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Moraes abre inquérito contra Flávio Bolsonaro por suposta calúnia contra Lula

Decisão do STF atende pedido da Polícia Federal e tem aval da PGR após postagem em rede social


Investigação foi autorizada pelo STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a abertura de inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro por suposta prática de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A decisão, assinada no dia 13 de abril e divulgada nesta quarta-feira (15), atende a um pedido da Polícia Federal e conta com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A investigação tem como base uma publicação feita pelo senador na rede social X (antigo Twitter), em janeiro deste ano.


Postagem é o foco da apuração

Na publicação, Flávio Bolsonaro associou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a crimes graves, como:

Tráfico internacional de drogas e armas
Lavagem de dinheiro
Apoio a regimes autoritários e grupos ilegais
Fraudes eleitorais

Além disso, o senador utilizou a expressão “será delatado”, o que, segundo as autoridades, sugere a imputação de crimes ao chefe do Executivo em ambiente público.


PF e PGR apontam indícios de crime

De acordo com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, a publicação apresenta indícios concretos de calúnia, por atribuir falsamente crimes a uma autoridade.

As instituições destacam que o uso do termo ligado à colaboração premiada reforça a gravidade da declaração, por insinuar a existência de investigações ou provas inexistentes.

A conduta pode ter agravante por ter sido direcionada ao presidente da República e divulgada em rede social, ampliando o alcance da mensagem.


Moraes enquadra caso como calúnia

Na decisão, Alexandre de Moraes classificou a conduta como possível crime de calúnia, previsto no Código Penal.

O ministro também determinou:

A retirada do sigilo do processo
Prazo de 60 dias para diligências da Polícia Federal

A medida permite maior transparência ao caso e dá início à fase de coleta de provas.


Defesa fala em ataque à liberdade de expressão

A defesa de Flávio Bolsonaro afirmou ter recebido a decisão com “profunda estranheza”.

Segundo a nota, o senador não teria feito imputações diretas de crimes ao presidente, mas apenas mencionado fatos relacionados ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Os advogados também argumentam que:

A medida seria juridicamente frágil
Há tentativa de cercear a liberdade de expressão
O caso poderia representar interferência no exercício do mandato parlamentar

“O Senador Flávio Bolsonaro recebe com profunda estranheza a decisão do Ministro Alexandre de Moraes que determinou a instauração de inquérito para apurar suposta calúnia contra o Presidente da República. A medida é juridicamente frágil, uma vez que a publicação objeto do procedimento carece de qualquer tipicidade penal. Na postagem em questão, o Senador limitou-se a noticiar fatos e relatar os crimes pelos quais Nicolás Maduro foi preso e é processado internacionalmente, sem realizar imputação criminosa direta contra Luiz Inácio Lula da Silva.

A medida é juridicamente frágil, uma vez que a publicação objeto do procedimento carece de qualquer tipicidade penal. Na postagem em questão, o senador limitou-se a noticiar fatos e relatar os crimes pelos quais Nicolás Maduro foi preso e é processado internacionalmente, sem realizar imputação criminosa direta contra Luiz Inácio Lula da Silva.

A abertura deste inquérito configura uma tentativa clara de cercear a liberdade de expressão e o livre exercício do mandato parlamentar. O procedimento evoca práticas de censura e bloqueios de contas vistos no pleito de 2022, quando o Tribunal Superior Eleitoral, sob a mesma condução, impôs um flagrante desequilíbrio ao proibir termos como “descondenado” para se referir ao petista, enquanto permitia ofensas sistemáticas contra o então Presidente Jair Bolsonaro.

Chama atenção que a distribuição da ação tenha ocorrido justamente ao Ministro Alexandre de Moraes, personagem central do desequilíbrio democrático recente. Reiteramos que não cederemos a intimidações ou ao uso do aparato policial e judiciário para silenciar a oposição. O governo Lula deve explicações sobre suas relações com a ditadura venezuelana, e nenhuma pressão impedirá nosso dever constitucional de fiscalizar e defender as liberdades fundamentais dos brasileiros.”


Caso pode ter desdobramentos jurídicos e políticos

A abertura do inquérito coloca o senador sob investigação formal e pode gerar consequências legais dependendo dos resultados das apurações.

O episódio também amplia a tensão no cenário político, envolvendo figuras centrais do Executivo, Legislativo e Judiciário.


Próximos passos da investigação

Com a decisão, a Polícia Federal terá até 60 dias para conduzir diligências, coletar provas e ouvir envolvidos.

Após essa etapa, o caso poderá avançar para novas fases, incluindo eventual denúncia por parte da PGR ou arquivamento, dependendo das conclusões.


O desfecho da investigação será determinante para avaliar os limites entre liberdade de expressão e responsabilidade legal no ambiente digital e político.

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