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9 de julho é feriado em SP: entenda a origem da data e quem tem direito à folga

Data marca o início da Revolução Constitucionalista de 1932, movimento armado liderado por São Paulo contra o Governo Provisório de Getúlio Vargas; feriado estadual vale para quem trabalha no território paulista


O dia 9 de julho é feriado estadual em São Paulo e marca a chamada data magna do estado, em homenagem ao início da Revolução Constitucionalista de 1932. A data relembra o movimento armado em que os paulistas se levantaram contra o Governo Provisório de Getúlio Vargas, cobrando a convocação de uma Assembleia Constituinte e a retomada de uma Constituição para o Brasil.

Em 2026, o feriado cai nesta quinta-feira (9). Por ser uma data estadual, a folga vale para trabalhadores que prestam serviço no território paulista, inclusive em algumas situações envolvendo empresas sediadas em outros estados. A regra também pode alcançar profissionais em home office, dependendo do local de prestação de serviço definido no contrato.

O feriado foi instituído oficialmente pela Lei Estadual nº 9.497, de 1997, que transformou o dia 9 de julho em feriado civil no estado de São Paulo. A legislação se apoia na Lei Federal nº 9.093, de 1995, que autoriza os estados a fixarem uma data magna como feriado civil.


Por que 9 de julho é feriado em São Paulo

O feriado de 9 de julho existe porque a data marca o início da Revolução Constitucionalista de 1932, também conhecida como Revolução de 32 ou Guerra Paulista. O movimento começou em 9 de julho daquele ano e se tornou um dos episódios mais importantes da história política paulista.

A revolta ocorreu em um contexto de forte tensão após a Revolução de 1930, que derrubou o presidente Washington Luís, impediu a posse de Júlio Prestes e levou Getúlio Vargas ao comando do Governo Provisório. Com o novo governo, o Congresso Nacional foi fechado, a Constituição de 1891 perdeu validade e os estados passaram a ter menos autonomia.

Em São Paulo, a insatisfação cresceu por razões políticas e econômicas. As elites paulistas perderam influência no cenário nacional, interventores nomeados por Vargas passaram a governar os estados, e a crise do café, agravada pela Grande Depressão de 1929, atingiu diretamente a economia paulista.

O movimento defendia, principalmente, a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte e a volta de uma ordem constitucional no país. Mesmo derrotada militarmente, a Revolução de 1932 ficou associada à pressão pela reorganização institucional do Brasil.


O que foi a Revolução Constitucionalista de 1932

A Revolução Constitucionalista foi um movimento armado liderado por São Paulo contra o Governo Provisório de Getúlio Vargas. A revolta durou quase três meses e mobilizou combatentes, voluntários, estudantes, trabalhadores, empresários e setores da sociedade paulista.

Os constitucionalistas esperavam que outros estados, como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, aderissem ao movimento. No entanto, esse apoio não ocorreu da forma esperada. Com isso, São Paulo acabou enfrentando praticamente sozinho as forças federais mobilizadas pelo governo Vargas.

Os combates aconteceram em diferentes frentes do estado, especialmente em regiões de divisa. O Vale do Paraíba teve papel estratégico, com destaque para Cruzeiro, considerada a capital da Revolução Constitucionalista. A cidade foi palco de confrontos intensos, principalmente na região do Túnel da Mantiqueira, passagem ferroviária entre São Paulo e Minas Gerais.

A ferrovia foi essencial para o transporte de tropas, munições, armamentos e suprimentos. Por isso, controlar os trilhos significava controlar parte importante da logística militar do conflito.

Soldados da Revolução de 32 no Túnel da Mantiqueira, em Cruzeiro, SP — Foto: G1

Quem foram Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo

Um dos símbolos mais conhecidos da Revolução de 1932 é a sigla MMDC, formada pelas iniciais dos sobrenomes de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Os quatro jovens morreram após uma manifestação contra o Governo Provisório em maio de 1932, na capital paulista.

A morte deles inflamou ainda mais o sentimento de revolta em São Paulo e ajudou a organizar a mobilização contra Vargas. O MMDC se tornou um movimento clandestino e depois um dos principais símbolos da causa constitucionalista.

Também houve uma quinta vítima, Orlando de Oliveira Alvarenga, que foi baleado no mesmo episódio e morreu meses depois. Apesar disso, a sigla MMDC permaneceu como uma das marcas históricas mais fortes do movimento.

Em 2011, os nomes de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo foram inscritos no Livro dos Heróis da Pátria, reforçando o lugar dos quatro na memória cívica paulista.


São Paulo perdeu militarmente, mas teve reivindicações atendidas

A Revolução Constitucionalista terminou com a rendição das forças paulistas em outubro de 1932. Do ponto de vista militar, o movimento foi derrotado pelo governo federal. Ainda assim, parte das reivindicações defendidas pelos constitucionalistas foi atendida nos anos seguintes.

Entre os desdobramentos mais importantes estão a convocação da Assembleia Nacional Constituinte e a promulgação da Constituição de 1934. Também houve a nomeação de um interventor civil e paulista para o estado, uma das demandas políticas de São Paulo.

Por esse motivo, a Revolução de 1932 é lembrada em São Paulo não apenas como uma derrota militar, mas como um movimento que pressionou pela volta da ordem constitucional no Brasil.

A Constituição de 1934, no entanto, teve vida curta. Em 1937, Getúlio Vargas fechou o Congresso Nacional, cassou a Constituição vigente e instaurou o Estado Novo, regime ditatorial que durou até 1945.


Quando o feriado de 9 de julho foi oficializado

Apesar de a Revolução Constitucionalista ter ocorrido em 1932, o feriado estadual só foi oficializado décadas depois. A base legal veio com a Lei Federal nº 9.093, de 1995, que estabeleceu que são feriados civis os declarados em lei federal e a data magna de cada estado fixada por lei estadual.

Em São Paulo, a oficialização ocorreu com a Lei Estadual nº 9.497, de 5 de março de 1997, sancionada durante o governo de Mário Covas. A norma instituiu o dia 9 de julho como feriado civil e data magna do estado.

Desde então, a data passou a fazer parte do calendário oficial paulista e é considerada a principal comemoração cívica estadual.


Quem tem direito à folga no feriado de 9 de julho

O feriado de 9 de julho vale para quem trabalha no estado de São Paulo. Em regra, trabalhadores contratados pelo regime CLT, com controle de jornada e prestação de serviço em território paulista, têm direito à folga.

Isso inclui funcionários de empresas localizadas em São Paulo e também pode incluir trabalhadores que atuam em unidades paulistas de companhias sediadas em outros estados. O ponto central é o local onde o serviço é prestado.

Na prática, se o trabalhador exerce suas atividades em São Paulo, a empresa deve observar o feriado estadual, salvo nos casos de atividades autorizadas a funcionar em feriados ou mediante regras específicas de convenção coletiva, acordo coletivo ou escala de trabalho.


Quem trabalha no feriado recebe em dobro?

Quem trabalha no feriado de 9 de julho deve receber pagamento em dobro pelo dia trabalhado ou ter direito a uma folga compensatória, conforme as regras aplicáveis ao repouso remunerado em feriados.

A Lei nº 605/1949 trata do repouso semanal remunerado e do pagamento de salário em dias de feriados civis e religiosos. A legislação prevê remuneração diferenciada quando há trabalho em feriado sem compensação.

Portanto, quando não há folga compensatória, a empresa deve pagar o dia trabalhado de forma dobrada. Em alguns setores, acordos ou convenções coletivas podem estabelecer regras específicas sobre escalas, compensações e adicionais.


Como fica o home office no feriado estadual

No caso do home office, a análise depende do local de prestação de serviço previsto no contrato e da forma como a jornada é controlada. Se o trabalhador atua remotamente a partir de uma cidade paulista e está sujeito a controle de jornada, a tendência é que o feriado estadual seja observado.

Por outro lado, se o contrato define outro local de prestação de serviço ou se a empresa adota regras específicas para trabalho remoto em estados diferentes, a situação pode exigir avaliação do RH ou de orientação jurídica.

Em termos práticos, trabalhadores remotos que moram e trabalham em São Paulo devem verificar o contrato, a política interna da empresa e a convenção coletiva da categoria. O feriado estadual não deixa de existir apenas porque a empresa tem sede fora de São Paulo.


Comércio e serviços podem funcionar?

Alguns setores podem funcionar durante o feriado, especialmente atividades consideradas essenciais ou com autorização para operação em datas especiais. É o caso de áreas como saúde, segurança, transporte, alimentação, hotelaria, farmácias, postos de combustíveis e determinados segmentos do comércio.

Mesmo nesses casos, o trabalhador escalado para atuar no feriado deve ter seus direitos respeitados. Isso inclui a possibilidade de pagamento em dobro ou folga compensatória, conforme previsto em lei, acordo coletivo ou convenção da categoria.

No serviço público, o funcionamento depende de decretos e calendários específicos de cada órgão. Em geral, repartições administrativas fecham, enquanto serviços essenciais funcionam em regime de plantão.


Por que a data é tão importante para os paulistas

O 9 de julho é considerado a data cívica mais importante de São Paulo porque simboliza um movimento que, para os paulistas, representou a defesa da Constituição, da autonomia estadual e da participação política.

A Revolução Constitucionalista também deixou marcas profundas em cidades do interior, especialmente nas regiões de fronteira e no Vale do Paraíba. Cruzeiro, por exemplo, é lembrada como um dos principais palcos do conflito, pela importância estratégica da ferrovia e pelos combates na região do Túnel da Mantiqueira.

Além da memória militar, o feriado carrega um significado político. Ele relembra um período em que São Paulo se levantou contra um governo centralizado e exigiu a reorganização constitucional do país.


Cruzeiro e o papel das ferrovias na Revolução de 1932

Durante a Revolução Constitucionalista, as ferrovias tiveram papel decisivo. Elas eram usadas para transportar combatentes, armas, munições, alimentos e equipamentos. Por isso, estações e túneis se tornaram pontos estratégicos nas batalhas.

A cidade de Cruzeiro, no Vale do Paraíba, ganhou destaque por sua posição geográfica e ferroviária. Localizada em uma região de ligação com Minas Gerais, a cidade concentrou confrontos intensos e se tornou um dos símbolos da resistência paulista.

O Túnel da Mantiqueira, que divide São Paulo e Minas Gerais, foi um dos locais mais importantes e violentos do conflito. A disputa pelo controle da passagem reforça como a Revolução de 1932 também foi uma guerra de logística, transporte e domínio territorial.


Feriado é estadual, não nacional

Apesar da importância histórica, o 9 de julho não é feriado nacional. A data vale apenas para o estado de São Paulo, por ter sido instituída como data magna estadual.

Isso significa que outros estados não são obrigados a aderir à folga. Empresas com unidades em diferentes partes do país precisam observar o calendário local de cada estabelecimento ou local de prestação de serviço.

Por isso, é possível que uma companhia funcione normalmente em outros estados, mas suspenda atividades ou adote escala especial em São Paulo.


O que o trabalhador deve observar

O trabalhador deve verificar se presta serviço em São Paulo, se tem contrato CLT, se possui controle de jornada e se sua categoria tem acordo ou convenção coletiva específica para feriados.

Também é importante observar se a empresa adotará expediente normal, escala, compensação ou suspensão das atividades. Em caso de trabalho no feriado, a compensação precisa estar clara: ou o trabalhador recebe o dia em dobro, ou tem folga compensatória em outro momento.

Para quem trabalha remotamente, vale conferir o local de prestação de serviço definido no contrato. Essa informação pode ser determinante para saber qual calendário de feriados deve ser aplicado.

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