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Em agenda na França, Fazenda tenta atrair capital estrangeiro e afirma que mercado brasileiro está desvalorizado

Durante compromissos ligados ao G7 em Paris, ministro Dario Durigan destacou estabilidade do real, juros altos e potencial dos minerais críticos para ampliar investimentos no Brasil


O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (18), em Paris, que o Brasil vive um momento considerado atrativo para investidores estrangeiros. Segundo ele, ativos brasileiros como ações, títulos públicos e aplicações financeiras seguem “baratos” diante do potencial econômico do país.

A declaração ocorreu durante compromissos internacionais relacionados ao G7 e reuniões voltadas para temas como inteligência artificial, transição energética e cooperação econômica global.

A fala do ministro acontece em meio à instabilidade nos mercados internacionais provocada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela busca de investidores por economias consideradas mais seguras.


Governo aposta em imagem de estabilidade econômica

Durante entrevista, Durigan afirmou que o Brasil tem demonstrado resiliência diante das turbulências externas e pode ser visto como um “porto seguro” para investidores internacionais.

O ministro destacou a estabilidade do real e o desempenho da bolsa brasileira, que, apesar das recentes quedas globais, teria reagido melhor do que outros mercados emergentes.

“Os ativos brasileiros ainda me parecem interessantes, como estão ainda baratos”, declarou o ministro ao comentar o cenário econômico internacional.

A estratégia do governo é utilizar eventos internacionais para reforçar a imagem do Brasil como destino competitivo para investimentos estrangeiros em áreas estratégicas da economia.


Guerra no Oriente Médio influencia fluxo de investimentos

Analistas do mercado financeiro vêm apontando que o Brasil tem atraído recursos externos por reunir características consideradas favoráveis em momentos de tensão global.

Entre os fatores estão a posição do país como grande exportador de commodities — como petróleo, minério de ferro e alimentos — e a manutenção de juros elevados.

Atualmente, a taxa Selic está em 14,5% ao ano, permanecendo entre as maiores taxas de juros reais do mundo.

Em cenários de incerteza internacional, investidores costumam buscar países com maior retorno financeiro e moedas relativamente estáveis, movimento que pode beneficiar economias emergentes como a brasileira.


Minerais críticos entram no centro da estratégia econômica

Outro ponto destacado por Durigan foi o potencial brasileiro no setor de minerais críticos, considerados fundamentais para a indústria de alta tecnologia e para a transição energética global.

Esses minerais são utilizados na produção de baterias de celulares e carros elétricos, semicondutores, painéis solares, turbinas eólicas e até equipamentos militares.

O ministro lembrou que a Câmara dos Deputados aprovou recentemente o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos.

A proposta busca ampliar a participação brasileira na cadeia global de tecnologia e reduzir a dependência histórica da exportação apenas da matéria-prima.

Segundo Durigan, o governo pretende estimular a industrialização desses minerais dentro do próprio país, agregando valor à produção nacional.


Governo defende segurança jurídica para atrair empresas

Durante os encontros na França, o ministro também afirmou que o Brasil precisa garantir maior segurança jurídica e processos mais rápidos para ampliar o interesse de empresas estrangeiras.

De acordo com Durigan, a intenção é evitar entraves judiciais e oferecer maior previsibilidade para investidores interessados em atuar no setor mineral brasileiro.

“A União Brasileira é proprietária dos minerais críticos”, declarou o ministro ao defender regras mais claras para exploração e industrialização dos recursos.

O governo avalia que a combinação entre riqueza mineral, demanda global por tecnologia verde e estabilidade institucional pode abrir espaço para uma nova onda de investimentos produtivos no país.


Participação brasileira em eventos internacionais ganha peso

A presença de integrantes da equipe econômica em reuniões ligadas ao G7 ocorre em um momento em que o Brasil tenta ampliar sua influência nos debates internacionais sobre economia verde, inteligência artificial e segurança energética.

Mesmo sem integrar oficialmente o grupo, o país vem participando de discussões estratégicas com líderes globais e representantes de grandes economias.

O G7 é formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, além da participação institucional da União Europeia.

Nos bastidores, o governo brasileiro busca consolidar uma imagem de parceiro relevante em temas ligados à sustentabilidade, tecnologia e fornecimento de recursos estratégicos para a economia global.

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