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ONG investigada por suposto desvio de recursos contratou advogado que atuou para Mário Frias

Documentos apontam pagamento de mais de R$ 340 mil a escritório que representou o deputado federal em ações judiciais; entidade é investigada por suspeitas envolvendo contrato milionário de Wi-Fi em São Paulo


Contratação de escritório jurídico chama atenção em investigação

A investigação que apura possíveis irregularidades em contratos firmados pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) ganhou um novo capítulo após a revelação de pagamentos realizados a um escritório de advocacia que também atuou na defesa do deputado federal Mário Frias (PL-SP).

Segundo documentos de prestação de contas analisados durante as apurações, o escritório recebeu R$ 341,9 mil da organização não governamental entre 2024 e 2025. Os registros apontam a contratação para prestação de serviços jurídicos, mas não detalham quais atividades teriam sido executadas.

O caso ocorre em meio às investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo sobre um contrato milionário firmado entre a entidade e a Prefeitura de São Paulo para instalação e manutenção de pontos públicos de acesso à internet em comunidades da capital.


Programa de Wi-Fi está sob investigação

O Instituto Conhecer Brasil é presidido por Karina da Gama, empresária ligada à produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Polícia Civil investiga a possibilidade de que recursos públicos recebidos pela ONG tenham sido utilizados de forma indevida, incluindo suspeitas de transferência de valores para atividades relacionadas à produção cinematográfica.

De acordo com os investigadores, existem indícios de possível confusão patrimonial entre a ONG e a produtora, hipótese que motivou o aprofundamento das análises financeiras e a realização de mandados de busca e apreensão.


Contrato ultrapassa R$ 157 milhões

Em junho de 2024, o Instituto Conhecer Brasil venceu um chamamento público promovido pela Prefeitura de São Paulo para implantação de pontos de Wi-Fi gratuito em regiões de vulnerabilidade social.

O contrato inicial foi firmado em R$ 108 milhões, prevendo a instalação de 5 mil pontos de acesso à internet.

Segundo os dados mais recentes, aproximadamente 3.200 equipamentos foram efetivamente instalados.

No final de 2025, o acordo recebeu um aditivo de R$ 49,1 milhões destinado à manutenção da estrutura já implantada, elevando o valor total dos repasses para R$ 157,1 milhões.


Polícia apura possível desvio de recursos

As suspeitas levantadas pela Polícia Civil envolvem possíveis fraudes em licitação, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.

Investigadores apontam a existência de movimentações financeiras consideradas atípicas, além de possíveis inconsistências em notas fiscais emitidas por empresas subcontratadas pela entidade.

O inquérito também menciona suspeitas de sobrepreço em determinados serviços relacionados à execução do programa de conectividade.

Diante dos indícios, foi solicitado o acompanhamento das movimentações financeiras da presidente da ONG, da própria entidade e da produtora ligada ao filme.


Advogado recebeu pagamentos periódicos da ONG

De acordo com os documentos analisados, os pagamentos ao escritório ocorreram ao longo de um período de doze meses.

O primeiro repasse, realizado em julho de 2024, foi de aproximadamente R$ 151 mil. Posteriormente, foram efetuados outros onze pagamentos mensais de cerca de R$ 17,3 mil, totalizando os R$ 341,9 mil registrados na prestação de contas.

No mesmo período, o escritório também atuava em processos envolvendo o deputado federal Mário Frias, incluindo ações na Justiça Eleitoral e na Justiça de São Paulo.

Até o momento, não há informação pública detalhando quais atividades jurídicas foram executadas em favor da ONG durante a vigência do contrato.


Emendas parlamentares também entram na investigação

Outro ponto analisado pelas autoridades envolve recursos oriundos de emendas parlamentares destinadas pelo próprio Mário Frias.

Segundo documentos citados na investigação, o parlamentar direcionou R$ 2 milhões para projetos ligados à entidade em áreas relacionadas ao esporte, empreendedorismo e tecnologia.

Parte desses recursos teria sido utilizada para contratação de empresas ligadas a profissionais que também atuaram na defesa jurídica do deputado.

As movimentações passaram a integrar o conjunto de informações examinadas pelos investigadores para verificar eventual conflito de interesses ou irregularidades na aplicação dos recursos públicos.


Prefeitura nega irregularidades

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que o processo de seleção da entidade ocorreu por meio de chamamento público e seguiu todos os requisitos legais previstos para a contratação.

A administração municipal declarou ainda que não existem provas de irregularidades envolvendo a execução do contrato e classificou as suspeitas divulgadas até o momento como ilações sem comprovação.

A gestão também informou que tem colaborado com as investigações e disponibilizado documentos solicitados pelas autoridades responsáveis pelo caso.


Caso segue em apuração

As investigações continuam em andamento e ainda não há conclusão definitiva sobre a existência de desvios ou fraudes.

A Polícia Civil segue analisando documentos, contratos, notas fiscais e movimentações financeiras para rastrear a destinação dos recursos públicos envolvidos.

Enquanto isso, o caso permanece sob acompanhamento das autoridades e pode gerar novos desdobramentos conforme o avanço das apurações.

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