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Presidente do Instituto Rio Metrópole é preso em operação contra esquema de R$ 86 milhões

MPRJ aponta contratos irregulares, licitações direcionadas, subcontratações fictícias e saques em dinheiro vivo; Davi Perini Vermelho, o Didê, está entre os presos na Operação Ouroboros


O presidente do Instituto Rio Metrópole, Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, foi preso nesta quinta-feira (9) durante a Operação Ouroboros, deflagrada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e pela Polícia Civil para investigar um suposto esquema de corrupção dentro da autarquia estadual.

Segundo o MPRJ, o grupo teria atuado em contratos irregulares que somam R$ 86 milhões, envolvendo fraudes em licitações, subcontratações fictícias, pagamento de propina e lavagem de dinheiro. Ao todo, 11 pessoas foram denunciadas por crimes como organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e lavagem de dinheiro.

Além de Didê, outras quatro pessoas foram presas até a última atualização do caso. Entre elas está Caroline Soares Barros, apontada como ex-fiscal do Instituto Rio Metrópole e conhecida nas investigações como a “Mulher da Mala”, por supostamente realizar saques em dinheiro vivo com escolta.

O caso envolve uma autarquia ligada ao governo do estado do Rio de Janeiro e responsável por ações de planejamento e desenvolvimento urbano integrado da Região Metropolitana. O próprio site do Instituto Rio Metrópole apresenta Davi Perini Vermelho como presidente do órgão e informa sua trajetória política como ex-vereador de São João de Meriti.


Operação mira suposto esquema dentro do Instituto Rio Metrópole

A Operação Ouroboros foi deflagrada para cumprir 6 mandados de prisão e 9 mandados de busca e apreensão. A investigação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal, o Gaesf/MPRJ.

De acordo com as apurações, o esquema teria funcionado por meio de licitações supostamente direcionadas a partir de 2022. O Instituto Rio Metrópole teria contratado empresas de engenharia e consultoria, que depois repassavam parte dos valores para uma empresa subcontratada de forma fictícia.

O dinheiro, segundo o Ministério Público, era posteriormente sacado em espécie. A movimentação teria contado até mesmo com escolta privada, o que levou uma das investigadas a ser identificada como a “Mulher da Mala”.

O governo do Rio afirmou, em nota, que a operação teve origem em uma auditoria que identificou indícios de irregularidades em contratos do Instituto Rio Metrópole. O relatório teria sido encaminhado ao Ministério Público, que aprofundou a apuração.


Quem foi preso na Operação Ouroboros

Entre os presos está Davi Perini Vermelho, o Didê, presidente do Instituto Rio Metrópole. Ele é apontado como uma das figuras centrais da estrutura investigada.

Também foi presa Caroline Soares Barros, ex-fiscal do IRM e fundadora do Instituto Bio, empresa que teria recebido recursos por meio de subcontratos considerados fictícios pelos investigadores.

Outra presa é Amanda Íthala Santos da Paschoa, nora de Maurício Knoploch e gestora de contratos do Instituto Rio Metrópole após a saída de Caroline. Também foram detidos Franquis Dias Nepomuceno, delegado e diretor do IRM, apontado como dono da empresa de vigilância Rioforte, e Marcelo Lopes da Silva, procurador do estado e ex-procurador-geral do IRM.

Mauricio Silva Knoploch dos Santos, pai do deputado estadual Alexandre Knoploch, do PL, foi considerado foragido até a última atualização do caso. Ele ocupava o cargo de diretor de Planejamento e Projetos do Instituto Rio Metrópole.


Como funcionaria o esquema, segundo o MPRJ

Segundo a denúncia, o Instituto Rio Metrópole teria realizado licitações fraudulentas e direcionadas para contratar as empresas Engeconsult Consultores Técnicos e R Peotta Engenharia e Consultoria.

Depois da contratação, essas empresas teriam celebrado subcontratos com a Brazilian Institute of Organic, também chamada de Instituto Bio. Para os investigadores, esses subcontratos eram fictícios e serviam para desviar parte dos valores pagos pela autarquia.

A denúncia aponta que os recursos saíam das contas do Instituto Bio por meio de saques em dinheiro vivo. Caroline Soares Barros, a “Mulher da Mala”, seria uma das responsáveis por retirar os valores, supostamente com apoio de uma empresa de segurança.

Outra frente investigada envolve aditivos contratuais. Só em 2023, a empresa Engeconsult teria recebido um acréscimo de R$ 58 milhões em contratos com o Instituto Rio Metrópole.


Contratos sob suspeita chegam a R$ 86 milhões

O valor total dos contratos considerados irregulares pelo Ministério Público chega a R$ 86 milhões. A cifra inclui contratações, aditivos e repasses que, segundo a investigação, teriam sido usados para abastecer o esquema.

A suspeita é que parte desses recursos tenha sido desviada por meio de empresas intermediárias e depois convertida em dinheiro vivo, dificultando o rastreamento da origem e do destino dos valores.

O caso chama atenção não apenas pelo volume financeiro, mas também pela estrutura apontada pelos investigadores. O MPRJ sustenta que o esquema envolvia servidores, gestores, empresas contratadas, subcontratadas e mecanismos de lavagem de dinheiro.


Quem é Davi Perini Vermelho, o Didê

Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, presidia o Instituto Rio Metrópole. Segundo a página oficial da autarquia, ele ingressou no Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro em 2000 e alcançou o posto de terceiro sargento. O órgão também informa que ele foi eleito vereador de São João de Meriti em 2012 e reeleito em 2016 e 2020.

O nome de Didê já havia aparecido em reportagens anteriores sobre a gestão do Instituto Rio Metrópole. Em junho, a BandNews FM informou que o governo do Rio suspendeu a cessão de Marcelo Lopes da Silva, ex-procurador-geral do estado que atuava no IRM, após levantamento sobre indicados políticos na autarquia. A reportagem citava que o instituto tinha 111 cargos comissionados e era presidido por Davi Perini Vermelho.


Instituto Rio Metrópole já era alvo de questionamentos

Antes da Operação Ouroboros, o Instituto Rio Metrópole já havia sido alvo de questionamentos sobre contratos, nomeações e transparência. Reportagem da BandNews FM apontou, em junho, que um parecer do próprio IRM recomendou pesquisa de preços em contrato de R$ 79 milhões. A apuração também citava a suspensão da cessão de Marcelo Lopes da Silva ao órgão.

Outras publicações locais já haviam relatado dificuldades de acesso a processos administrativos relacionados ao Instituto Rio Metrópole no sistema SEI-RJ. Em uma delas, foi citado um termo aditivo de mais de R$ 2 milhões e questionamentos sobre falta de transparência em processos do órgão.

Esses episódios ajudaram a ampliar a pressão sobre a autarquia, que agora passa a ser investigada em uma operação criminal de maior alcance.


O que é o Instituto Rio Metrópole

O Instituto Rio Metrópole foi criado em 2018 com a função de articular e monitorar políticas públicas voltadas ao desenvolvimento urbano integrado da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

A autarquia é vinculada à estrutura do governo estadual e atua em temas relacionados a planejamento urbano, projetos metropolitanos, integração territorial e desenvolvimento regional.

Por lidar com contratos de alto valor e projetos estruturantes, o instituto tem papel estratégico na administração pública estadual. Justamente por isso, as suspeitas de irregularidades levantadas pelo MPRJ têm forte impacto político e administrativo.


Governo do Rio diz que auditoria originou investigação

Em nota, o governo do estado afirmou que a operação foi resultado de uma auditoria que identificou indícios de irregularidades em contratos do Instituto Rio Metrópole.

Segundo o governo, o relatório produzido pela auditoria foi encaminhado ao Ministério Público, que aprofundou as investigações e deflagrou a operação. A gestão estadual afirmou ainda que a atuação reforça o compromisso com a transparência, o controle dos recursos públicos e o combate à corrupção.

A manifestação busca mostrar que a apuração partiu de uma iniciativa interna de fiscalização. Ainda assim, a prisão de dirigentes e servidores ligados à autarquia abre uma crise dentro da estrutura administrativa do governo estadual.


Denunciados respondem por crimes graves

Os 11 denunciados pelo MPRJ respondem por suspeitas de crimes como organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e lavagem de dinheiro.

A acusação de organização criminosa indica que, para o Ministério Público, os investigados teriam atuado de forma estruturada e contínua. Já a suspeita de fraude em licitação está relacionada ao direcionamento de contratos públicos.

A lavagem de dinheiro, por sua vez, aparece ligada à tentativa de ocultar a origem dos valores desviados, especialmente por meio de subcontratações e saques em espécie.

É importante destacar que os investigados ainda poderão apresentar defesa ao longo do processo. As acusações serão analisadas pelo Judiciário.


Caso expõe risco em contratos públicos de alto valor

A Operação Ouroboros expõe um problema recorrente em investigações de corrupção: o uso de contratos públicos de alto valor para movimentar recursos por meio de empresas contratadas, aditivos e subcontratações.

Segundo o MPRJ, o esquema no Instituto Rio Metrópole teria usado justamente essa engrenagem. Primeiro, contratos eram firmados com empresas de engenharia e consultoria. Depois, parte dos recursos era transferida para uma subcontratada. Por fim, os valores eram sacados em dinheiro vivo.

Esse modelo dificulta a fiscalização, porque fragmenta a movimentação financeira e cria camadas entre o órgão público e o destino final do dinheiro.


Próximos passos da investigação

Com as prisões e buscas realizadas nesta quinta-feira, o Ministério Público deve aprofundar a análise de documentos, contratos, movimentações bancárias e aparelhos apreendidos.

A investigação também deve apurar a participação de cada denunciado e verificar se há outros servidores, empresas ou agentes políticos envolvidos no esquema.

O caso ainda pode ter novos desdobramentos, principalmente se o MPRJ identificar outros contratos suspeitos ou se houver colaboração de investigados.

Até o momento, a operação já representa um dos casos mais relevantes envolvendo uma autarquia estadual do Rio de Janeiro em 2026, tanto pelo valor dos contratos quanto pelo número de pessoas denunciadas.

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