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PF amplia cerco no Caso Master e prende pai de Daniel Vorcaro em nova fase da Compliance Zero

Investigação aponta que Henrique Moura Vorcaro teria mantido repasses milionários e buscado acesso a informações sigilosas mesmo após avanço da operação da Polícia Federal


A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (14), uma nova fase da Operação Compliance Zero e prendeu Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A medida foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) dentro das investigações sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master e uma estrutura paralela de monitoramento, intimidação e obtenção ilegal de dados sigilosos.

A operação foi conduzida pela Diretoria de Combate ao Crime Organizado (Dicor), da Polícia Federal em Brasília, e representa a sexta fase da Compliance Zero, considerada uma das principais frentes de investigação financeira em andamento no país.

Segundo a PF, Henrique Vorcaro seria um dos responsáveis por financiar grupos investigados conhecidos como “A Turma” e “Os Meninos”, apontados como braços operacionais usados para obtenção de informações reservadas, invasão de sistemas e pressão contra alvos de interesse da organização investigada.


STF autorizou prisões e bloqueio de bens

Além da prisão de Henrique Vorcaro, a operação cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão em diferentes estados.

Entre os alvos estão policiais federais da ativa, agentes aposentados e integrantes do suposto núcleo operacional ligado ao esquema.

O Supremo Tribunal Federal também determinou:

afastamento de agentes públicos de suas funções;

bloqueio de bens e ativos financeiros;

restrições de acesso a sistemas internos da PF;

medidas cautelares contra investigados ligados ao núcleo de inteligência paralelo.

Entre os nomes citados pela investigação aparecem:

Anderson Wander da Silva Lima, policial federal da ativa;

Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado;

David Henrique Alves;

Victor Lima Sedlmaier;

Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos;

Manoel Mendes Rodrigues.

A investigação ainda menciona uma delegada e um agente aposentado da Polícia Federal suspeitos de terem acessado sistemas internos da corporação para consultar informações sigilosas relacionadas aos inquéritos do caso.


Investigação aponta repasses de R$ 400 mil

De acordo com documentos da investigação obtidos pela Polícia Federal, Henrique Vorcaro teria continuado financiando integrantes da organização mesmo após as primeiras fases da Operação Compliance Zero, realizadas entre novembro de 2025 e janeiro de 2026.

Mensagens extraídas do celular de Marilson Roseno da Silva mostram cobranças sobre pagamentos mensais atrasados destinados à manutenção da estrutura investigada.

Em uma das conversas citadas pela PF, Marilson afirma estar “segurando uma manada de búfalo” enquanto cobrava os repasses prometidos. Henrique teria respondido que enviaria “400”, valor interpretado pelos investigadores como R$ 400 mil.

Segundo os autos, o interlocutor ainda teria solicitado um valor maior, mencionando que o ideal seria “800k”.

Para os investigadores, os diálogos indicam que o financiamento da estrutura paralela teria continuado mesmo após o avanço das investigações e das primeiras operações policiais.


PF investiga consultas ilegais em sistemas internos

Outro ponto central da investigação envolve o suposto acesso indevido a sistemas internos da Polícia Federal.

Segundo a decisão judicial, integrantes do grupo teriam recorrido a policiais e delegados para consultar informações sigilosas relacionadas a inquéritos envolvendo o próprio Henrique Vorcaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Os investigadores afirmam que consultas teriam sido feitas no sistema e-Pol da Polícia Federal com o objetivo de descobrir detalhes de procedimentos sigilosos em andamento.

A delegada Valéria Vieira Pereira da Silva e o agente aposentado Francisco José Pereira da Silva aparecem na investigação como suspeitos de fornecer dados reservados ao grupo.

Já o policial federal Anderson Wander da Silva Lima teria atuado como um elo interno dentro da corporação, realizando ou articulando consultas indevidas em sistemas da PF.


Conversas mostram preocupação com avanço das investigações

Mensagens anexadas ao inquérito indicam que Henrique Vorcaro teria continuado acionando integrantes do grupo mesmo após ter sido intimado pela Polícia Federal.

Em um dos diálogos citados na decisão judicial, ele afirma:

“Hoje tá ao contrário. No momento em que estou é que preciso de vocês.”

Para a PF, a frase demonstra que o investigado ainda recorria à estrutura paralela para buscar informações estratégicas e apoio interno dentro da corporação.

Em outra situação descrita pela investigação, integrantes do grupo tentaram descobrir se um inquérito policial investigava crimes financeiros ligados a Daniel Vorcaro. O pedido teria sido encaminhado com urgência a policiais federais, que repassaram capturas de tela e informações internas do procedimento.


Quem é Henrique Vorcaro

Henrique Moura Vorcaro foi preso em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, durante o cumprimento dos mandados da sexta fase da Operação Compliance Zero.

Ele é apontado pela investigação como um dos responsáveis por demandar serviços da estrutura investigada e por realizar pagamentos aos integrantes dos grupos operacionais.

Segundo a Polícia Federal, esses grupos seriam responsáveis por práticas como:

intimidação e coerção de alvos;

monitoramento clandestino;

vazamento de informações sigilosas;

consultas ilegais em bancos de dados públicos;

invasão de dispositivos eletrônicos e sistemas internos.

A investigação sustenta que Henrique teria mantido contato frequente com operadores do grupo mesmo após o início das ações policiais.


Defesa contesta prisão e acusa falta de esclarecimentos

A defesa de Henrique Vorcaro afirmou que a decisão judicial se baseia em fatos cuja “licitude e racionalidade econômica” ainda não teriam sido devidamente comprovadas.

Os advogados sustentam que não houve oportunidade prévia para apresentação de esclarecimentos antes da decretação da prisão preventiva.

Em nota, a defesa declarou que pretende demonstrar “a inconsistência das acusações” e classificou a medida como “grave e desnecessária”.

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