Oficial investigado pela morte da esposa é colocado na reserva com vencimentos integrais enquanto responde por feminicídio e fraude processual
PM coloca oficial investigado na reserva com salário integral
A Polícia Militar de São Paulo determinou a aposentadoria do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob suspeita de matar a própria esposa, a policial militar Gisele Alves Santana.
A decisão foi formalizada por meio de portaria publicada nesta quinta-feira (2), que coloca o oficial na reserva.
Mesmo investigado por feminicídio, ele terá direito a vencimentos integrais, conforme prevê a legislação, com base nos critérios proporcionais por idade.

Remuneração deve permanecer elevada
Antes da prisão, o salário bruto do tenente-coronel era de cerca de R$ 28,9 mil, segundo dados do Portal da Transparência.
Com a aposentadoria, a remuneração deve ficar em torno de R$ 21 mil.

A condição de inatividade não impede o andamento do processo disciplinar, mas pode ter impacto nas consequências administrativas.
Processo de expulsão segue em andamento
Apesar da aposentadoria, a corporação afirma que o oficial ainda responde a um processo de expulsão conduzido pela Corregedoria.
Fontes ouvidas pela reportagem indicam, no entanto, que, mesmo em caso de perda da patente, ele pode manter o direito ao recebimento da aposentadoria, por se tratar de um benefício adquirido ao longo da carreira.
Prisão preventiva foi decretada pela Justiça Militar
O oficial foi preso preventivamente após decisão da Justiça Militar e está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista.
Ele é investigado por feminicídio e fraude processual no caso da morte da esposa, ocorrida no apartamento onde o casal vivia, no bairro do Brás, em São Paulo.
Versão de suicídio foi contestada por laudos
Inicialmente, o tenente-coronel afirmou que a esposa havia tirado a própria vida após uma discussão.
No entanto, investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo apontaram inconsistências na versão apresentada.
Laudos periciais e análises técnicas indicam que a morte foi resultado de feminicídio, descartando a hipótese de suicídio.
Celular da vítima foi manipulado após o disparo
A investigação revelou que o celular de Gisele foi desbloqueado e manuseado minutos após o tiro que causou sua morte.
Também foram identificadas mensagens apagadas do aparelho, o que levanta suspeitas de tentativa de ocultação de provas.
Os dados recuperados indicam que o casal discutia separação no dia anterior ao crime.
Mensagens indicam crise no relacionamento
Conversas obtidas pelos investigadores mostram que Gisele expressava intenção de se divorciar.
O conteúdo sugere um relacionamento marcado por conflitos e possível desgaste emocional, o que contraria a versão inicial apresentada pelo oficial.
Testemunhas relatam comportamento agressivo
Depoimentos colhidos pela polícia indicam que colegas da corporação já haviam presenciado episódios de agressividade por parte do tenente-coronel.
Há relatos de discussões no ambiente de trabalho, incluindo situações em que ele teria segurado a vítima com força e demonstrado comportamento controlador.
Testemunhas também afirmaram que Gisele mudava de postura na presença do marido, tornando-se mais retraída.
Provas reforçam acusação de feminicídio
De acordo com o Ministério Público, a combinação de laudos periciais, reprodução simulada e análise de mensagens sustenta a acusação de feminicídio.
A investigação aponta que o oficial teria atirado contra a esposa e, posteriormente, alterado a cena do crime para simular suicídio — o que configura fraude processual.
Imagens de câmeras corporais mostram ainda tensão no local, com tentativa de interferência na preservação da cena.
Caso pode ir a júri popular
Por se tratar de um crime doloso contra a vida, a tendência é que o caso seja julgado pela Justiça comum, possivelmente pelo Tribunal do Júri.
O Ministério Público pediu indenização mínima de R$ 100 mil para a família da vítima em caso de condenação.
Defesa nega crime e questiona investigação
A defesa do tenente-coronel nega as acusações e sustenta que a morte foi resultado de suicídio.
Os advogados também questionam a competência da Justiça Militar no caso e afirmam que o oficial tem colaborado com as investigações.
A equipe jurídica ainda alega exposição indevida da vida privada do acusado e promete contestar judicialmente interpretações divulgadas.







































































































