Jeander Vinícius da Silva Braga foi condenado por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e maus-tratos a animais; segundo réu, Bruno de Souza Rodrigues, será julgado em dezembro de 2026
A Justiça do Rio de Janeiro condenou Jeander Vinícius da Silva Braga, um dos acusados de envolvimento na morte do ator Jeff Machado, a 22 anos e 9 meses de prisão, em regime fechado. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (8), após julgamento no Tribunal do Júri.
Jeander respondia por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e maus-tratos a animais. De acordo com a sentença, ele não poderá recorrer em liberdade, sob o argumento de que poderia tentar se esquivar da aplicação da lei penal.
O ator Jefferson Machado Costa, conhecido como Jeff Machado, tinha 44 anos e foi encontrado morto em maio de 2023. O corpo dele estava enterrado a cerca de 2 metros de profundidade, dentro de um baú coberto por concreto, em uma casa em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio.
O caso ganhou grande repercussão nacional pela forma como o crime foi cometido, pela tentativa de simular que Jeff ainda estava vivo e pela suspeita de que o sonho do ator de avançar na carreira artística tenha sido usado como armadilha.
Réu foi condenado por homicídio triplamente qualificado
Jeander Vinícius foi condenado por participação no assassinato de Jeff Machado. Segundo a denúncia citada na sentença, o outro réu, Bruno de Souza Rodrigues, teria matado o ator, enquanto Jeander teria contribuído para o crime ao distrair a vítima durante o ataque.
O homicídio foi considerado triplamente qualificado. Esse tipo de enquadramento ocorre quando a Justiça reconhece circunstâncias que tornam o crime mais grave, como motivo torpe, meio cruel ou recurso que dificultou a defesa da vítima.
Além do homicídio, Jeander também foi condenado por ocultação de cadáver. A acusação sustenta que ele ajudou a enterrar o corpo de Jeff em um baú, posteriormente coberto por concreto.
A condenação também inclui o crime de maus-tratos a animais, já que os cães do ator foram abandonados após o desaparecimento dele.
Julgamento ouviu 12 testemunhas
Durante a audiência, 12 testemunhas foram ouvidas. Entre elas estava a mãe de Jeff Machado, que viajou para o Rio de Janeiro para acompanhar o julgamento pessoalmente e participou como testemunha de acusação.
A presença da mãe da vítima deu ainda mais peso emocional ao julgamento. Desde o desaparecimento do filho, familiares de Jeff cobravam respostas sobre o crime e a responsabilização dos envolvidos.
A decisão desta quarta-feira representa a primeira condenação no caso, mas o processo ainda não chegou ao fim. Como a ação foi desmembrada, o segundo réu será julgado separadamente.
Bruno de Souza Rodrigues será julgado em dezembro
O outro acusado, Bruno de Souza Rodrigues, teve o julgamento marcado para 10 de dezembro de 2026. Ele responde por oito crimes relacionados à morte de Jeff Machado.
Segundo as investigações, Bruno teria sido o principal responsável pela execução do crime. A denúncia aponta que ele matou Jeff e, depois, usou cartões, senhas e mensagens para tentar se passar pela vítima.
A suspeita é que Bruno tenha mantido contato com amigos e familiares de Jeff fingindo ser o ator, com o objetivo de atrasar as buscas e dificultar a descoberta do assassinato.
A defesa de Bruno ainda poderá apresentar sua versão no julgamento marcado para dezembro.
Versão de Jeander foi rejeitada pela Justiça
Durante o julgamento, Jeander alegou que não sabia que Jeff Machado seria morto. Ele afirmou que havia sido contratado para abrir o buraco de uma cisterna e que só depois teria descoberto que o local seria usado para enterrar o corpo.
Jeander também disse que trabalhava como garoto de programa e que estava tomando banho quando Bruno teria matado Jeff. Segundo sua versão, Bruno teria dopado, estrangulado e assassinado o ator, obrigando-o depois a ajudar na ocultação do cadáver.
A defesa sustentava que Jeander teria participado apenas da ocultação do corpo. No entanto, essa tese não foi acolhida pelo júri, que reconheceu sua participação no homicídio.
Com a condenação, Jeander deverá cumprir a pena em regime fechado e permanecer preso.
Crime teria sido motivado por falsa promessa de trabalho
Para a polícia, a motivação do assassinato está ligada a uma falsa promessa de oportunidade profissional. Jeff Machado teria cobrado Bruno por uma suposta vaga em uma novela.
Os investigadores acreditam que o ator chegou a pagar cerca de R$ 18 mil aos envolvidos, acreditando que conseguiria avançar na carreira artística.
Jeff era ator, jornalista e também havia trabalhado em outras áreas. Ele participou da novela “Reis”, da Record, e buscava novas oportunidades no meio artístico.
Segundo a polícia, o desejo de Jeff de crescer na carreira foi explorado pelos acusados. Por viver longe da família, sem parentes próximos no Rio de Janeiro e em uma área mais afastada, ele foi descrito pelos investigadores como uma “vítima perfeita”.
Corpo foi encontrado dentro de baú concretado
Jeff Machado desapareceu no fim de janeiro de 2023. A família comunicou o desaparecimento no dia 27 de janeiro, mas o corpo só foi encontrado em 22 de maio daquele ano.
A localização do cadáver chocou os investigadores. Jeff estava dentro de um baú, enterrado em uma casa em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. O local havia sido alugado, segundo a polícia, por Bruno, que teria se passado pelo ator para conseguir o imóvel.
O corpo estava a aproximadamente 2 metros de profundidade e coberto por concreto, em uma tentativa de dificultar a localização.
A descoberta confirmou o pior temor da família, que durante meses buscou informações sobre o paradeiro de Jeff.
Cães do ator ajudaram a polícia a desvendar o caso
Um dos elementos mais marcantes da investigação foi o papel dos cães de Jeff Machado. O ator tinha oito cães de estimação, que foram encontrados abandonados após o desaparecimento dele.
Os animais possuíam chips de identificação em nome do ator. Essa informação ajudou a polícia a conectar pistas e avançar na apuração do caso.
O abandono dos cães também levou à acusação de maus-tratos a animais. Para familiares e amigos, os animais eram parte importante da vida de Jeff, o que tornou o crime ainda mais doloroso.
A situação dos cães ajudou a mostrar que algo grave havia acontecido, já que pessoas próximas afirmavam que o ator jamais os abandonaria voluntariamente.
Acusados teriam tentado simular que Jeff estava vivo
Segundo a investigação, após o assassinato, Bruno teria usado cartões e senhas de Jeff Machado. Ele também teria enviado mensagens se passando pelo ator para amigos e familiares.
Essa estratégia teria sido usada para retardar a percepção de que Jeff estava morto e dificultar as buscas. Durante o período em que o corpo permanecia oculto, pessoas próximas receberam mensagens que pareciam indicar que o ator ainda estava vivo.
A polícia afirma que essa simulação foi parte central do plano para esconder o crime. O uso de informações pessoais, senhas e documentos da vítima também reforçou a suspeita de premeditação.
Caso comoveu familiares, amigos e fãs
A morte de Jeff Machado gerou grande comoção. Natural de Araranguá, em Santa Catarina, ele vivia no Rio de Janeiro em busca de oportunidades na televisão e no meio artístico.
Amigos e familiares descreveram Jeff como uma pessoa sonhadora, dedicada aos animais e determinada a construir uma carreira. A brutalidade do crime e a forma como o corpo foi ocultado ampliaram a indignação pública.
Desde o início das investigações, a família cobrou justiça e acompanhou os desdobramentos do processo. A condenação de Jeander é vista como um passo importante, mas ainda resta o julgamento de Bruno, apontado como o outro envolvido no assassinato.
Próximo capítulo do caso será em dezembro
Com a condenação de Jeander, as atenções agora se voltam para o julgamento de Bruno de Souza Rodrigues, marcado para 10 de dezembro de 2026.
O desmembramento do processo faz com que cada réu seja julgado separadamente. Isso significa que a responsabilidade de Bruno será analisada em outra sessão do Tribunal do Júri, com novas manifestações da acusação e da defesa.
Até lá, o caso segue como um dos crimes de maior repercussão envolvendo o meio artístico nos últimos anos. A expectativa da família é que todos os envolvidos sejam responsabilizados.








































































































