão de Moraes sustenta que a diligência foi uma medida processual voltada exclusivamente ao cumprimento da ordem judicial de entrega dos armamentos.
Situação jurídica de Bolsonaro
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses e está em prisão domiciliar por razões humanitárias. A autorização inicial foi concedida para que o ex-presidente pudesse se recuperar de problemas de saúde, incluindo broncopneumonia.
A prisão domiciliar foi posteriormente prorrogada por Alexandre de Moraes. Ao manter a medida, o ministro impôs a permanência das cautelares já fixadas e determinou novas providências relacionadas às armas registradas em nome de Bolsonaro.
A decisão sobre a busca e apreensão foi assinada em 7 de julho de 2026 e autorizou o cumprimento da medida na residência do ex-presidente, no Jardim Botânico, em Brasília.
O que acontece agora
Com o cumprimento do mandado e a informação de que nenhum armamento foi encontrado na casa de Bolsonaro, o Supremo deverá avaliar os próximos passos sobre a localização das armas ainda apontadas como pendentes.
A principal questão continua sendo esclarecer se todos os armamentos registrados em nome do ex-presidente foram efetivamente entregues, apreendidos ou estão sob custódia regular de terceiros.
Enquanto isso, Bolsonaro permanece em prisão domiciliar humanitária, com as medidas cautelares determinadas pelo STF.
Entenda o ponto central do caso
O ponto central da operação não foi a abertura de uma nova investigação sobre armas na residência, mas o cumprimento de uma ordem judicial anterior que determinava a entrega integral de todos os armamentos vinculados ao ex-presidente.
A busca foi autorizada porque o STF identificou divergências entre os registros de armas e as informações prestadas sobre onde esses armamentos estavam guardados.
Para Moraes, a medida era necessária para garantir o cumprimento da decisão judicial. Para a defesa, a operação confirmou que Bolsonaro não mantinha armas na residência, já que nada foi encontrado durante a diligência.








































































































