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PM de SP aposenta com salário integral tenente-coronel preso por suspeita de feminicídio

Oficial investigado pela morte da esposa é colocado na reserva com vencimentos integrais enquanto responde por feminicídio e fraude processual


PM coloca oficial investigado na reserva com salário integral

A Polícia Militar de São Paulo determinou a aposentadoria do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob suspeita de matar a própria esposa, a policial militar Gisele Alves Santana.

A decisão foi formalizada por meio de portaria publicada nesta quinta-feira (2), que coloca o oficial na reserva.

Mesmo investigado por feminicídio, ele terá direito a vencimentos integrais, conforme prevê a legislação, com base nos critérios proporcionais por idade.

Portaria da PM que manda o tenente-coronel Geraldo Neto para a reserva com vencimentos integrais. — Foto: Reprodução/Diário Oficial

Remuneração deve permanecer elevada

Antes da prisão, o salário bruto do tenente-coronel era de cerca de R$ 28,9 mil, segundo dados do Portal da Transparência.

Com a aposentadoria, a remuneração deve ficar em torno de R$ 21 mil.

Remuneração de Geraldo Neto no mês de fevereiro de 2026, antes de ser preso por suspeita de feminicídio. — Foto: Reprodução/Portal da Transparência

A condição de inatividade não impede o andamento do processo disciplinar, mas pode ter impacto nas consequências administrativas.


Processo de expulsão segue em andamento

Apesar da aposentadoria, a corporação afirma que o oficial ainda responde a um processo de expulsão conduzido pela Corregedoria.

Fontes ouvidas pela reportagem indicam, no entanto, que, mesmo em caso de perda da patente, ele pode manter o direito ao recebimento da aposentadoria, por se tratar de um benefício adquirido ao longo da carreira.


Prisão preventiva foi decretada pela Justiça Militar

O oficial foi preso preventivamente após decisão da Justiça Militar e está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista.

Ele é investigado por feminicídio e fraude processual no caso da morte da esposa, ocorrida no apartamento onde o casal vivia, no bairro do Brás, em São Paulo.


Versão de suicídio foi contestada por laudos

Inicialmente, o tenente-coronel afirmou que a esposa havia tirado a própria vida após uma discussão.

No entanto, investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo apontaram inconsistências na versão apresentada.

Laudos periciais e análises técnicas indicam que a morte foi resultado de feminicídio, descartando a hipótese de suicídio.


Celular da vítima foi manipulado após o disparo

A investigação revelou que o celular de Gisele foi desbloqueado e manuseado minutos após o tiro que causou sua morte.

Também foram identificadas mensagens apagadas do aparelho, o que levanta suspeitas de tentativa de ocultação de provas.

Os dados recuperados indicam que o casal discutia separação no dia anterior ao crime.


Mensagens indicam crise no relacionamento

Conversas obtidas pelos investigadores mostram que Gisele expressava intenção de se divorciar.

O conteúdo sugere um relacionamento marcado por conflitos e possível desgaste emocional, o que contraria a versão inicial apresentada pelo oficial.


Testemunhas relatam comportamento agressivo

Depoimentos colhidos pela polícia indicam que colegas da corporação já haviam presenciado episódios de agressividade por parte do tenente-coronel.

Há relatos de discussões no ambiente de trabalho, incluindo situações em que ele teria segurado a vítima com força e demonstrado comportamento controlador.

Testemunhas também afirmaram que Gisele mudava de postura na presença do marido, tornando-se mais retraída.


Provas reforçam acusação de feminicídio

De acordo com o Ministério Público, a combinação de laudos periciais, reprodução simulada e análise de mensagens sustenta a acusação de feminicídio.

A investigação aponta que o oficial teria atirado contra a esposa e, posteriormente, alterado a cena do crime para simular suicídio — o que configura fraude processual.

Imagens de câmeras corporais mostram ainda tensão no local, com tentativa de interferência na preservação da cena.


Por se tratar de um crime doloso contra a vida, a tendência é que o caso seja julgado pela Justiça comum, possivelmente pelo Tribunal do Júri.

O Ministério Público pediu indenização mínima de R$ 100 mil para a família da vítima em caso de condenação.


Defesa nega crime e questiona investigação

A defesa do tenente-coronel nega as acusações e sustenta que a morte foi resultado de suicídio.

Os advogados também questionam a competência da Justiça Militar no caso e afirmam que o oficial tem colaborado com as investigações.

A equipe jurídica ainda alega exposição indevida da vida privada do acusado e promete contestar judicialmente interpretações divulgadas.

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