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Cartolouco vira réu após ex-namorada relatar agressões e violência psicológica

Câmeras de segurança registraram o influenciador queimando a orelha da então companheira com um cigarro e dando um tapa no rosto dela. Outras duas ex-namoradas também relataram episódios de violência; Lucas Strabko nega as acusações


O influenciador Lucas Strabko, conhecido nas redes sociais como Cartolouco, tornou-se réu após uma ex-namorada denunciá-lo por agressão física e violência psicológica durante o relacionamento.

Imagens de câmeras de segurança exibidas pelo programa Fantástico mostram o momento em que o influenciador encosta um cigarro aceso na orelha da então companheira e, pouco depois, dá um tapa no rosto dela durante uma discussão ocorrida em uma rua de São Paulo.

A mulher, que pediu para não ter a identidade divulgada por medo da exposição, afirmou que o episódio registrado pelas câmeras foi apenas uma das situações de violência que teria enfrentado durante o relacionamento, que durou pouco mais de nove meses.

Cartolouco nega as acusações e apresentou uma versão diferente sobre os episódios relatados pela ex-namorada.


Relacionamento teria começado com demonstrações intensas de carinho

De acordo com o relato da vítima, o relacionamento começou de maneira intensa, com demonstrações frequentes de carinho, atenção e proximidade.

Com o passar do tempo, no entanto, ela afirma que o comportamento de Lucas Strabko mudou. Segundo a mulher, as demonstrações de afeto teriam sido substituídas por ofensas, tentativas de controle e episódios de agressividade.

A ex-namorada contou que passou a ouvir insultos constantes durante as discussões. Em entrevista ao Fantástico, afirmou que era chamada por termos ofensivos e depreciativos.

Segundo o depoimento, a violência verbal teria sido uma das primeiras manifestações de um relacionamento que, posteriormente, passou a incluir episódios de agressão física.


Viagem ao Peru teria marcado agravamento das agressões

A vítima afirmou que a situação se tornou mais grave durante uma viagem do casal para Cusco, no Peru, no início de dezembro do ano passado.

Segundo ela, uma discussão começou depois que retornou do banheiro de um bar. A mulher afirma que Lucas teria se irritado, arrancado o escapulário que ela usava e cuspido nela ainda dentro do estabelecimento.

Ao retornarem para o hotel, as agressões teriam se intensificado.

De acordo com a denúncia, o influenciador teria chutado os pertences da companheira, dado tapas e chutes e tentado aplicar um golpe de imobilização conhecido como “mata-leão”.

A mulher também afirmou que o influenciador retirou o celular de seu bolso e destruiu o aparelho.

Para a vítima, a destruição do telefone representou a perda do principal recurso que poderia utilizar para pedir ajuda ou deixar o local.

Depois da viagem, ela afirma que passou a evitar conversas sobre o relacionamento com familiares e amigos, que já recomendavam o término do namoro.


Câmeras registraram queimadura com cigarro e tapa no rosto

As agressões registradas por câmeras de segurança aconteceram na madrugada de 31 de janeiro, segundo o relato apresentado pela ex-namorada.

Naquela noite, o casal teria retornado ao mesmo bar onde havia iniciado o relacionamento. Ao deixar o estabelecimento, Lucas teria acusado a mulher de traição e jogado um copo com bebida em seu rosto.

Os dois seguiram caminhando até uma esquina.

Nas imagens, Lucas aparece acendendo um cigarro e aproximando-o da orelha direita da então namorada. Fotografias apresentadas posteriormente mostram uma marca de queimadura no local.

Pouco depois, outra câmera registrou o momento em que a mulher recebe um tapa no rosto.

Após a agressão, ela atravessou a rua e permaneceu próxima a um bar, onde havia outras pessoas. A vítima contou que buscou um local movimentado por temer que novas agressões acontecessem.

Frequentadores de estabelecimentos próximos perceberam a discussão e decidiram intervir.

Uma testemunha, que também pediu para não ser identificada por questões de segurança, afirmou ter visto Lucas agir de maneira agressiva contra a mulher.


Testemunhas teriam impedido que situação continuasse

Segundo o relato da vítima, mesmo depois da aproximação de outras pessoas, Lucas continuou a ofendê-la e teria exigido acesso ao celular dela.

Uma das testemunhas pediu que o aparelho fosse devolvido. Durante a intervenção, outra pessoa reconheceu o influenciador como Cartolouco.

Após a movimentação, Lucas deixou o local.

A mulher afirma que, antes de ir embora, pediu ajuda para recuperar a chave de seu apartamento porque o então namorado teria ameaçado destruir o imóvel.

Lucas chegou a ir até o prédio, mas foi impedido de entrar.

No dia seguinte, os dois conversaram por telefone. Durante a ligação, a mulher informou que estava com a orelha machucada. Segundo o relato, Lucas pediu que ela enviasse uma fotografia da lesão.


Outras duas ex-namoradas relatam episódios semelhantes

Além da mulher que registrou a denúncia, outras duas ex-namoradas de Lucas Strabko foram ouvidas pelo Fantástico e disseram ter enfrentado situações semelhantes durante os relacionamentos.

Os relatos incluem violência psicológica, agressões físicas, destruição de objetos e ofensas frequentes.

Uma das mulheres é Gabriela Augusto, que manteve um relacionamento de aproximadamente três anos com o influenciador.

Gabriela afirmou que Lucas destruía objetos da residência onde os dois moravam. Segundo ela, televisão, carro e telefone celular foram danificados durante episódios de agressividade.

Ela também relatou ter sofrido uma queimadura no rosto provocada por um cigarro.

Em outro episódio, Gabriela afirma que foi puxada pelos cabelos, jogada no chão e agredida com chutes.

Imagens apresentadas pela ex-companheira mostram objetos destruídos e cômodos desorganizados depois de uma das discussões.


Ex-companheira que mora em Londres relata insultos e agressões

Outra ex-namorada, que atualmente mora em Londres e também pediu para não ter a identidade revelada, afirmou que era frequentemente insultada durante o relacionamento.

De acordo com a mulher, Lucas fazia comentários ofensivos sobre sua aparência e dizia que nenhuma outra pessoa iria querer se relacionar com ela.

Ela também afirmou ter sido vítima de agressões físicas.

Segundo o relato, depois dos episódios de violência, o influenciador mudava completamente de comportamento e passava a agir como se nada tivesse acontecido.

A ex-companheira declarou que seu maior arrependimento foi não ter procurado as autoridades na época.

Ela afirmou que acreditava que comportamentos semelhantes poderiam se repetir em relacionamentos futuros, mas que não tinha condições emocionais de formalizar uma denúncia naquele momento.


Duas mulheres não registraram denúncia contra o influenciador

Gabriela Augusto e a ex-namorada que vive em Londres disseram que não apresentaram denúncias formais à Justiça durante ou depois dos relacionamentos.

No caso da mulher agredida em janeiro, porém, houve o registro da ocorrência e o processo avançou.

Lucas Strabko tornou-se réu e deverá responder por agressão física e violência psicológica.

O fato de alguém se tornar réu significa que a Justiça aceitou a acusação apresentada e autorizou a abertura de um processo criminal. A responsabilidade penal, entretanto, ainda deverá ser analisada durante o andamento do caso, com direito à defesa e ao contraditório.


Mulheres relatam consequências emocionais após os relacionamentos

As três mulheres afirmaram que ainda convivem com as consequências das experiências relatadas.

Gabriela contou que, além de enfrentar o término do relacionamento, precisou lidar com a exposição, o registro na delegacia, o exame de corpo de delito e a necessidade de contar para familiares o que havia vivido.

A mulher que formalizou a denúncia declarou que decidiu procurar a Justiça porque entendeu que precisava tomar uma atitude por si mesma e pela própria história.

Segundo ela, a principal preocupação, naquele momento, era sobreviver e conseguir sair da situação de violência.

Os relatos também destacam a dificuldade enfrentada por vítimas para reconhecer comportamentos abusivos, procurar ajuda e formalizar denúncias, especialmente quando existe medo de exposição, dependência emocional ou receio de represálias.


O que diz Cartolouco sobre as acusações

Em nota enviada ao Fantástico, Lucas Strabko negou as acusações e apresentou uma versão diferente sobre os acontecimentos.

Segundo o influenciador, durante a viagem ao Peru, a então namorada teria apresentado uma crise de ciúmes, feito ofensas verbais e arremessado objetos contra ele, inclusive o próprio celular.

Lucas também afirmou que fotografias tiradas depois da discussão mostrariam os dois juntos.

Sobre o episódio no prédio da ex-namorada, o influenciador declarou que foi ao local apenas para buscar as próprias roupas. Ele afirmou que entregou a chave ao porteiro e negou ter ameaçado destruir o apartamento.

Cartolouco disse ainda que ele e a ex-companheira voltaram a se encontrar mesmo depois do registro do boletim de ocorrência.

A defesa poderá apresentar provas, documentos e testemunhas durante o andamento do processo.


Caso será analisado pela Justiça

Com a aceitação da denúncia, o caso deverá seguir para as próximas etapas do processo judicial.

Durante a ação, a acusação e a defesa poderão apresentar suas versões, provas, imagens, depoimentos e demais elementos considerados relevantes.

Até que exista uma decisão definitiva da Justiça, Lucas Strabko deve ser tratado como acusado, e não como condenado.

As gravações apresentadas, os depoimentos das mulheres e os relatos de testemunhas deverão ser avaliados pelas autoridades responsáveis pelo caso.


Violência psicológica também pode deixar marcas profundas

Embora nem sempre produza marcas físicas visíveis, a violência psicológica pode incluir humilhações, insultos, ameaças, manipulação, isolamento, controle da rotina e desvalorização constante da vítima.

Em muitos casos, essas práticas surgem de maneira gradual e dificultam a identificação do relacionamento abusivo.

A destruição de objetos pessoais, a retirada do telefone da vítima, as ameaças e o controle sobre contatos também podem ser utilizados como formas de intimidação e limitação da liberdade.

Especialistas recomendam que vítimas procurem pessoas de confiança, serviços de atendimento, delegacias especializadas ou canais oficiais de denúncia.


Como denunciar casos de violência contra a mulher

Mulheres que estejam enfrentando situações de violência podem procurar ajuda por meio da Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180.

O canal oferece orientações sobre direitos, serviços especializados e formas de denúncia.

Em situações de emergência ou risco imediato, a recomendação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

Também é possível procurar uma Delegacia de Defesa da Mulher, uma delegacia comum, unidades de saúde, centros de referência ou serviços municipais de atendimento às vítimas.

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