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Mário Frias muda versão sobre financiamento de filme de Bolsonaro após áudio envolvendo Flávio e banqueiro investigado

Deputado federal e produtor executivo de “Dark Horse” afirmou inicialmente que produção não recebeu recursos ligados ao Banco Master, mas depois reconheceu relação contratual com empresa apontada como intermediária de repasses ligados a Daniel Vorcaro.


O deputado federal Mário Frias recuou das declarações iniciais sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, após a divulgação de um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro cobra pagamentos atrasados ao empresário Daniel Vorcaro.

A mudança de posicionamento ocorreu cerca de 20 horas depois de Frias afirmar publicamente que não havia “um centavo do Master” no projeto cinematográfico.

Em uma segunda nota divulgada à imprensa, o parlamentar afirmou que houve uma “diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento” e reconheceu que o relacionamento jurídico da produção foi firmado com a empresa Entre Investimentos, apontada em investigações como intermediária de repasses ligados a Vorcaro.


Áudio de Flávio Bolsonaro aumentou pressão sobre produção do filme

A repercussão ganhou força após o site The Intercept Brasil divulgar um áudio no qual Flávio Bolsonaro aparece cobrando Daniel Vorcaro por atrasos em pagamentos relacionados à produção do longa-metragem.

Segundo a reportagem, o banqueiro teria desembolsado cerca de R$ 61 milhões para financiar o projeto.

A TV Globo confirmou a autenticidade do material com investigadores e pessoas que tiveram acesso às apurações.

Após a divulgação do conteúdo, Flávio Bolsonaro confirmou ter pedido dinheiro ao empresário, mas negou qualquer irregularidade.

O senador afirmou que existia um contrato válido e que os atrasos colocavam em risco a conclusão do filme.

“Sim, tinha um contrato que, ao não pagar essas parcelas, tinha uma grande chance de o filme sequer ser veiculado”, declarou o parlamentar em vídeo publicado nas redes sociais.


Frias nega participação direta de Vorcaro, mas admite vínculo com empresa intermediária

Na primeira manifestação pública, Mário Frias sustentou que não havia recursos de Daniel Vorcaro ou do Banco Master na produção de “Dark Horse”.

Mais tarde, no entanto, o deputado apresentou nova versão.

Segundo o comunicado revisado, a negativa inicial dizia respeito apenas ao fato de que Vorcaro e o Banco Master não figuravam formalmente como signatários do contrato de investimento.

Frias afirmou que o acordo foi firmado com a empresa Entre Investimentos, descrita como uma pessoa jurídica distinta.

A produtora GOUP Entertainment também divulgou nota afirmando que o nome de Daniel Vorcaro não aparece formalmente entre os investidores da obra.

Ainda assim, a empresa reconheceu que parte das operações financeiras relacionadas ao projeto circulou por meio da Entre Investimentos.


Relatórios do Coaf apontam repasses milionários

Apesar das negativas sobre participação direta de Vorcaro, relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontam que a Entre Investimentos recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal em apurações relacionadas ao Banco Master.

As investigações buscam identificar se parte desses recursos foi utilizada no financiamento do filme ou em estruturas ligadas à produção audiovisual.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre quanto desse montante efetivamente chegou ao projeto “Dark Horse”.

Segundo a reportagem do The Intercept Brasil, o contrato total previa pagamentos de aproximadamente R$ 124 milhões, dos quais R$ 61 milhões já teriam sido transferidos.


PF investiga Daniel Vorcaro por supostas fraudes bilionárias

Daniel Vorcaro está preso em Brasília e é investigado pela Polícia Federal sob suspeita de comandar um esquema de fraudes financeiras que pode alcançar R$ 12 bilhões.

As investigações também apuram possíveis conexões políticas e financeiras envolvendo integrantes da família Bolsonaro.

Entre as linhas de investigação está a suspeita de que recursos ligados ao banqueiro possam ter sido utilizados para financiar despesas do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.


Produção afirma que filme usa apenas capital privado

Mário Frias reiterou que “Dark Horse” foi produzido integralmente com recursos privados e sem utilização de dinheiro público.

O deputado descreveu o projeto como uma “superprodução em padrão hollywoodiano”, com profissionais internacionais envolvidos na direção, roteiro e elenco.

O ator Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro no longa-metragem.

Frias também declarou que o filme sofreu ataques políticos desde o anúncio da produção.

“Há uma tentativa permanente de descredibilizar a obra perante a opinião pública, investidores e parceiros do setor audiovisual”, afirmou.


GOUP cita regras de confidencialidade nos Estados Unidos

A GOUP Entertainment afirmou que a legislação norte-americana relacionada à captação privada de recursos para projetos audiovisuais impede a divulgação da identidade de investidores protegidos por acordos de confidencialidade, conhecidos como NDAs.

Segundo a produtora, o projeto foi estruturado dentro de mecanismos considerados legítimos do mercado internacional de entretenimento.

A empresa sustenta que conversas com empresários ou potenciais apoiadores não configuram necessariamente investimento formal ou participação societária.

A produtora afirmou ainda que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos sobre o caso.


“Até o cafezinho tem nota”, diz Mário Frias

Em entrevista ao portal Metrópoles, Mário Frias afirmou que todos os gastos relacionados à produção estão documentados.

O deputado declarou que foi criado um fundo patrimonial exclusivo nos Estados Unidos para administrar os recursos do filme.

“Até o cafezinho tem nota”, afirmou.

Segundo ele, a estrutura financeira internacional teria sido criada para proteger investidores e facilitar pagamentos no exterior.

Frias também negou que recursos da produção tenham sido desviados para Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

De acordo com o parlamentar, a associação surgiu porque o advogado responsável pelo fundo patrimonial, Paulo Calixto, também atuou em questões relacionadas à migração do deputado licenciado para os EUA.


Filme sobre Bolsonaro estreia em meio à crise envolvendo investidores

A controvérsia envolvendo os financiamentos ocorre às vésperas da estreia do documentário A Colisão dos Destinos, obra que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro desde a infância até a Presidência da República.

Já “Dark Horse”, cinebiografia internacional inspirada na vida do ex-presidente, ainda não teve data oficial de lançamento divulgada.

Segundo Mário Frias, o nome do filme faz referência ao termo em inglês usado para definir um “azarão”, alguém improvável que supera expectativas e vence disputas consideradas difíceis.

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