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Deputada federal Duda Salabert apresenta projeto de lei para banir “cola-rato” no Brasil e reacende debate sobre controle de pragas

Proposta apresentada na Câmara aponta crueldade contra animais e riscos à saúde pública como principais motivos para proibição


Proibição da cola-rato entra em pauta no Congresso

A deputada federal Duda Salabert apresentou um projeto de lei que propõe a proibição da venda da chamada “fita cola-rato” em todo o território nacional. A iniciativa ganhou grande repercussão após a parlamentar divulgar um vídeo nas redes sociais explicando os fundamentos da proposta e alertando sobre os impactos do uso desse tipo de armadilha.

O tema reacende uma discussão antiga sobre métodos de controle de pragas no Brasil, especialmente em áreas urbanas, onde a presença de roedores ainda é um problema recorrente.


Método é criticado por causar sofrimento prolongado

De acordo com a deputada, a cola-rato funciona como uma armadilha adesiva que imobiliza o animal, impedindo qualquer possibilidade de fuga. Esse tipo de captura, segundo ela, submete os roedores a um sofrimento intenso e prolongado, podendo durar horas ou até dias.

Durante esse período, os animais permanecem vivos, presos, e frequentemente acabam morrendo por exaustão, fome, desidratação ou infecção. Há ainda relatos de que, na tentativa de escapar, os roedores podem ferir gravemente o próprio corpo.

A crítica central da proposta está na forma como a morte ocorre, considerada lenta e dolorosa, o que levanta questionamentos éticos sobre o uso desse tipo de produto.

Reprodução: Instagram Duda Salabert

Riscos sanitários também entram no debate

Além da questão do sofrimento animal, outro ponto destacado é o potencial risco à saúde pública. Segundo a parlamentar, enquanto estão presos, os roedores continuam urinando e defecando no local, o que pode contribuir para a disseminação de doenças.

Esse cenário pode transformar a armadilha em um foco de contaminação, especialmente em ambientes domésticos ou comerciais. A permanência prolongada do animal no mesmo espaço aumenta o risco de exposição a agentes patogênicos.

A discussão também se conecta a problemas urbanos mais amplos, como saneamento básico deficiente e gestão inadequada de resíduos.


Captura de outros animais amplia preocupação

Outro argumento apresentado no projeto é o caráter indiscriminado da armadilha. A cola-rato não diferencia espécies, podendo capturar outros animais além de roedores.

Entre os casos mencionados estão aves, pequenos mamíferos e até filhotes de gatos. Esse aspecto amplia a preocupação não apenas do ponto de vista ambiental, mas também sanitário, já que diferentes espécies podem atuar como vetores de doenças.

O uso inadequado do produto, inclusive contra animais como pombos, também foi citado como um fator agravante.


Proposta defende alternativas e políticas públicas

O projeto de lei não se limita à proibição da comercialização. Ele também busca incentivar uma abordagem mais ampla para o controle de pragas urbanas.

Para a deputada, o combate à proliferação de ratos deve passar por soluções estruturais, como:

  • Melhoria do saneamento básico
  • Coleta e destinação adequada do lixo
  • Drenagem urbana eficiente
  • Ações de limpeza pública

A ideia central é substituir métodos considerados cruéis por estratégias mais eficazes e sustentáveis, que ataquem as causas do problema, e não apenas seus efeitos.


Debate deve avançar no Congresso

A proposta ainda precisa tramitar pelas comissões da Câmara dos Deputados antes de seguir para votação. O tema tende a gerar debate entre diferentes setores, incluindo defensores dos direitos dos animais, especialistas em saúde pública e representantes da indústria.

Enquanto isso, a discussão sobre o uso da cola-rato ganha visibilidade e coloca em evidência a necessidade de repensar práticas comuns no controle de pragas no país.


Um tema que vai além da legislação

Mais do que uma medida pontual, o projeto levanta uma reflexão sobre a relação entre saúde pública, meio ambiente e bem-estar animal. A proposta reforça a ideia de que soluções urbanas precisam ser integradas e responsáveis, considerando tanto a eficácia quanto os impactos éticos e sanitários.

O avanço da pauta no Congresso deve indicar se o Brasil caminhará para uma mudança significativa nesse tipo de prática — ou se o debate ainda precisará amadurecer antes de se transformar em lei.

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